O “Estadão” denunciou, dias atrás, manobra do presidente Lula da Silva para interferir nas eleições argentinas e ajudar o candidato de esquerda Sergio Massa, ameaçado de derrota pelo conservador Javier Milei.

Sergio Massa é ministro da Economia e um dos responsáveis pelo devastador desastre administrativo, econômico e social que a esquerda infligiu ao país vizinho.

O que ocorreu: a Argentina, sem crédito e suas autoridades esquerdistas sem credibilidade, necessitavam de uma liberação de 7,5 bilhões de dólares do FMI. A liberação somente se daria se a Argentina comparecesse com uma contrapartida de 1 bilhão de dólares, que nem em sonhos teria.

Lula da Silva instruiu a ministra Simone Tebet, delegada brasileira na Corporação Andina de Fomento (o banco do Mercosul), para coordenar, com os governos de esquerda parceiros no banco, esse empréstimo-ponte para a Argentina, o que acabou acontecendo. Clara influência estrangeira, às vésperas das eleições, numa tentativa de beneficiar Massa, responsável pela economia vizinha.

O próprio Lula da Silva validou os protestos da oposição argentina, ao enviar para Buenos Aires marqueteiros petistas para assessorar Massa nas eleições.

Lula da Silva, à frente de um governo sem rumo no Brasil, ainda persiste em sua miragem de se tornar um líder marxista da América Latina substituta do Leste Europeu, como pátria do comunismo do século XXI. Para isso compromete, como já fez em Cuba, na Venezuela, em Angola, em Moçambique e outros países dominados pela esquerda, os recursos que pertencem ao trabalhador brasileiro e fazem falta por aqui. Não é a primeira vez que isso ocorre, para auxiliar políticos vizinhos “progressistas”, espoliando os brasileiros. Foi quase escondido pela imprensa, mas o leitor vai saber agora (e divulgar, se achar por bem).

Usina Hidrelétrica de Itaipu

Em 1973, Brasil e Paraguai firmaram acordo para a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, no Rio Paraná, fronteira dos dois países.

O Brasil tudo fez em Itaipu: institucionalizou empresa brasileiro-paraguaia, capitalizou-a, providenciou estudos de viabilidade, contratou por meio de licitações internacionais projetos, construções e equipamentos eletromecânicos, treinou e contratou o pessoal de fiscalização, operação e controle, conseguiu e garantiu os pesados financiamentos, supervisionou construções e montagens e elaborou o tratado internacional que rege o empreendimento.

A despeito de tudo fazer, o Brasil teve o cuidado de dividir com o Paraguai cada etapa e se fazer acompanhar de técnicos e autoridades paraguaias a cada passo, respeitando a soberania do vizinho. Não é exagero dizer que o Brasil encabeçava todas as providências, pois tinha know-how, capital e credibilidade internacional, coisas que o vizinho não tinha.

Itaipu abastece o Paraguai em cerca de 90% de suas necessidades energéticas e o Brasil, em cerca de 10% da energia que consome. A energia produzida, pelo tratado, é dividida meio a meio, entre os dois países. O Brasil, desde o início, consome toda a sua parte. O tratado acertava que o Brasil compraria a energia que o Paraguai não consumisse, pelo custo calculado pela equipe técnica da usina, e previa uma revisão aos 50 anos de sua assinatura, isto é, agora em 2023, com ajustes acertados por consenso, se necessários. 

O paraguaio Fernando Lugo, nascido em 1951, após estudos religiosos na capital paraguaia, Assunção, foi ordenado padre em 1977. Chegou a bispo na passagem do século. Lugo se ligara à Teologia da Libertação, ala marxista da Igreja, criada na União Soviética por Kruschev, visando corromper um dos maiores adversários do comunismo, o catolicismo.

A Teologia da Libertação florescera na América Latina. Lugo mantinha ligações com outros ditos religiosos brasileiros, também adeptos da Teologia, como Frei Betto e Leonardo Boff, além de próceres petistas.

Político, embora ainda usasse de sua condição de bispo, algo da maior importância no tradicionalmente católico Paraguai, Lugo deslanchava sua carreira nesse novo campo. Militando como bispo junto à elite católica e como revolucionário junto aos mais pobres, acabou por construir sua candidatura à Presidência do Paraguai, e se eleger em 2008, na onda esquerdista latino-americana.

Uma das bandeiras populistas de Lugo era a da revisão da tarifa paga pelo Brasil na compra da energia de Itaipu. Aí começaram as complicações. Como todo esquerdista, Fernando Lugo era administrador incompetente, e as insatisfações começavam a surgir no povo paraguaio.

Em seguida viria o escândalo: a batina episcopal de Fernando Lugo escondia um molestador sexual compulsivo. As mocinhas que trabalhavam em suas igrejas eram objeto de assédio sexual, engravidavam e eram abandonadas, por demais intimidadas pelo poder do bispado e da igreja para denunciar Lugo.

Em agosto de 2010, em meio a acentuada queda de popularidade, surge um câncer em Lugo, que ele tratou com sucesso em São Paulo, graças à ajuda de seus amigos Lula da Silva e Dilma Rousseff. Mas a popularidade em queda era a ameaça de um impedimento.

Quando o ano de 2010 caminhava para o final, a situação política de Lugo se complicava.

Moralmente devastado pelos escândalos sexuais, também não cumprira as promessas de campanha. Mas surgiu uma brilhante possibilidade: se os amigos ideológicos Lula da Silva e Dilma Rousseff (agora eleita presidente) dessem uma ajuda com as tarifas de Itaipu, tudo poderia mudar.

No início de 2011, a pedido de Lugo, a cúpula petista resolveu triplicar a tarifa que o Brasil pagava ao Paraguai. Isso, pensava-se, fortaleceria Lugo e o manteria no poder, pois fora sua principal bandeira eleitoral.

Mas os técnicos apontavam a incongruência do injustificado aumento: havia um tratado internacional que fixava as tarifas, aprovado pelo Congresso e que não poderia ser descumprido; uma revisão, só mesmo a prevista no tratado, para 2023.

Além disso, a medida acarretaria um aumento nas tarifas internas de energia elétrica, prejudicando os consumidores brasileiros. Mas nada deteve o PT, onde existiam facilidades: o presidente da Câmara dos Deputados era Marco Maia, obediente petista, e que anos depois cairia nas malhas da Operação Lava-Jato. O presidente do Senado era José Sarney, que nunca contrariava um governo de plantão. E a esquerda havia domesticado (ou comprado) a maioria do Congresso, que sem dúvida aprovaria a fraude.

Tudo correu às mil maravilhas, ao menos para o marxismo latino-americano. Em abril de 2011, a Câmara dos Deputados aprovou o aumento, num processo relatado pelo folclórico deputado petista Dr. Rosinha.

Um mês depois, o Senado também o aprovou, ali defendido pela senadora Gleisi Hofmann, outra petista notória, e não por ações edificantes.

Numa Câmara dominada pelo PT e seus partidos satélites, como PSOL e PC do B, houve pouca discussão. No Senado, alguns senadores protestaram com veemência. Entre eles, os goianos Demóstenes Torres e Cyro Miranda, deixando bem claro que o Congresso estava prejudicando o povo brasileiro em benefício do Paraguai, via de um acordo entre o marxismo de Fernando Lugo e o de Dilma Rousseff.

O Paraguai, em vez de receber do Brasil 120 milhões de dólares por ano, receberia 360 milhões, pela energia de Itaipu. Lugo ganhou fôlego, mas por pouco tempo. Em 2012 a sua situação voltou a piorar, e ele acabou expelido da presidência pelo Congresso Paraguaio. De 2011 até hoje, o prejuízo está em quase 3 bilhões de dólares, tomados de todos nós: do verdureiro, do enfermeiro, do comerciante, do agricultor, do operário, do médico, do dentista, do engenheiro, do advogado, do garçom, da cabeleireira, do balconista, do policial, de todos, enfim, que pagam impostos.

A “grande imprensa”, que hoje se escandaliza até com o consumo de alimentos das Forças Armadas, nem por um momento se escandalizou à época.