Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Parte da imprensa trabalha para “piorar” o Brasil de Bolsonaro e dos brasileiros

O que criticam nos apoiadores do presidente é, no geral, “perdoado” quando se trata de seus adversários

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Fogos de artifício na passagem de ano, em Copacabana, no Rio de Janeiro, são festivos, reúnem dezenas de milhares de pessoas, são motivo de alegria, não de perigo ou ameaça. Se os mesmos fogos são queimados em frente ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília, passam a ser perigosos, ameaçadores, criminosos. A “grande imprensa” fala em atentado. Esses fogos dão origem a prisões, processos de manifestantes e demissões de policiais que não agiram contra quem promovia a inofensiva e divertida queima, ainda que protestante.

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Passeatas coloridas e pacíficas, em que se ostentam os símbolos nacionais, a bandeira brasileira principalmente, são denominadas de “atos antidemocráticos” pela imprensa tradicional. Já as passeatas com quebradeira de vitrinas de lojas e bancos, com manifestantes mascarados e vestidos de preto, como os partidários de Benito Mussolini na Itália pré-Segunda Guerra Mundial, são denominadas “antifascistas”, ou “pela democracia”.

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As páginas de redes sociais que expressam a insatisfação popular com as distorções de algumas instituições, que defendem o presidente da República e que divulgam fatos positivos que alguns órgãos importantes da imprensa escondem, são acusadas de difundirem “fake news”, são objeto de inquéritos, seus responsáveis são alvos de prisões espetaculares. Já os noticiários da grande imprensa e as colunas principais jornais, que acusam o presidente Jair Bolsonaro de “genocida”, embora nunca tenha matado uma mosca (e quase tenha sido assassinado), de “homofóbico”, de “fascista”, de “racista”, sem apresentar qualquer evidência ou prova, são tidos como normais e verdadeiros.

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A imprensa e as autoridades, que deveriam se debruçar sobre todas as desonestidades cometidas por políticos, têm sido seletivas, buscando não “quais” os crimes cometidos, mas “quem” os cometeu. Aí surgem cobranças estranhas, como uma histeria com “quem matou Mariele Francisco (apelidada Marielle Franco)”, e um silêncio com “quem quase matou Bolsonaro”. Ou a histeria com a prática de “rachadinha” por um dos filhos do presidente (crime praticado por inúmeros congressistas) e o silêncio sobre crimes bilionários de outros políticos, como a caixa preta do BNDES doando nosso dinheiro para ditadores marxistas, quebra da operadora Oi, ou enriquecimento da Braskem.

Jair Bolsonaro: poucos presidente brasileiros foram tão criticados — o que prova que a democracia nunca foi realmente ameaçada | Foto: Reprodução

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A Justiça tem sido célere em quebrar sigilo telefônico de jornalistas inconformados com mazelas institucionais, mas resistente em quebrar o mesmo sigilo de advogados milionários que defendem o quase assassino presidencial e ex-membro do PSOL, Adélio Bispo. Mesmo com as lógicas suspeitas de que possa haver relação entre pagantes desses advogados e mandantes do crime e a estranha negativa dos mesmos advogados em fornecer as importantes informações.

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Uma ativista e blogueira, com sintomas de desequilíbrio, uma “doida mansa”, inofensiva, é presa por iniciativa do STF, e liberada com uso de tornozeleira eletrônica. O mesmo acontece com outros jornalistas das redes sociais. Sem inquérito policial e sem concurso do Ministério Público. Uma ex-presidente, com sintomas de debilidade mental, que desviou bilhões do BNDES para o exterior, contemplando governos que lhe pareceram simpáticos por ideologia, nunca foi incomodada, nem quando ficou patente que as somas foram caloteadas e não serão pagas. Como diz o jornalista J.R.Guzzo: “Ou a lei vale para todos e por igual, durante o tempo todo, ou não existe”.

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Partidos políticos arautos de ditaduras e defensores do que pode haver de mais atrasado em regimes políticos, são ditos “progressistas”. Como PC do B, PT e PSOL, por exemplo, todos de base e comportamento marxista. Muitos não sabem, ou esquecem, que o PC do B (irmão siamês do PSOL e do PT) é um partido dissidente do movimento comunista brasileiro, que se revoltou com a condenação dos crimes de Stálin, denunciados no 20° Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em fevereiro de 1956 por Krushev, e permaneceu na defesa do ditador. Além disso, teve como paradigma de sociedade, até a queda do Muro de Berlim, a Albânia, a ditadura mais miserável da Europa, uma comunidade paupérrima em meio à prosperidade europeia. Quanto “Progressismo”!

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Já que mencionamos nesse artigo o excelente colunista J.R. Guzzo, vale citar um seu texto do dia 24 do mês passado, em que chama a atenção para um fenômeno da imprensa brasileira, nascido a partir da pandemia, e praticamente sem paralelo no mundo da notícia: a criação das químicas de esquerda e direita e das aritméticas esquerdista e direitista.

Como o presidente Bolsonaro defendeu o uso da hidroxicloroquina para tratamento dos afetados pelo Covid-19, a imprensa mais que depressa passou a combater a droga. A ninguém interessavam os testes. A droga era de direita e estava acabado. Todos tinham que fugir dela como o diabo da cruz.

Ouvi uma jornalista da CBN criticar o presidente por opinar sobre o medicamento, sob a alegação que cometia um abuso, por não ser médico. Imediatamente, ela mesma discorreu longamente sobre os efeitos colaterais possíveis do consumo da mesma droga, desaconselhando seu uso. Evidentemente, sem ser médica.

Quanto à aritmética: o leitor deve ter observado a verdadeira obsessão da Rede Globo em noticiar as catástrofes da pandemia e as notícias negativas. Os números anunciados eram sempre os absolutos, desprezando o fato da população brasileira ser muito maior que a dos principais países europeus, por exemplo. O número diário de mortos só era apresentado se acima da cifra impactante de um milhar. Esse é o que o jornalista Augusto Nunes chamou de “jornalismo funerário”.

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O corporativismo no serviço público é invencível. No mundo todo não vamos encontrar os funcionários públicos com salários maiores que os da iniciativa privada e muito menos uma estabilidade ao fim de três anos de função, como aqui.

Em meio a essa pandemia, medida provisória do governo permitiu às empresas privadas redução da jornada de trabalho e redução de salários, como forma de preservar empregos e evitar falências. Um sacrifício a mais para a classe de trabalhadores privados, já devastada pelo desemprego.

A mesma medida, pretendida por prefeitos e governadores relativa aos seus funcionários, foi impedida pelo Supremo Tribunal Federal. Triunfo do corporativismo estatal. A LRF-Lei de Responsabilidade Fiscal, que completa 20 anos, e representou um freio na irresponsabilidade dos gestores públicos menos sérios, vem sendo erodida por medidas da Suprema Corte. A LRF prevê a flexibilização (redução de jornada e salários) em casos extremos, como o que vivemos; a Constituição prevê demissões.

Mas o Supremo decidiu pela não redução, na semana passada, alegando inconstitucionalidade do dispositivo da LRF. Outro golpe dado na LRF na mesma ocasião, pelo Supremo foi a proibição da limitação de repasses pelo governo federal aos outros poderes em caso de frustração de receitas.

3 respostas para “Parte da imprensa trabalha para “piorar” o Brasil de Bolsonaro e dos brasileiros”

  1. Ademir Luiz disse:

    Irapua Costa Júnior aponta de maneira séria e equilibrada a prática de dois pesos e duas medidas que se tornou dominante no Brasil. Excelente texto! Mais um da série que o ex-governador tem produzido. Parabéns ao colunista e ao jornal Opção.

  2. Nanci disse:

    Parabéns, Irapuan, gosto muito da sua coluna no Jornal Opção! Concordo sempre e aplaudo sempre! Um abraço!!!!!

  3. Helio Moreira disse:

    Conheço o Dr. Irapuan Costa Junior há muitos anos. Tenho a honra de subscrever tudo o que ele disse neste artigo escrito no jornal “Opção”.

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