Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Missão do governo de Michel Temer e dos próximos é e será remover o entulho petista

O Brasil vai levar anos para acabar com o Estado dentro do Estado criado pelo PT de Luiz Inácio Lula da Silva. Não será fácil, mas é uma missão urgente e incontornável que o país tem pela frente

Uma administração incompetente, corrupta, conduzida com ranço ideológico, tem muito de guerra perdida. Ao seu fim restam escombros, que precisam ser removidos para que se abra espaço para a reconstrução. Acaba a Segunda Guerra Mundial, em 1945, as cidades alemãs, que tinham sofrido pesados bombardeios, estavam em ruínas. Reconstruí-las, uma vez assinada a rendição, para uma volta à normalidade civilizada, exigia desbloqueio de ruas e retirada de toneladas de entulho, para dar início a uma restauração, tanto mais lenta quanto maiores os estragos produzidos. Situação menos cruel mas em muitos pontos assemelhada vivemos aqui, afastados os dirigentes petistas, psolistas e assemelhados.

“Que exagero!” — vai alguém dizer. Não houve mortes pelo bombardeio petista aqui no Brasil. Exagero, sim, mas nem tanto. Mortes existem, em proporções guerreiras, pela violência: 60 mil assassinatos por ano, que muito têm a ver com o descalabro petista. Mortes existem, no trânsito, 50 mil por ano. Fez-se algo a respeito, que efetivamente funcionasse?

Morre-se diariamente nos corredores dos hospitais e nos postos de atendimento do SUS. Morre-se por falta de UTIs por todo o Brasil (são 25 mil UTIs, quando deveriam ser 65 mil, ao menos), já que não houve empenho em implantá-las, nos governos petistas (apenas o que foi doado — sim, doado porque nunca vamos receber — para Cuba na construção do porto de Mariel, daria para resolver todo o problema das UTIs no território nacional).

Duzentas mil lojas foram fechadas em dois anos, diz a Confederação Nacional do Comércio. E há milhões de desempregados. Não parece um pós-guerra?

Há muito entulho petista na economia, obstruindo as possíveis melhorias na Saúde, na Educação e na Segurança. Num artigo como este, não cabem todos os comentários pertinentes, mas podemos fazer alguns, para reflexão dos leitores.

A Lei do Teto de Gastos Públicos é só um começo da necessária faxina. Representa apenas a desobstrução de algumas ruas. Gastamos 40% do Produto Interno Bruto com a máquina pública, enquanto o Chile gasta apenas 23%. E não gastamos para proporcionar serviços de qualidade à população, mas para alimentar uma máquina inchada e corrupta. Para pagar salários altíssimos para algumas classes privilegiadas e alimentar empresas estatais ineficientes.

Urge prosseguir no caminho reformista, a partir da Previdência. A ignorância dos que combatem sua revisão não lhes permite ver que o adiamento dessa reforma vai inviabilizar a aposentadoria de todos, em futuro não muito remoto. Estamos nos transformando em um país de jubilados, onde boa parte da força de trabalho se aposenta cedo, e onde muitas categorias com poder de reinvindicação maior obtêm vantagens muito superiores ao trabalhador comum, quando se aposentam.

Outra vez o exemplo chileno deveria nos servir. Para melhora da economia, muitos entulhos precisam ser removidos.

Vamos aos exemplos: a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), mastodonte criado por Lula, dentro de um projeto socialista de monopólio das comunicações, que viria após uma censura à imprensa (felizmente não conseguida). Os gastos da EBC talvez nunca sejam completamente levantados com precisão, mas cálculos grosseiros permitem chegar a um total próximo dos 4 bilhões de reais dissipados em menos de uma década, boa parte disso em salários altíssimos para apaniguados da esquerda, petistas e assemelhados.

Essa cifra, também, corresponde ao que se necessitaria para resolver o problema brasileiro das UTIs hospitalares, e poupar muitas vidas, principalmente de gente pobre. A EBC, uma excrecência, deveria ser fechada a toque de caixa, mas continua viva, embora nada tenha feito de importante em sua existência.

Dado esse exemplo, falemos de outros entulhos: as Organizações não Governamentais, que no Brasil vivem de dinheiro do governo, por incrível que pareça. Ninguém, acredito — sequer o presidente Temer —, saberá qual a sangria que essas entidades promovem nas verbas públicas, nada ou muito pouco oferecendo em troca. Mas adianto um número confiável para os leitores.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) fez em 2010 um levantamento (até onde conseguiu) e chegou à conclusão que nos governos petistas, essas entidades suspeitas tinham dobrado o valor que sugavam do Tesouro Público. Só em 2010 o tesouro havia entregue às ONGs mais de 4 bilhões de reais. Vejam aí outra vez o problema das UTIs podendo — e não sendo — resolvido.

“Mas há ONGs importantes, úteis” — dirá alguém. Seria radicalismo discordar. Mas, ao que parece, nos governos petistas isso era exceção.

Quem duvidar leia a revista “Veja”, edição de 5 de novembro de 2011. Naquela época, mais de 3 mil dessas entidades recebiam repasses do governo federal que eram desviados para atividades menos honestas, como financiar o PC do B, o que ocasionou a queda do ministro comunista Orlando Silva, do Esporte (que pagava até tapioca com cartão de crédito do governo), do ministro do Turismo, Pedro Novaes, e do ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
Imagine-se a quantidade de falcatruas e o barulho dos escândalos para fazer com que o governo petista demitisse três ministros.

Ressalte-se que até hoje existem muitas dessas entidades suspeitas recebendo dinheiro público para atividades não muito esclarecidas. Não seria o caso de cortar esses repasses, dado as condições econômicas que vivemos, com reflexos gravíssimos, como a greve policial do Espírito Santo?

Fundos pensão

Outro exemplo da ação nefasta do petismo na economia está nos fundos de pensão. Embora em fins do ano passado a Justiça tenha afastado dezenas de administradores de alguns fundos e inclusive efetuado algumas prisões, só o fez mirando os quatro maiores: Funcef (da Caixa Econômica), Previ (do Banco do Brasil), Petros (da Petrobrás) e Postalis (dos Correios).
Somente nesses fundos estima-se que houve prejuízo para mais de meio milhão de contribuintes, ocasionado principalmente pela corrupção, ligada à rede maior das empreiteiras do “petrolão” e de apaniguados do petismo.
A limpeza apenas começou. Existem ainda muitos comprometidos com o governo anterior ocupando cargos de diretoria nos outros fundos existentes. Há muito entulho petista a ser removido nesse setor.

Na própria Petrobrás, ainda que agora entregue a administradores honestos, certamente muito existe a ser extirpado, dos vícios que a sugigam desde os governos Fernando Henrique Cardoso. Salários astronômicos, exageros na terceirização de mão de obra e na contratação de empreiteiros e fornecedores desonestos. Arrendamento de equipamentos a preços acima do mercado deve, todos os dias, ainda ocorrer, e muita coisa vai demorar a aparecer.

Enquanto a Exxon em 2014 extraiu 2 bilhões de barris de petróleo e lucrou 32 bilhões de dólares, com 84 mil funcionários, a Petrobrás extraiu quase a mesma quantidade (2, 2 bilhões de barris), lucrou 30 vezes menos (1 bilhão de dólares) e empregava 315 mil pessoas. Roubo, desperdício, incompetência? Tudo junto, provavelmente.

O entulho petista em nossa petroleira vai demorar a ser removido, ou nunca o será de todo, a menos que a empresa seja privatizada. Estimavam-se, quando Dilma Rousseff caiu, em 20 mil o número de petistas em cargos comissionados do governo federal. Quantos ainda continuam nos postos? Talvez a metade. Como remover esse entulho?

A Lava Jato não chegou ainda ao BNDES, como deveria. Muito mal foi feito, usando o banco como ferramenta ideológica (transferência de bilhões de dólares para os bolivarianos Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador, Nicarágua e outros; ou para os “campeões nacionais”, como Eike Batista — financiadores dos petistas), mal esse brecado pela nova administração.

Mas o banco deve ainda estar atulhado de petismo. De apaniguados, que pouco ou nada trabalham, a despeito dos altos salários, e desembolsos ainda em andamento, de contratos dos governos passados, além de muitas outras mazelas que devem tirar o sono de Maria Silvia Bastos Marques, presidente do BNDES.

Sem falar no fato de que esse dinheiro emprestado para fora dificilmente voltará um dia para o caixa do BNDES ou do Tesouro. Finalmente, lá no início desse artigo falamos dos 60 mil assassinatos por ano. A eles somemos os assaltos e arrastões cinematográficos. Bandidos são mais confiantes aqui do que em qualquer lugar do mundo. Sabem que estamos todos desarmados, enquanto exibem, com desenvoltura, as armas mais pesadas e modernas. Um entulho petista que precisa ir com urgência para o lixo, pois lixo é, chama-se Estatuto do Desarmamento. Todo cidadão de bem pede o fim desse rebotalho ideológico. l

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