A cidade das obras avança, mas não pode deixar as pessoas para trás
20 abril 2026 às 13h24

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O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027, enviado à Câmara Municipal de Goiânia, sinaliza os rumos da gestão do prefeito Sandro Mabel (UB). Após um início de mandato marcado pela austeridade e pelo esforço de equilíbrio fiscal, a administração agora projeta ampliar investimentos, com ênfase em obras de infraestrutura. Entre as prioridades, destacam-se intervenções estruturantes como o trecho I do BRT Norte-Sul e a canalização e reurbanização do Córrego Cascavel.
Com previsão de conclusão em 18 meses, o primeiro trecho do BRT Norte-Sul desponta como um dos principais desafios da gestão. Vale lembrar que o plano inicial previa o início das obras em 2025, conforme o edital de licitação, embora o projeto exista desde 2020, sem avanços concretos até então. Com duração estimada em um ano e meio, o desafio será entregar a obra ainda dentro do mandato, consolidando um dos primeiros grandes projetos da atual administração.
Na mesma linha de retomada de projetos antigos, a reurbanização do Córrego Cascavel e outras intervenções de drenagem também representam desafios relevantes. Com o fim do período chuvoso, o prefeito terá uma janela limitada de tempo para preparar a cidade para as próximas chuvas. Nesse contexto, entram ainda outras frentes, como a reforma da Marginal Botafogo, com a implantação de soluções para evitar novos alagamentos, além da conclusão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU).
Mabel também terá a questão envolvendo a nova fase do Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns (Puama). O projeto prevê implantação de 6,48 quilômetros de parque linear, com custo estimado em US$ 75 milhões. Essa e outras obras também podem contar com empréstimos e financiamentos de instituições financeiras.
No entanto, diante de um plano de R$ 1 bilhão em investimentos, a gestão não pode dar as costas para o lado social. Conforme o projeto da LDO de 2027, o a meta fiscal destinada às Políticas para Mulheres, Direitos Humanos e Assistência Social encolhe 76,7%, de R$ 41,2 milhões para R$ 9,5 milhões. Além disso, o texto prevê recuo na Cultura, que passa de R$ 32,9 milhões para R$ 18,1 milhões (-44,9%), enquanto o Meio Ambiente registra uma redução de R$ 18,1 milhões para R$ 17,6 milhões (-3,2%).
O desenho do próximo orçamento indica uma escolha clara, a prioridade está na expansão da infraestrutura urbana. Isso é importante, mas exige atenção à proteção social. Parte das obras também alcança áreas como saúde e educação, com a previsão, por exemplo, da construção de oito Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Ainda assim, ao reduzir drasticamente investimentos em assistência social e cultura, a gestão corre o risco de associar desenvolvimento apenas às obras visíveis, deixando de lado áreas menos aparentes, mas essenciais para a vida da população mais vulnerável.
A aposta em grandes obras, muitas delas dependentes de financiamento externo, também levanta a preocupação com o cuidado com as finanças públicas para evitar um novo ciclo de endividamento, algo que a própria gestão sempre criticou. Por isso, mais do que investir, será fundamental manter equilíbrio e responsabilidade na execução desses projetos.
No fim, o desafio não será apenas cumprir prazos e entregar as prometidas obras, mas equilibrar crescimento urbano com atenção social. Sem isso, Goiânia pode até avançar em infraestrutura, mas continuará devendo no que realmente sustenta a qualidade de vida da população mais vulnerável.

