Escola pública de Goiânia alcança nota 8,3 no Ideb; saiba o que está por trás do resultado
30 agosto 2026 às 12h34

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Uma escola pública que atende cerca de 300 estudantes no Residencial Barravento alcançou a maior nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 entre as unidades da rede municipal de Goiânia. Com resultado de 8,3, a Escola Municipal de Tempo Integral Professora Maria Nosídia Palmeira das Neves atribui o desempenho a uma rotina que combina acompanhamento individual, projetos pedagógicos, presença das famílias e atenção aos alunos com dificuldades de aprendizagem.
Uma das estratégias adotadas é identificar quem ainda não acompanha o nível de aprendizado da turma e intensificar o trabalho com esses estudantes. Para isso, a escola mantém tutorias e organiza grupos de acordo com as dificuldades apresentadas pelas crianças.
“Temos tutorias realizadas com aquelas crianças que ainda não se apropriaram do sistema de escrita alfabética. Agrupamos e intensificamos o trabalho com as crianças que apresentam dificuldades para que estejam no mesmo nível de aprendizado das demais”, explica a diretora Luciene Batista.
O acompanhamento ocorre paralelamente às atividades regulares. Como a unidade funciona em período integral, os estudantes permanecem mais tempo na escola e participam de projetos que envolvem leitura, escrita, cultura, arte, inclusão e cidadania.
Leitura e escrita fazem parte da rotina
Entre as ações apontadas pela direção como importantes para o desempenho está um projeto dedicado à leitura e à escrita. O trabalho utiliza diferentes gêneros textuais para desenvolver a alfabetização e mostrar aos estudantes como a escrita aparece em situações do cotidiano.
“Temos uma equipe de professores comprometida e responsável com o trabalho que é realizado diariamente. Temos o projeto de leitura e escrita, no qual as professoras trabalham a partir de diferentes gêneros textuais e as crianças, a partir destes gêneros textuais, compreendem a função social da escrita”, afirma Luciene.
O acompanhamento próximo dos professores também é percebido pelos alunos. Maitê Nogueira, de sete anos, conta que as dificuldades são trabalhadas até que a criança consiga compreender o conteúdo.
“Aqui os professores não faltam e são muito atenciosos com todas as crianças. Ensinam as matérias com cada um, até que todos entendam”, relata.
Outra iniciativa começou no último dia 21. Batizado de “Contadores de História”, o projeto teve início com uma oficina ministrada pela professora Miriam Ribeiro e pretende formar um grupo de contadores de histórias dentro da própria escola.
Segundo a diretora, a proposta vai além de incentivar a leitura. “Projetos de contação de história na educação infantil têm o objetivo de despertar o gosto pela leitura, estimular a imaginação e ampliar a linguagem oral das crianças. Eles também ajudam no desenvolvimento socioemocional das crianças, permitindo que os pequenos compreendam sentimentos e convivam melhor em grupo. É uma excelente prática pedagógica”, avalia.
Família também entra na estratégia
O trabalho para manter os estudantes dentro da escola é outro ponto destacado pelos profissionais. Quando uma criança deixa de frequentar as aulas, a unidade realiza busca ativa e procura os responsáveis.
Para a professora Deise Luísa, a proximidade com as famílias contribui para o comprometimento dos estudantes. “O trabalho em equipe e a proximidade com as famílias faz toda a diferença no comprometimento do aluno. Nossos alunos frequentam a escola todos os dias e temos busca ativa das crianças que não aparecem”, afirma.
A professora Aparecida Gomes considera que o desempenho de uma escola depende do envolvimento de diferentes profissionais e também da comunidade. “O compromisso com uma educação pública de qualidade vai desde a pessoa que está no portão até o familiar responsável. O sucesso da escola é esse conjunto entre gestão, funcionários e comunidade”, diz.
Estrutura foi ampliada ao longo dos anos
Além das estratégias pedagógicas, a escola dispõe de espaços destinados a diferentes atividades. A estrutura inclui quadra poliesportiva, refeitório, sala de leitura, sala de tutoria, sala de dança e sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE).
A unidade foi inaugurada em 29 de junho de 2009 para atender moradores do Residencial Barravento. Inicialmente, funcionava no modelo regular e, no ano seguinte, passou a oferecer educação em tempo integral.
Mais de 15 anos depois, a combinação de permanência ampliada na escola, acompanhamento das dificuldades individuais, projetos de leitura, frequência dos estudantes e participação das famílias é apontada pela comunidade escolar como parte da explicação para o 8,3 alcançado no Ideb de 2025 e a liderança entre as escolas da rede municipal de Goiânia.
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