Bento Fleury
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O significado histórico do livro ‘Vida’, de Nita Fleury

Nita Fleury foi contista, cronista, pesquisadora, genealogista, romancista, novelista, historiadora e biógrafa goiana que produziu desde o princípio do século XX

Largo do Jardim na Cidade de Goiás, cenário de muitos contos da autora, Mariana Augusta Fleury Curado, vendo-se o sobrado da Delegacia Fiscal e as residências de Francisco Perillo Junior e Cristiano de Moraes, os antigos lampiões descendo a Rua Direita | Foto: Acervo de Bento Fleury

A escritora Mariana Augusta Fleury Curado (Nita – 1897-1986) teve marcante presença na vida literária goiana desde o princípio do século XX, ao destacar-se pelo ecletismo de sua produção; sendo contista, cronista, pesquisadora, genealogista, romancista, novelista, historiadora, biógrafa; deixando um estilo marcado, também, pela idéia de síntese narrativa e pelo tom trágico de muitas de suas obras, característica bem marcante que se nota em muitos de seus personagens.

A escritora foi membro fundador da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, onde ocupou a Cadeira de nº 22, sendo hoje a sua Patrona, vaga ocupada primeiramente pela pesquisadora Esther Barbosa Oriente e hoje pela pianista Consuelo Quiereze; membro da União Brasileira de Escritores, secção de Goiás; Patrona da Cadeira n° 022, da Academia Trindadense de Letras, Ciências e Artes, que teve por titular o Acadêmico e poeta Dr. Floriano Freitas Filho, já falecido; é nome da sala de recepção da Casa Rosarita Fleury, em Goiânia e tem uma Placa, em sua homenagem, na Casa da Rua Joaquim Rodrigues, na Cidade de Goiás, onde ela residiu vários anos, depois de casada.

 No ano de 1969, Mariana Augusta Fleury Curado publicou o livro Vida, que foi impresso nas Oficinas Gráficas da Escola Técnica Federal de Goiás, com capa de Rubens Fleury, ao destacar, em azul e negro, o outeiro e o jatobazeiro da Chácara Baumann, na Cidade de Goiás, onde viveu a escritora a sua infância e juventude. Nessa obra, a autora usa o apelido “Nita”, o que na segunda, Rua do Carmo, já não adota na capa do livro, quando utilizou o seu nome completo.

 A autora faz uma homenagem ao esposo, farmacêutico Agnelo Arlíngton Fleury Curado, falecido três anos antes, e evoca a perda do filho Ewerton Fleury Curado, assassinado em 1964, que, num belo arranjo, compara-o a uma nota musical, sendo o “mi” substituído pela “dor”. É a saudade dorida da mãe misturada à revolta do crime que jamais esqueceu ao longo de sua vida, o que é compreensível.

 A estrutura do livro apresenta os contos “Vida”, “Amor materno”, “Dita”, “Olho de defunto”, “O expedicionário que ficou em Pistóia”, “Noé”, “O último São João”, “Natal distante”, “Frustração”, “Justiça de antanho”, “Libertação”, “Verde… tão verde”, “Caixão de São Vicente”, “Zé Claudino” e “Beira do Rio Turvo”. Apresenta as crônicas “Chácara Baumann”, “Vaidade” e “Fonte da Carioca” e apresenta, também, as novelas “Destino truncado” e a fenomenal narrativa intitulada “O broche de brilhantes da mulher do Dr. Cunha”.

Retrato da autora no período em que escreveu a maioria dos contos, crônicas e novelas do livro Vida | Foto: Acervo de Bento Fleury.

No conto sintético que oferece título à obra, a autora analisa o desequilíbrio emocional do rústico personagem Josino, adoecido de ciúmes de sua esposa Rosinha, propiciando um clímax inesperado, quando a aranha arranca os olhos azuis da filhinha do casal numa noite escura e o protagonista tem a certeza, em sua mente, da provável traição da esposa com um suposto Aluísio. Deixando imagens nas entrelinhas, num jogo elocucional misterioso, a autora leva o leitor a supor um adultério, ou, também a confirmar uma paranóia do esposo em relação ao comportamento da mulher. 

Em sua síntese, a contista opta por mostrar apenas algumas nuances de seus personagens, mantendo um clima de mistério, até mesmo na origem das temidas aranhas. O leitor mais atento percebe que o título do conto nos oferece uma síntese de que a “vida” é, deveras, repleta de múltiplas surpresas nem sempre agradáveis. 

Em “Amor materno” a autora remete o leitor ao misterioso mundo interior de uma mãe amargurada pela ingratidão dos filhos, desprezo das noras e rebeldia dos netos, quando a personagem, que não possui nome, sendo então qualquer mãe ferida, resolve criar o seu mundo à parte carregado de lembranças felizes dos tempos em que os filhos lhe pertenciam por inteiro. 

Esse tema, inclusive, é recorrente na obra da autora, a questão da família que se desintegra pela ação do tempo e os revezes do destino. Sua personagem nesse conto é considerada maníaca e esquisita aos olhos dos outros, mas, em tom confessional, somente a autora e os leitores se apercebem que, na verdade, a personagem se defendia das dores da vida. Há em muitos diálogos desse conto uma sutil ironia da narradora, prova de sua marcante personalidade.

No conto “Dita”, a autora analisa, em elementos sintéticos e estilo enxuto, a personalidade feminina marcada pela contradição. Inicia o conto com o fim trágico da personagem que dá título ao conto e depois, num flash-back narrativo, delineia a personalidade de Dita, marcada pela irreverência e leviandade. 

A autora analisa os perfis masculinos do poeta, do desportista e do filho do coronel, ao provar que a personagem era marcada pelo interesse financeiro, mas foi assassinada friamente pelo poeta amargurado. A autora analisa a sociedade e a alma humana carregada de recalques e conflitos que normalmente geram a violência.

Chácara Baumann, Cidade de Goiás | Foto: Acervo de Bento Fleury

Em “Olho de defunto” a narradora utiliza o foco narrativo em primeira pessoa na figura misteriosa de Osório, fazendo uma retrospectiva de sua existência marcada pela humilhação provocada pela avó desde a mais tenra infância, em que era alcunhado de “olho de defunto”.    

Faz uma análise, também, da amargura de sentir-se excluído e feio e da posição da avó em humilhá-lo até o fim, mesmo no leito de morte em que lhe revela sua paternidade, ao atentar para um provável adultério de sua mãe com um velho esquisito denominado Geminiano Alves, mas de forma velada, como ocorreu no conto “Vida”. Ao levar a narrativa novamente para o tempo presente, a narradora mostra o homem sombrio que sempre vivia de óculos, que escondia os olhos.

No conto “O expedicionário que ficou em Pistóia” a autora remete ao momento histórico da Segunda Guerra Mundial em que os Pracinhas de Guerra foram os grandes heróis nacionais, muitos morrendo no solo italiano, longe dos familiares ou voltando marcados para sempre pelos horrores vivenciados, como foi o caso de seu filho, Sebastião Herculano Fleury Curado (1921-1988) notável desembargador e escritor. No uso da ironia, a autora mostra o desespero da personagem Ramira, que perdera o filho na guerra e as ponderações do personagem Major, que evidencia a injustiça, em que os apaniguados, como o filho do Major, deserdara no momento de servir á pátria por causa dos contatos militares do pai. Fica claro, nesse conto, o quanto a vida humana foi banalizada naquele triste período da história.

Em “Noé” a narradora delineia a triste existência do negro Noé, marcada pela miséria, pobreza e exclusão, trabalhando como puxador de lenha, profissão que existia naqueles duros tempos de fogão a lenha em todas as casas goianas. Aliás, nesse conto, a autora mostra geograficamente o lado obscuro da velha capital goiana, centrando o seu personagem no bairro do “Chupa Osso”, lugar de gente pobre daquele tempo. 

Mostra daí por diante, as humilhações que o personagem viveu em sua existência obscura até o desfecho em que, num circo, é vítima da maldade humana, sendo perseguido e morto em uma das pontes do Rio Vermelho, na Cidade de Goiás.

Chácara Baumann, Cidade de Goiás, natal de 1928. Família Fleury Curado reunida no terraço da chácara, com bela visão da velha capital do Estado.  Presentes, da direita para a esquerda, de pé, Sebastião Fleury Curado Filho (Dinho), Dr. Sebastião Fleury Curado, André Fleury Curado, Agnello Arlíngton Fleury Curado, Albatênio Caiado de Godoy. Assentadas: Clarisse Fleury Curado, Herminia Fleury Curado, Augusta de Faro Fleury Curado, tendo ao lado, de pé, o primeiro neto, Sebastião Herculano Fleury Curado (Asty), Maria de Barros Fleury Curado com Wilson no colo, Mariana Augusta Fleury Curado com Sônia no colo, Maria Paula Fleury de Godoy com Augusta no colo, Josefina Maria Fleury Curado Piquet e as crianças ao chão, Marilda, Zilah, Thales e Piragibe. Este seria o último natal com a família completa, pois menos de quatro meses depois, em 11 de abril de 1929 faleceria a matriarca, Augusta de Faro Fleury Curado | Foto: Acervo de Bento Fleury

No conto “O último São João” em terceira pessoa, a narradora enfatiza a tristeza do velho Lucas em contrastar os festejos de São João do passado e do presente. Remete à frustração do velho com o desrespeito dos jovens com a tradição que passara de geração a geração e, num ímpeto inesperado, o personagem enlouquecido atira a bandeira de São João no fogo, no corte dos elos definitivos com o seu passado. Esse tema também é recorrente na obra da autora.

No conto “Natal distante” a narradora descreve, em minúcias e imagens poéticas, o mês de dezembro na antiga capital goiana, os festivos dobres dos sinos da igreja matriz, as velhas calçadas de lajes molhadas, os presépios iluminados a gás acetileno e as beatas rezadeiras no caminho da matriz.

A narradora insere, nesse contexto, os personagens que irão formar o triângulo amoroso: Custódio, Duca e Anona, sendo os dois primeiros “cometas”, nome que se dava ao profissional que exercia a função de representante comercial naquelas priscas eras. Há algumas citações carregadas de erotismo como: “Custódio lembrou dos seios de Anona, duros, altos, morenos”, “O manjar do céu parecia uma série de peitinhos espetando o ar”, “Ah, mas ela valia quanto gozo lhe dara”. 

Numa seqüência de fortes imagens, a narradora mostra o desfecho trágico dos dois amigos, no assassinato que Custódio comete, matando Duca e a morte que tem em virtude do crime cometido. No uso da ironia, a autora enfatiza o final feliz da amante e adúltera que se casou com um Desembargador do norte e se tornou mulher piedosa e virtuosa. Há, nesse conto, muita crítica à leviandade feminina, outro tema recorrente na obra da autora.

Em “Frustração” a autora analisa a alma feminina por meio das personagens Marta e Ângela, rivais em tudo, inclusive numa disputa desde a infância, rixa essa disseminada pela madrasta, lembrando o mito da Cinderela. Ângela consegue sair daquele mundo de sofrimento e humilhações sendo adotada por uma rica senhora. 

Na nova cidade, conheceu um primo de sua protetora que passou a ser o seu namorado. Corrido o tempo da narrativa, a autora coloca um esfriamento da relação dos noivos, provocado pelo surgimento de uma nova pretendente ao rapaz. Ao certificar-se que era sua antiga rival, matou o seu noivo com uma punhalada, aliviando suas tensões desde a infância, demonstrando o desequilíbrio mental insuflado pela dominação do ódio.

O Rio Vermelho na Cidade de Goiás quando ainda nele havia navegação, com a chegada de barcos vindos de Belém do Pará, do comerciante Moisés Jadão, conforme aparece descrito na novela de Nita Fleury. Ao fundo se vê o muro do Mercado Municipal da Cidade de Goiás e o quintal da Casa do Bispo | Foto: Acervo de Bento Fleury

No conto “Justiça de antanho”, a narradora centra o foco narrativo, em terceira pessoa, no ambiente de uma pequena vila do norte goiano na figura do Coronel Urbano Silva e seus correligionários, nos velhos costumes políticos arcaicos e tacanhos da República Velha, em que os coronéis detinham com mão de ferro o poder, no uso e abuso do prestígio; ao cometer injustiças de toda ordem; principalmente em relação aos camaradas, peões, que eram tratados no chicote: “Espancar um camarada! Quem nesta terra não costuma bater em seus empregados?! Quem? Dizem que na capital, nas barbas da polícia, o doutor Moisés vive espancando camarada! Falam até num cruzeiro que ele tem no quintal, onde crucifica os empregados” (p.45).

O enredo caminha rapidamente para o clímax e deste ao desenlace, onde o coronel é perseguido pela força policial na fazenda de seu filho, alvejado e morto junto com seu capanga, seguindo de rede para a cidade. De cunho histórico e social, o conto denuncia os velhos métodos de tratamento com empregados no sertão goiano e a força policial que também usava da truculência quando necessário.

No uso da temática da escravidão, o conto “Libertação” destaca a saga da negra Rufina que fora usada pelo “sinhô” e tivera dele um filho com promessas de liberdade, mas que ficara apenas na conversa. O enredo também enfatiza a Lei do Ventre Livre que considerava libertos os escravos então nascidos, mas que não era colocada em prática. No desenlace, mostra a truculência dos negros contra os senhores no recebimento da notícia da Lei Áurea, sendo que atearam fogo no velho casarão com os amos dentro, insuflando uma ira a muito contida.

Em “Verde… tão verde” a narradora envereda novamente pela temática da loucura humana, na figura também grotesca do personagem Joaquim, marcado por um ciúme doentio da esposa Tereza em relação ao negro Anacleto, que tinha os olhos verdes e bonitos. Caminha a narrativa rapidamente para o desfecho trágico onde Joaquim com unhas enormes, arranca os olhos do Anacleto para não mais serem elogiados pela esposa. É o ápice do ciúme e do descontrole, na marca da loucura e desvario do personagem ensandecido e bestializado. É, também, uma temática recorrente na obra de Mariana Augusta Fleury Curado.

No conto “Caixão de São Vicente” a narradora envereda ainda pela temática da miséria humana na figura da tísica Martinha e sua filha Minga. Relata o costume antigo em Goiás, do uso do “caixão de São Vicente” em que os muito pobrezinhos utilizavam o mesmo, até a cova, onde eram atirados e o caixão retornava para o uso comunitário. Minga, segundo a narrativa, tinha pavor do uso desse caixão. A narrativa caminha com rapidez, evidenciando a morte de Martinha e o destino de Minga que se fez moça e casou com o alcoólatra Nonato e numa sucessão de brigas e misérias ocorre o assassinato. Ambos são enterrados no caixão de São Vicente. Neste conto a autora denuncia a miséria e a exclusão social.

Em “Zé Claudino” a narradora enfoca o sobrenatural em primeira pessoa em que o narrador está num carro estragado na encruzilhada da fazenda mal assombrada que pertencera a Zé Claudino, com o Chico Chofer amedrontado e as duas mulheres no banco detrás do carro que cochichavam sem parar. O personagem sai do carro e em busca do pouso vai dar na fazenda abandonada de Zé Claudino, onde o encontra enlouquecido, sendo cuidado por uma velha que lhe conta toda história da maldição de mãe, na saga de sofrimentos de uma família marcada pela desgraça, pelo horror e pela morte. Há um tom de mistério ao final, na figura desaparecida das duas mulheres que cochichavam no banco detrás do carro. 

No conto “Beira do Rio Turvo” a narradora focaliza a questão da vida miserável dos trabalhadores rurais tomados pela maleita, na beira do Rio Turvo e a figura de Zeferina, lavadeira de roupa, que deixara o filhinho à sombra de um jatobazeiro enquanto fazia o seu trabalho, pensando na doença do marido já ensandecido pela febre. Em lances dramáticos, a narrativa mostra o desvario do esposo que, alucinado, corre para a ponte e se atira no rio, ao mesmo tempo em que o filhinho de Zeferina é picado por uma cascavel à sombra do jatobazeiro onde estivera brincando.

 O livro Vida enfeixa, ainda, quatro crônicas de Mariana Augusta Fleury Curado. A primeira intitulada “Chácara Baumann” a autora faz uma viagem sentimental ao poético e romanesco recanto vilaboense onde passou a sua infância e juventude e evoca a figura dos pais Sebastião Fleury Curado e Augusta de Faro Fleury Curado em tempos de antanho. A tônica da crônica é a saudade, vendo a casa, o vazio e a ausência de todos que constituíram a alegria que ali reinava. 

Na crônica “Fonte da Carioca” a narradora cria a lenda acerca da fonte histórica nas cercanias da antiga capital, utilizando os mitos indígenas dos goiases que habitavam a região. Esta crônica foi alvo de plágio grosseiro, denunciado pela autora anos depois. Já em “Retorno do Pracinha” a autora rememora o sentimento do coração sofrido das mães de expedicionários; acompanhando a chegada dos filhos ausentes, que retornaram desajustados e sofridos pelos horrores vistos na pátria alheia. 

 E em “Vaidade” a autora comenta sobre a vaidade feminina em fingidos gestos de simplicidade, mas que ao mesmo tempo, eram apenas para mostrar-se num simulacro de piedade. Em todas as crônicas, a idéia de síntese e enxugamento aparece nas produções dessa autora goiana no seu manejo criterioso com as palavras na tessitura narrativa.

No fechamento da obra, aparecem duas curiosas novelas “Destino truncado” em que a narradora analisa, com detalhes, o ambiente social e cultural da antiga capital de Goiás nos estertores da República Velha, ao evidenciar os momentos mais cruciais da ferrenha disputa política, os arranjos eleitoreiros, os votos de cabresto, os passeios pelos arredores da antiga cidade, os castigos contra as crianças e pobres, as lutas sociais pela emancipação da mulher, as perseguições, as cheias do Rio Vermelho, as serenatas no outeiro da Santa Bárbara e a história de amor de Ilza por Carlos, jovem estudante de idéias liberais, mas teve, por fidelidade ao compromisso familiar, que aceitar o namoro com Luiz para honrar a obrigação que devia à sua madrinha Rosa que a criara quando perdeu a mãe. Era o seu destino truncado. Há nessa novela belas imagens poéticas ligadas ao ambiente rural da antiga capital goiana.

A novela intitulada “O broche de brilhantes da mulher do Dr. Cunha” é uma narrativa magistral; que gira em torno de um broche, vendido pelo francês mascate, na Fazenda do Dr. Cunha à Blandina, e, que dá início a uma série de mortes, insufladas pela maldição deste, que trazia em seu bojo a frase Je suis la mort, e, que desencadeia uma maldição que perdurou por longas gerações, em cenas pitorescas, jocosas; estruturadas a mostrar o cotidiano familiar no findar do século XIX e início do século XX. 

As personagens femininas dessa intrigante novela são antológicas como Blandina, a esposa enlouquecida pela frase que continha no broche; Amarílis, a mulher traída e que se finda tristemente na Fazenda Breves; Clélia, a moça despachada que gostava da fazenda e dos serviços domésticos; Mônica, a esposa que é desprezada pelo marido por ser filha de hanseniano e finalmente Emília, solteirona e infeliz, que leva para o túmulo o broche maldito, escondido em sua boca entre as falhas de dentes.O livro Vida destaca o talento, a sobriedade, o lirismo e ao mesmo tempo, uma força narrativa impressionante da escritora que faleceu em 1986, mas que permanece viva em sua obra e no seu legado literário e nas instituições em que emprestou o brilho de sua invulgar inteligência.

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