Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Equívoco provinciano de Mauro Santayana, Arnaldo Jabor e Janio de Freitas sobre vitória de Donald Trump

O que os jornalistas brasileiros não dizem é que o presidente eleito pelo Partido Republicano é democrata e que a civilização não está ameaçada

Mauro Santayana, Arnaldo Jabor e Janio de Freitas: os três jornalistas não compreendem a política dos Estados Unidos | Fotos: Divulgação

Mauro Santayana, Arnaldo Jabor e Janio de Freitas: os três jornalistas não compreendem a política dos Estados Unidos | Fotos: Divulgação

Foi vão o esforço feito pela mídia de esquerda americana, pelos “intelectuais” de lá, pelos artistas televisivos e de cinema, para derrotar Donald Trump, ou apenas para fazer o eleitorado acreditar que ele iria perder.

Até pesquisas fajutas apareceram. Nós conhecemos a versão nacional desse filme hollywoodiano. A Dilma Rousseff de lá acabou perdendo. Mas os maiores desconsolados parecem estar aqui, como veremos a seguir.

Mauro Santayana, que o leitor conhece do “Jornal do Brasil”, é um velho militante de esquerda. Defensor dos petistas, centroavante no ataque à Lava Jato, não condena a roubalheira esquerdista que nos assolou.
Já trabalhou na imprensa de Cuba e da Checoslo­váquia, nos tempos da ditadura comunista. Adota, em jornalismo, os métodos do totalitarismo, como se vê quando fala da eleição de Trump. Nem mesmo tomou posse o presidente americano, e já se transformou, para Santayana, em figura apocalíptica. Em sua coluna, no dia 10 deste mês, compara Trump a um personagem do filme famoso de 1964, “Dr. Strangelove” (de Stanley Kubrick; no Brasil, o título é “Dr. Fantás­ti­co”). Esse personagem é o maluco Major Kong, que salta de um bombardeiro cavalgando uma bomba atômica. Na sua opinião, Trump representa a “ascensão hipócrita da antipolítica e do fascismo”.

Arnaldo Jabor foi esquerdista e petista por tempo demais, para mudar tão radicalmente de lado como tenta nos fazer crer em seu programa na rádio CBN. Se lá no fundo de seu peito não ba­tesse ainda um coração vermelho, ele não teria tanta raiva de George W. Bush (o “Bushinho”, como fala). Jabor critica Lula e os petistas, mas não esquece o olvidado Bush, em quem cola todos os atributos que a esquerda considera pecados de arrastar para o inferno. E no day after da eleição de Trump a diatribe contra este foi de tirar o chapéu. Quem o ouviu, se acreditar no que disse, entrará em desespero. Falou, por exemplo: “Todas as con­quistas civilizadas das últimas décadas vão ser desfeitas”. Enten­deu, leitor? A partir da posse de Trump, a crer em Jabor, não teremos mais telefones celulares, por exemplo. Nem aviões a jato ou televisões coloridas. Os Estados Unidos voltarão à segregação racial (talvez mesmo à escravidão) e à Lei Seca. Desgraça total, no dizer e no crer desse impagável Arnaldo Jabor.

Janio de Freitas, outro que desconhece os maiores assaltos ao dinheiro público de nossa história, que vê na Lava Jato um arroubo autoritário e no juiz Sergio Moro um abusado, “juiz de primeira instância que se sobrepõe ao Supremo Tribunal Federal”, é outro que não engole a eleição de Trump. Em sua coluna na “Folha de S. Paulo”, no dia 10 deste mês, Janio afirmava, sobre o presidente eleito americano: “Portador declarado de preconceitos racistas, exprime com propostas objetivas a rejeição, pela dominante parcela branca, que a lei não consegue evitar contra negros, latino-americanos, árabes, asiáticos, índios americanos e, por mais que um lado e outro o disfarcem, mesmo contra os judeus”. Pobre Jânio. Envelhecer é uma arte que ele não aprendeu.

Esquerda não fica perplexa quando bandido mata policial. Só assusta-se quando policial mata bandido

No dia 11 deste mês, o UOL fez reportagem escandalizada, evidenciando o fato da polícia carioca matar mais bandidos que toda polícia dos Estados Unidos. Evidente má-fé da esquerda “politicamente correta” que habita todas as redações de jornais. Para ela, a polícia é parte, ou é instrumento das “classes opressoras”, enquanto a marginalidade faz parte das “classes oprimidas”, ou das “classes subalternas”, como dizia o italiano Antonio Gramsci. Para ela, bandido mata não porque é bandido, mas porque foi “marginalizado pela sociedade burguesa”, logo deve ser tratado com carinho. Tivessem os comunas disfarçados um mínimo de honestidade, tivessem vontade de informar e não de desinformar, e completariam a reportagem com dois dados relevantes: primeiro, o dado reverso, inseparável, de que os bandidos matam no Rio de Janeiro, por ano, quase o dobro de policiais que os bandidos americanos matam nos Estados Unidos como um todo. E, segundo, que os bandidos matam quase dez vezes mais que os policiais, no Rio de Janeiro. Com uma bandidagem tão violenta, que comete 5.000 homicídios por ano, não admira que a polícia mate 500 bandidos em seus confrontos. Ao informar apenas sobre os policiais que matam (e estão em permanente confronto com marginais mais equipados que eles) e se calar sobre os policiais que morrem, estes “profissionais da imprensa” mostram de que lado estão.

Relato, tão preciso quanto possível, uma tragédia recente. Primeira parte — No dia 24 de setembro, o guarda municipal Rodrigo Lopes Sabino, de Santo André, na grande São Paulo, chegava pela manhã em casa, após uma noite estafante de trabalho. Ao se aproximar do portão, foi rendido por bandidos, que tomaram seu carro e sua arma. Ao perceber que se tratava de um guarda municipal, executaram-no com um tiro na cabeça. Em casa o aguardavam a mãe, Iara, a mulher, Michele, e um filhinho de 3 anos. Coube à mãe e à mulher, que ouviram o disparo, socorrer Rodrigo, que agonizava. A morte de Rodrigo passou praticamente despercebida pela imprensa e pelos organismos e ONGs de direitos humanos. Ninguém deu importância ao fato ou conforto à família. Afinal, era “apenas” um policial que morria executado. Fato sem relevância. A polícia conseguiu identificar dois dos assaltantes, mas não havia efetuado prisões. A polícia, sobrecarregada, dá prioridade aos casos mais ruidosos, cobrados pela imprensa e pelos “politicamente corretos”. Não era o caso.

Segunda parte — No dia 21 de outubro, cinco bandidos foram atraídos para uma emboscada, executados e tiveram seus corpos ocultados, mas acabaram sendo achados. Um estardalhaço da imprensa movimentou a polícia, que descobriu na origem do crime um colega do guarda municipal Rodrigo Lopes Sabino, assassinado no mês anterior (pelo menos dois dos bandidos mortos eram executores do policial). Aí o estardalhaço vira histeria. A pressão sobre a Secretaria de Segurança é enorme, para que se descubram e se punam todos os culpados. As famílias dos bandidos (todos com várias passagens pela polícia) recebem solidariedade de toda a imprensa, de organismos dos direitos humanos, de ONGs, que comparecem em peso ao enterro dos marginais.

Os familiares dos meliantes assassinados são entrevistados pelos principais órgãos de imprensa e exigem justiça. Autoridades policiais são interpeladas energicamente para que desvendem imediatamente o crime e que promovam a exemplar punição dos criminosos. Penso, e sei que o leitor pensa assim, que não se deve acobertar ninguém. Os guardas que pensaram fazer justiça por si mesmos, vingando o colega, apenas saltaram a fronteira para a marginalidade, e a lei saberá como tratá-los. Mas algumas perguntas precisamos fazer: a) por que a imprensa ignorou a execução do policial e ficou histérica com a execução dos bandidos? b) por que nas manchetes dos jornais nunca se tratam os bandidos como bandidos que são, mas como “jovens” ou “rapazes”? c) por que tanto desvelo e tanta assistência apenas para as famílias dos bandidos? d) o guarda executado, por ser honesto servidor da sociedade merece menos atenção que os marginais que a agridem? f) seria justo tratar esses pais de vítimas de chacina apenas como outras vítimas e não também como responsáveis, que se descuidaram de seus filhos, não importando que caíssem nas mãos de ladrões e traficantes?

Uma resposta para “Equívoco provinciano de Mauro Santayana, Arnaldo Jabor e Janio de Freitas sobre vitória de Donald Trump”

  1. paulasvoboda disse:

    Com o pseudônimo de Lauro Kubelyk – por estar proibido pelo regime militar de escrever para jornais brasileiros, Mauro Santayana cobriu para a Machete e o Jornal do Brasil, a invasão da então Tchecoeslováquia pelas Tropas do Pacto de Varsóvia, colocando-se radicalmente contra, e mantendo-se fiel ao governo do Presidente tcheco Alexander Dubcek, que defendia um “socialismo com liberdade”, que ficaria conhecido como “A Primavera de Praga”.

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