Enquanto o Hezbollah luta para sobreviver à incursão das forças de Israel no sul do Líbano e em Dahie, bairro localizado na periferia de Beirute, que funciona como principal reduto dos terroristas, investigações recentes apontam para uma possível expansão das atividades em países como o Brasil, Colômbia, Equador e Venezuela.

Desde o início da década de 1980, logo após sua criação no Líbano, o grupo terrorista passou a agir na América Latina. México, Honduras, Guatemala, Argentina são alguns dos países onde o Hezbollah já realizou ataques.

No Brasil, em 2023, logo após o massacre realizado pelo Hamas às comunidades no sul de Israel, em 7de outubro, uma célula do Hezbollah foi desmantelada, em São Paulo, no mês seguinte.

Hezbollah e rio
As “milícias” do Hezbollah estão atuando na América do Sul | Foto: Reprodução

A investigação conduzida pela Polícia Federal contou com informações cedidas pelo Mossad (Serviço de Inteligência de Israel) e o DEA ( Departamento Anti-Entorpecentes dos EUA) que ajudaram a localizar dois libaneses, membros do grupo, disfarçados de comerciantes, num apartamento na zona oeste da cidade, que se preparavam para realizar ataques terroristas em duas sinagogas. No local, foram encontrados, além de dinheiro e rádios para comunicação, explosivos C-4, e metralhadoras AK-47.

Na tríplice fronteira entre o Brasil, Argentina e Paraguai, a Operação Tridente, no final do ano passado, revelou uma outra célula do grupo; dessa vez, muito mais preparada. Estava instalada num galpão protegido por um sistema sofisticado de câmeras, muros altos e rota de fuga.

A estrutura montada revelou uma verdade inconveniente: quase todos operadores “trabalhavam” no local sob ameaça contra seus familiares que moram no Líbano. Em um ano, somente esta célula do Hezbollah conseguiu lavar U$ 2milhões referente ao tráfico de cocaína.

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Hezbollah, operando na América do Sul, manda dinheiro para a sede, no Líbano | Foto: Reprodução

O dinheiro era enviado ao Líbano para manter a máquina de guerra da organização terrorista. Trata-se de uma clara demonstração de que o Hezbollah atua na América Latina de forma sofisticada, como um cartel, adotando táticas de ameaças contra comunidades libanesas localizadas no sul da América do Sul. Seu objetivo é abastecer os cofres do grupo com dinheiro usado para manter as táticas terroristas contra Israel.

De acordo com recentes investigações, desde 2024 até o atual conflito com Israel, o grupo já enviou cerca de 400 comandantes para o Brasil e outros países como Colômbia, Equador e Venezuela. 

A guerra no Irã, seu principal financiador, e as milhares de baixas nas fileiras do grupo provocadas por Israel sem dúvida deixaram o grupo bem mais enfraquecido.

As recentes ações militares dos EUA no Irã e de Israel no Líbano representam um duro golpe para imagem do Hezbollah. Somam-se a elas a retirada de Nicolás Maduro do poder na Venezuela. O Hezbollah, juntamente com o Irã, havia assinado um pacto de 20 anos em junho de 2022, para coordenar um “eixo de resistência” a partir da Venezuela contra os EUA e seus aliados. Para isso, o grupo terrorista xiita libanês enviou mais de 200 comandantes para a Venezuela que tinham a missão de treinar forças paramilitares no país.

Até a prisão de Maduro pelos EUA, o Hezbollah controlava mina de cobalto em território venezuelano e contrabandeava ouro para o Irã — além de lavagem de dinheiro com origem no tráfico de cocaína.

A presença americana na Venezuela forçou a retirara dos membros do Hezbollah para outros países da América do Sul, inclusive o Brasil. Com a redução de 70% do patrocínio ao grupo que era garantido pelo Irã e a saída da Venezuela, coloca-se a zona de livre comércio como a principal opção para o grupo possa sobreviver. Por isso é vital que os governantes operem para conter a instalação de núcleos terroristas, altamente perigosos e profissionais, em seus países. Não podem ser tratados com ingenuidade e complacência. Porque não são “exilados”, e sim profissionais da morte.

O enfraquecimento do Hezbollah não elimina sua influência, mas provoca ajustes que afetam alianças regionais, negociações internacionais e a percepção de segurança, tornando essencial atenção dos governos da América Latina com foco tanto político como na questão militar.