Conheço desde a década de 1970 o empresário paulista Carlo Barbieri. Empreendedor dinâmico e competente, que nunca se assustou com as adversidades vividas por quem é empresário no Brasil.

Carlo Barbieri fundou há 50 anos sua empresa, embrião do que é hoje o “Oxford Group”.

Há trinta anos, foi ser empresário nos EUA, mais precisamente na Flórida, onde vem, desde então, expandindo seus negócios, com eficácia e inteligência, para outros países inclusive.

A Oxford é hoje a maior consultoria brasileira nos EUA, com grande e importante carteira de clientes, pequenos e grandes, em vários ramos de negócios. Esses clientes são assistidos em suas necessidades de imigração, de investimentos (inclusive no ramo imobiliário), na internacionalização de suas empresas, no planejamento tributário e em muitas coisas mais.

Barbieri faz, periodicamente, em seu site empresarial, comentários pertinentes sobre os assuntos mais atuais, do ponto de vista econômico, político, diplomático etc. Não resisto em reproduzir para os leitores um deles, de alguns dias atrás. É uma fina e inteligente crítica comparativa entre as questões trabalhistas, nos EUA e no Brasil, escrita com muita verve e precisão. Vejam:

EUA — Este país é incompetente II.

Carlo Barbieri

Oxford Group

Realmente, os EUA não foram “competentes” para criar uma forma de proteção ao trabalhador, e é por isso que existem cerca de 10 milhões de empresas procurando empregados que estão satisfeitos onde estão e não querem mudar. Talvez por essa razão, mais de 20 milhões de pessoas “invadiram” os EUA para conseguir trabalho.

 Vejamos, na Flórida, por exemplo, eles não tiveram a “competência” para criar:

• 13º salário;

• Auxílio-maternidade;

• Auxílio-paternidade;

• Aviso prévio;

• Férias obrigatórias remuneradas;

• FGTS;

• Obrigação de contribuição sindical.

• Declarar o E-social.

• Como não foram “competentes” para ter uma lei trabalhista, não há:  Justiça do trabalho, nem

• Consequentemente, ações trabalhistas;

• Os empresários não precisam fazer o EFD -Reinf.

• Não precisam recolher o FGTS e, não tendo, o governo “perde a chance” de usar esse dinheiro para financiar países democráticos e bons pagadores como Cuba, Venezuela, Nicarágua etc.

 Continuando com as “incompetências”:

• Eles não foram ”competentes” para criar uma lei como a número 14.611 sobre a igualdade salarial, sendo a igualdade salarial, quando não existe é motivo de ação na justiça comum;

 • Como as questões de segregação também são da justiça comum, não foram “competentes” para criar mais uma burocracia para os empresários preencherem um formulário para a identificação étnico-racial.

 • Outra ”incompetência” está em deixar para a justiça comum os casos de assédio e violência, sem ser necessária a criação de mais uma função na CIPAA para “prevenir o assédio e outras formas de violência no ambiente de trabalho”.

 • Também não foram ”competentes” para criar a obrigação da preparação do SST para informar o Perfil Profissiográfico Previdenciário e acompanhar a saúde do trabalhador.

• Também não foram ”competentes” para criar o PAT, o vale alimentação dos trabalhadores, e, como consequência, não existe a obrigatoriedade das empresas beneficiárias do PAT de disporem de programas destinados a “promover e monitorar a saúde e aprimorar a segurança alimentar e nutricional de seus trabalhadores”.

• Outra ”incompetência” foi não criar o FAP e seu fator de multiplicação, que incide nas folhas de pagamento para aumentar a arrecadação da pródiga previdência.

• Para não estender muito, também foram “incompetentes” em criar um relatório no qual as empresas têm que informar o que pagam aos trabalhadores em planos de saúde e benefícios, de modo a poderem cobrar desses planos o que o estado gastou com a atenção ao trabalhador.

Por que isto importa?

Creio que, por essas “incompetências”, cerca de mil pessoas mudam para a Flórida a cada dia, que, se destaque, recebe investimentos de $2,7 milhões por minuto.

Seguramente os 15% dos brasileiros que vêm para os EUA não voltam ao Brasil, porque não querem retornar para o “paraíso” das leis trabalhistas brasileiras e preferirem esta “incompetência” americana.