Goiânia precisa se preparar para os efeitos do El Niño
15 junho 2026 às 16h06

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As chuvas deste final de semana servem como alerta para a administração municipal diante da proximidade do próximo período chuvoso e dos possíveis impactos de um eventual fenômeno El Niño. Segundo dados do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas (Cimehgo), foram registrados até 64 mm de precipitação, além de 23 ocorrências relacionadas à queda de galhos e árvores após a tempestade. Em diferentes pontos da cidade, também houve interrupção no fornecimento de energia elétrica.
Embora episódios desse tipo não sejam frequentes nesta época, o temporal reforça a necessidade de atenção para o comportamento das chuvas ao longo do segundo semestre, quando a tendência é de maior recorrência de eventos intensos. A possibilidade de intensificação do El Niño ao longo do ano reforça o cenário de atenção, com tendência a favorecer episódios mais intensos de chuvas
Diante disso, é essencial avançar na preparação do município, com foco na prevenção e na capacidade de resposta. A efetiva implementação do Plano Diretor de Drenagem Urbana (PDDU-GYN) aparece como uma medida estratégica para reduzir vulnerabilidades e minimizar os impactos de novos episódios de chuva forte na capital.
A Prefeitura de Goiânia também precisa acelerar a execução das obras preventivas em andamento, de forma a concluí-las antes do retorno do período chuvoso, quando as condições climáticas dificultam as intervenções. Principalmente em regiões como a Marginal Botafogo, o Setor Sul e outras áreas com histórico recorrente de alagamentos.
Tempo seco
No entanto, até a chegada do período chuvoso, a capital também deve lidar com o aumento das temperaturas associado ao fenômeno El Niño, o que tende a intensificar o efeito de ilha de calor urbana. Nesse contexto, a preservação da arborização urbana se torna um dos pontos centrais. Goiânia precisa buscar formas de manter exemplares arbóreos antigos com segurança, conciliando conservação ambiental e proteção da população.
O corte de uma árvore deveria ocorrer apenas quando houver comprovação de que ela está morta. Até lá, o município deve buscar todos os esforços para preservar os exemplares que apresentem problemas, sempre que houver viabilidade técnica para isso. A substituição por mudas jovens não produz, no curto prazo, os mesmos benefícios ambientais das árvores adultas, que oferecem maior sombreamento e contribuem de forma mais efetiva para a redução do efeito de ilha de calor urbana.
Goiânia precisa avançar na criação de um programa voltado à preservação de árvores patrimoniais, com ações contínuas de manejo como tratamentos fitossanitários, escoramentos e monitoramento permanente. Um exemplo é Barcelona, cidade na Espanha, que mantém um catálogo de árvores de interesse local, com regras específicas de proteção.



