Alguma hora Lula terá que falar sobre o elefante branco na sala
22 agosto 2026 às 18h11

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Paira, de maneira incômoda e sufocante, um “elefante branco” na sala do Palácio do Planalto, e por mais conveniente que seja ignorá-lo, alguma hora o presidente Lula da Silva terá de falar sobre, diretamente e sem rodeios. O “elefante” atende pelo nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, citado em documentos da Polícia Federal (PF) como possível “beneficiário indireto” de articulações envolvendo empresários interessados em contratos com o governo federal.
As informações foram reveladas pela revista Veja e repercutidas pelo Estadão. Em tempo: não há comprovação de que negócios tenham sido efetivamente fechados, mas há material suficiente para que o assunto não seja tratado como se simplesmente não existisse.
Conforme o relatório da PF citado pelo Estadão, mensagens encontradas no celular da lobista Roberta Luchsinger colocam Lulinha numa posição que exige explicações. “Fábio não faz nada. Ele só entra em campo quando precisa. Tem que se preservar”, escreveu Roberta. A PF também alega que Fábio Luís era mencionado como “referência decisória nos projetos discutidos” e possível beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros.
Lula não é automaticamente responsável pelos atos de um filho adulto, assim como Jair Bolsonaro não é responsável pelas presepadas de autoria de sua prole (e que são muitas). Porém, a coisa muda quando as suspeitas envolvem possível tráfico de influência relacionado a interesses privados perante o governo comandado pelo próprio pai. O presidente sabia dessas articulações? Alguém no governo foi procurado? Houve reuniões ou decisões influenciadas por pessoas que evocavam o nome de Lulinha?
Há, notadamente, o outro lado. A defesa de Lulinha afirma que ele é investigado há anos sem que tenha sido encontrado algo que o desabone e critica os vazamentos das investigações. Também é fundamental registrar que, conforme publicado pelo Estadão, não há referência a negócios que Lulinha e Roberta tenham efetivamente fechado com o governo. Presunção de inocência, contudo, não significa presunção de irrelevância.
Lula passou anos reclamando, muitas vezes com razão, da transformação de investigações em condenações antecipadas. Deveria saber, assim, que existe uma distância abissal entre condenar alguém sem provas e cobrar explicações diante de uma investigação oficial. O presidente pode dizer que desconhecia tudo, defender o filho ou questionar os vazamentos, mas o que fica cada vez mais difícil é simplesmente não dizer nada.


