Dívida pública, empresas quebradas e famílias apertadas: a conta chegou para todos
01 outubro 2026 às 18h57

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O Brasil está entrando em uma situação que merece muito mais atenção do que tem recebido. Não é apenas o governo que está endividado. As famílias também estão com dificuldades para pagar suas contas, e as empresas acumulam dívidas e enfrentam juros altos. Reportagem da revista Exame mostra um retrato preocupante: o país bateu recordes de inadimplência envolvendo governo, empresas e pessoas físicas. É a fotografia de uma economia que vem funcionando no limite e que precisa encontrar um caminho para sair desse ciclo.
Quando o problema começa no governo
Quando o governo gasta mais do que consegue sustentar, a conta não desaparece. Mais cedo ou mais tarde, ela chega para alguém pagar. E é justamente aí que a condução da política econômica e fiscal precisa ser discutida. A dificuldade de controlar despesas e apresentar uma trajetória confiável para as contas públicas aumenta a desconfiança, pressiona a dívida e ajuda a manter o custo do dinheiro elevado. No fim das contas, o cidadão sente isso no financiamento, no cartão de crédito, no empréstimo, quando vai ao supermercado, ao açougue, na farmácia e até na dificuldade de uma empresa conseguir dinheiro para investir.
Famílias e empresas também estão no limite
Os números apresentados pela Exame são preocupantes. A dívida bruta do governo chegou a 81,93% do PIB em junho. Ao mesmo tempo, a inadimplência entre pessoas físicas alcançou 7,8%, o maior nível da série histórica iniciada em 2011. Entre as empresas, eram 9,1 milhões de companhias inadimplentes, com R$ 232,9 bilhões em dívidas atrasadas. São números grandes demais para serem tratados como simples estatística. Por trás deles estão famílias apertando o orçamento, empresários adiando investimentos e trabalhadores convivendo com um custo de vida pesado. Tudo isso significa menos emprego e trabalhadores sendo dispensados.
Quando produzir no Brasil fica caro demais; fuga para o Paraguai
E existe outro sinal de alerta: empresas brasileiras estão procurando alternativas fora do país. Reportagem da revista Veja mostra como o Paraguai vem atraindo indústrias brasileiras com impostos menores, energia mais barata e custos de produção mais competitivos. Mais de 200 empresas brasileiras teriam se instalado no país vizinho nas últimas duas décadas. A Lupo, por exemplo, anunciou uma fábrica no Paraguai com estimativa de custos de produção pelo menos 28% menores. Quando uma empresa brasileira atravessa a fronteira para produzir mais barato, alguma coisa precisa ser discutida aqui dentro.
O dinheiro procura onde é mais fácil produzir
É claro que o Paraguai não é uma solução mágica. O próprio país tem suas limitações, principalmente em mão de obra qualificada e logística. Mas não dá para ignorar esse movimento. Se produzir no Brasil ficou mais caro e mais burocrático, é natural que empresários procurem lugares onde consigam reduzir custos e aumentar a competitividade. O capital procura condições para sobreviver, crescer e gerar lucro. Quando essas condições deixam de existir aqui, outros países aproveitam a oportunidade.
Uma conta que não fecha
O mais preocupante é que os problemas se acumulam. O governo deve, as empresas devem e as famílias devem. E quando todos estão muito endividados ao mesmo tempo, fica mais difícil fazer a economia andar. O empresário segura o investimento, o consumidor segura as compras e o governo precisa cada vez mais de recursos para financiar suas próprias despesas. É um círculo que precisa ser quebrado.
O Brasil precisa voltar a discutir com seriedade a qualidade do gasto público, o ambiente de negócios e a capacidade do governo de manter as contas sob controle. Não existe crescimento sustentável quando o país precisa gastar cada vez mais apenas para administrar dívidas antigas. Também não existe economia forte quando empresas preferem atravessar a fronteira para produzir e famílias precisam recorrer ao crédito para fechar o mês.
O desafio de quem vier depois
O próximo presidente, seja lá quem ganhar a eleição, terá muito trabalho pela frente. Vai receber um país com contas públicas pressionadas, famílias endividadas, empresas sufocadas por dívidas e investimentos brasileiros procurando ambientes mais competitivos em outros países. Colocar a casa em ordem não será tarefa simples. Exigirá disposição para enfrentar problemas antigos, controlar gastos, melhorar o ambiente para quem produz e recuperar a confiança na economia. A conta chegou. E alguém terá de começar a pagá-la.
Agora fica a pergunta: se o governo de Lula está quebrando o país, será que, ganhando as eleições, conseguirá fazer diferente? Conseguirá equilibrar as contas, colocar o Brasil em um patamar de competitividade real, devolver aos brasileiros uma expectativa de vida melhor e fazer com que as empresas continuem no país, gerando empregos e contribuindo para o crescimento da economia? Penso que não.
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