Quando a educação dá certo, o resultado aparece
30 agosto 2026 às 17h32

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Há uma tendência no debate público brasileiro de tratar a educação como um problema sem solução. Fala-se muito das dificuldades, e elas existem, mas pouco se fala quando uma escola pública consegue produzir um resultado extraordinário. Por isso, a nota 8,3 alcançada pela Escola Municipal de Tempo Integral Professora Maria Nosídia Palmeira das Neves, em Goiânia, merece ser celebrada.
Não apenas pelo número. Mas pelo que ele representa. A escola atende cerca de 300 estudantes no Residencial Barravento e alcançou, no Ideb 2025, o melhor desempenho entre as unidades da rede municipal de Goiânia. Por trás da nota, há algo que deveria ser óbvio, mas nem sempre é: educação de qualidade exige presença, acompanhamento, cobrança, planejamento e compromisso.
Os professores identificam quem está com dificuldade, organizam tutorias e trabalham para que nenhum aluno fique para trás. A leitura e a escrita fazem parte da rotina. As famílias são chamadas para participar. Quando um estudante deixa de frequentar as aulas, a escola procura saber o motivo. O ensino em tempo integral amplia as possibilidades pedagógicas.
É assim que se constrói uma política educacional que funciona: olhando para o aluno concreto, e não apenas para estatísticas. E é justamente nesse ponto que Goiás tem motivos para comemorar.
Uma escola pública que alcança 8,3 no Ideb prova que o filho do trabalhador também pode estudar em uma instituição capaz de entregar desempenho de excelência. Prova que escola pública não é sinônimo de ensino precário. E mostra que, quando há gestão, professores comprometidos, acompanhamento pedagógico e participação familiar, o resultado aparece.
Também é preciso reconhecer que uma boa política educacional não se resume à construção de prédios ou à distribuição de equipamentos. Estrutura é importante, e muito. Mas nenhum laboratório, computador ou quadra esportiva substitui um professor presente, preparado e acompanhado por uma gestão que sabe onde quer chegar.
O caso da Maria Nosídia é especialmente significativo porque revela uma lógica simples: descobrir quem precisa de ajuda e trabalhar para que esse aluno avance.
Parece básico. E é. Mas justamente por ser básico deveria ser uma prioridade permanente.
O Brasil ainda convive com desigualdades enormes na educação. Há crianças que chegam aos anos iniciais sem dominar plenamente a leitura e a escrita; há problemas de frequência, aprendizagem e abandono; há escolas que precisam avançar muito. Por isso, resultados positivos não podem servir para esconder os problemas que ainda existem.
Devem servir para mostrar que existe caminho.
O desempenho da escola do Residencial Barravento é, nesse sentido, mais do que uma boa notícia para a comunidade escolar. É um argumento em favor da ideia de que políticas públicas educacionais precisam ter continuidade. Governos passam, mas aquilo que funciona deve permanecer.
Mais do que comemorar uma nota, entretanto, é preciso olhar para as crianças que estão por trás dela. Cada ponto alcançado no Ideb representa alunos que aprenderam, professores que ensinaram, famílias que acompanharam e profissionais que fizeram a escola funcionar.
No fim das contas, é isso que se espera de uma política pública: que saia dos discursos e chegue à vida das pessoas.
Quando uma escola pública consegue fazer isso, o resultado não é apenas uma estatística.
É uma vitória da educação.
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