Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Lockdown não é solução, nem mesmo é atenuante para a pandemia — acaba por ser um agravante

Conhecer como se desenvolveu o vírus, como ganhou letalidade e como passou a infectar seres humanos é fundamental pra medidas protetivas futuras

Embora não se possa dizer, quanto à pandemia, que estamos no “depois da tempestade”, é bem de se ver que alguns sinais de bonança já surgem no horizonte. O avanço da vacinação parece indicar que está nela o controle do vírus que afligiu o mundo todo nos últimos dois anos.

É tempo, pois, de avaliação dos estragos causados e de adoção de medidas para que, tanto quanto possível, o mal não se repita. Ou se se repetir, como enfrentá-lo melhor do que desta vez.

O que parecia primordial para a prevenção de futuras pandemias semelhantes — conhecer a origem do vírus — ao que parece não vai ocorrer. A única coisa que se sabe é que ele começou a agir em Wuhan, na China. E mais não se sabe, pois os chineses se recusaram peremptoriamente a cooperar, e a OMS se acumpliciou a eles nesse silêncio inexplicável.

Conhecer como se desenvolveu o vírus, como ganhou letalidade e como passou a infectar seres humanos seria fundamental para medidas protetivas futuras, o que parece não vai acontecer.

Comércio fechado por causa da pandemia | Foto: Agência Brasil

Os cientistas e as autoridades médicas e sanitárias, mesmo nos países mais adiantados, continuam perplexos: conhecem apenas de maneira aproximada o mecanismo de transmissão do vírus, não conhecem qualquer medicamento de sucesso indiscutível no tratamento da enfermidade que ele provoca e sabem apenas de maneira grosseira qual a efetividade desta ou daquela vacina. Desconhecem mesmo quais as consequências, para os vacinados, da vacinação, o que só deverá estar esclarecido daqui a uma década.

O fracasso do lockdown, segundo os dados

Quem sabe tudo sobre o vírus é só mesmo jornalista brasileiro de esquerda. Mas, como é hoje a única defesa que o mundo tem contra o vírus, a vacina deve seguir em uso e aperfeiçoamento. Entre todos os estragos causados pela pandemia, vários escapam do campo médico, sanitário e científico e migram para o campo econômico ou político, como vimos de sobra aqui no Brasil. E falando do estrago econômico, vamos olhar mais de perto uma medida adotada apressadamente, no mundo todo, e que teve graves reflexos econômicos e sociais: o “lockdown”.

Com a significação de bloqueio total, ou confinamento, a medida foi inicialmente tomada pela China, no início da pandemia, no que foi imitada apressadamente em todo o mundo ocidental, começando pela Itália, dada a perplexidade das autoridades, que, não sabendo o que fazer, faziam simplesmente o que os outros estavam fazendo. Em poucos meses, metade da população mundial tinha que se sujeitar ao confinamento imposto por seus dirigentes, e nenhum deles atinou para um estudo do que já acontecia em alguns países do Oriente, mais experientes no trato de epidemias, e que estavam abordando melhor o problema, como Hong Kong e Taiwan.

Medidas mais simples e efetivas, voltadas principalmente para a conscientização das populações foram abandonadas, pois era mais fácil para as autoridades impor o confinamento, ou “lockdown”, e mandar fechar tudo, escolas inclusive.

Os resultados haveriam de ser, como foram, desastrosos localmente, em cada país, e também do ponto de vista mundial.

Os problemas econômicos surgiram, com o desemprego, a falta de matérias primas e produtos industrializados, e alguns setores, como os de alimentação e turismo foram grandemente impactados, no mundo todo.

Dois anos depois, ainda são graves os danos econômicos, com grandes companhias aéreas em estado pré-falimentar, capacidade industrial reduzida, desemprego, desabastecimento, inflação e crises de mão de obra, como a que afeta o Reino Unido, onde há racionamento nos combustíveis mesmo nos dias de hoje.

Além disso, houve enorme prejuízo social com a suspensão das aulas presenciais pelo mundo todo, problema muito mais grave nos países menos desenvolvidos, que tiveram dificuldades com o ensino on-line, mesmo esse de eficiência duvidosa. Isso nos atingiu particularmente, pois nosso ensino já sofria com a ideologia de esquerda, e sua qualidade caía, ano a ano.

E agora, amainada, embora não passada a tempestade, temos como avaliar a eficiência do lockdown? Valeu o sacrifício? Não, podemos afirmar que não foi uma medida feliz, perante outras, como conscientização, testagem, monitoração e controle fronteiriço. Por que podemos adiantar essa afirmação? Hoje já cabem demonstrações, como essa: na Europa continental e na sua parte mais central, existem sete países com população próxima, entre os 11,5 e 9,5 milhões de habitantes. Destes, cinco adotaram o lockdown: Bélgica, Grécia, Hungria, Portugal e República Checa. E dois não: Suécia e Bielorrússia. Os únicos dois, aliás, em toda Europa. Os dirigentes desses dois países foram duramente criticados por seus colegas do mundo todo, nestes dois anos. Mereciam as críticas? Responda o leitor, após examinar o quadro abaixo:

País                         População            Infectados          Mortes          Mortos por

(Milhões)               por Covid            por Covid      100 mil habit.

(Milhares)

BÉLGICA                  11,3                       1.251                          25,6           223

GRÉCIA                     10,8                         663                           15,0           139

REP. CHECA             10,5                       1.695                           30,0           285

PORTUGAL               10,3                      1.071                           18,0           175

HUNGRIA                   9,8                          825                           11,0            129

SUÉCIA                       9,8                         1.153                          14,9           144

BIELORRÚSSIA          9,5                            550                           4,3               44

Foram muito criticados mundo afora, da Suécia o primeiro-ministro Stefan Lövfen, a ministra da Saúde, Lena Hallengren, e o epidemiologia-chefe Andres Tegnell, inclusive por seus vizinhos nórdicos, principalmente por não fecharem escolas.

O mesmo ocorreu com o presidente da Bielorrússia, Alekssandr Lukashenko, que, tal como o presidente Bolsonaro, foi acusado de negativista.

Se estavam errados, não é isso que mostra o quadro acima. Se o leitor se ativer a essa tabela, verá que grita um fato, com a verdade fria dos números, que, como diz o ditado, “não mentem jamais”.

Dos sete países, sem dúvida os mais impactados foram a República Checa, a Bélgica e Portugal, que adotaram o lockdown mais rigoroso. Suécia, Grécia e Hungria foram impactados um pouco menos, e praticamente da mesma forma, embora dos três apenas a Suécia não tenha fechado suas indústrias, seu comércio e suas escolas.

A Bielorrússia, que também nada fechou, parece ter se saído melhor que os outros seis. Isso apenas comparando países europeus de populações semelhantes. Se falarmos de Espanha, Itália e Reino Unido, as vantagens comparativas da Suécia e da Bielorrússia crescem enormemente. Fica a lição para o futuro, e para quem não fechar os olhos para ela: lockdown não é solução; nem mesmo é atenuante para a pandemia; acaba por ser um agravante. Como negar?

Uma resposta para “Lockdown não é solução, nem mesmo é atenuante para a pandemia — acaba por ser um agravante”

  1. Avatar Baron Camilo of Fulwood disse:

    Ótima analise!

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