Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

O uso político da morte de Marielle Francisco

A defunta já serviu e servirá para o proveito de candidatos a vereador, prefeito, deputado, governador, senador e presidente

O uso político de cadáveres foi sempre um privilégio da canalhice populista e totalitária. Stálin usou o assassinato do bolchevique Serguei Kirov como escudo para seus expurgos e Hitler utilizou a morte de seu correligionário das SA, Horst Wessel, numa briga de rua com os comunistas, como pretexto para perseguições ao mesmo tempo as mais sanguinolentas e as mais convenientes.

Faz dois anos do assassinato, em uma emboscada no Estácio, Rio de Janeiro, de uma vereadora do PSOL, Marielle Francisco da Silva. Morreu também no ato, o motorista do carro onde viajava a vereadora, Anderson Gomes. Embora tenhamos muitos motivos para acreditar que Anderson fosse um cidadão até mais útil à sociedade do que Marielle, dele ninguém fala. Afinal, era só mais um trabalhador assassinado, como ocorre, todos os dias, com uma dúzia deles, só no Rio de Janeiro. Um cadáver muito conveniente, principalmente no sensível Rio de Janeiro, para PT, PSOL, PC do B e mesmo MDB, além de toda esquerda local, era mesmo o de Marielle.

Vereadora Marielle Franco, morta a tiros no Rio de Janeiro, em 14 de março de 2018| Foto: Divulgação/Facebook

A vereadora tinha o apelo sentimental da mulher, da preta, da homossexual, todos de fácil exploração, e exploração ruidosa. Afinal, esse pessoal estava de rastros pela corrupção cometida nos governos da esquerda, e que foi descoberta. Precisava desesperadamente de uma cortina de fumaça. E começou a mais vergonhosa exploração de um caixão que o Brasil havia visto em décadas. Só me lembro de fato parecido na morte de Getúlio Vargas, já se vão mais de sessenta anos.

Marielle Francisco, que havia mudado de nome para Marielle Franco (achava esse nome mais agradável aos ouvidos), era uma desconhecida. O leitor, estou certo, jamais ouvira falar dela, antes daquele dia fatal de 14 de março de 2018. Era uma vereadora inexpressiva, de um partido marxista, daqueles que deveriam estar banidos da vida democrática, exatamente como se fez com o partido nazista, pois tem em sua raiz os ingredientes da tirania, da intolerância, da perseguição, da miséria e da morte, fato provado em todos os países onde se implantou o comunismo.

Marielle Francisco não tinha bandeiras políticas voltadas para um progresso social pela educação e melhoria de renda, por exemplo, mas era por uma luta contra o racismo muitas vezes estimulante do próprio racismo, por instigar os negros contra os brancos, em vez de pregar a convivência fraterna, fácil para a alma anti-extremista brasileira. Também defendia as minorias LGTB, da forma com que o fazem os radicais, menos voltada para a tolerância e o respeito, mais voltada para o confronto, para a ditadura das minorias.

Além disso, era uma violenta crítica da polícia carioca, dentro do “politicamente correto”, em que a polícia é sempre violenta, corrupta e a serviço das elites, e os bandidos, pobres vítimas de um sistema social injusto, a ser urgentemente substituído pela igualdade marxista.

Os apoios para sua eleição nunca foram inteiramente explicitados, o que deu margem a muitas dúvidas de sua ligação com o submundo. Enfim, Marielle Francisco nunca foi uma figura de importância nacional e nem mesmo estadual. O que não impediu que, de inexpressiva liderança municipal, passasse a figura internacional por sua morte, que foi durante dois anos explorada ao máximo por todos que dela pudessem tirar algum proveito.

A comoção popular, que no Brasil principalmente, é facilmente levada ao paroxismo numa morte, principalmente violenta, como foi o caso, foi magistralmente explorada. As esquerdas são mestres nisso. Políticos, jornalistas, artistas e quantos mais pudessem aproveitar algo, tiraram sua lasquinha do caixão de Marielle Francisco. E tiram ainda, dois anos depois, quando sua parceira sexual já até está de companheira nova, e sua alma já deve pedir por descanso. Descanso que ainda não virá, pelo menos até as próximas eleições.

A defunta Marielle Francisco já serviu e servirá para o proveito de muita gente sem pejo: candidatos a vereador, prefeito, deputado, governador, senador e até presidente. Chefes de ONGs em busca de verbas fáceis, jornalistas com indignação fingida em busca de leitores crédulos, artistas nos palcos representando exasperação, cineastas, atrizes e atores — como na cerimônia do Óscar — falsos abespinhados, brandindo seus cartazes para as câmeras, e por aí afora. Muito convenientemente, tenta-se até ligar o presidente Jair Bolsonaro à morte de Marielle. É muita desfaçatez!

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