Dois fatos ocorridos nos últimos dias soam como outros tantos alarmes no que respeita a educação brasileira. Como se não bastassem os alarmes já soados, apontando para a causa maior de nosso atraso econômico e de nossas deficiências sociais — a sofrível educação oferecida a nossos jovens. 

O primeiro destes alarmes é o resultado do Pisa 2025, de divulgação recente. A cada três anos, o Programa Internacional para Avaliação de Estudantes, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), faz uma avaliação comparativa do aprendizado de jovens que cursaram o ensino básico e o médio, medindo seu aproveitamento em Ciências, Leitura e Matemática (e em 2025 também em Uso da Computação). Este último exame abrangeu mais de 700.000 jovens de 91 países. O governo federal do Brasil, em publicações falsamente eufóricas, fala em avanço do ensino brasileiro, referindo-se aos resultados do programa, o que é fácil desmentir vendo o quadro abaixo:

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Como se vê, tivemos um pequeno avanço no aprendizado de Ciências, mas por outro lado recuamos em Leitura e Matemática. Ficamos muito atrás de Portugal, em todos os quesitos, e o que é pior: ficamos em posição vexatória na América Latina. Como exemplos incluímos no quadro as comparações com o Chile e com a pequena Costa Rica. E com Singapura, na Ásia, quando a diferença é gritante. Tire  o leitor suas conclusões.

Não existe essa predisposição para o aprendizado da matemática; existem maneiras corretas e erradas de ensiná-la. É uma matéria cumulativa. Se não se aprende bem a divisão, fica mais difícil entender as frações e o cálculo de percentagens, por exemplo

O segundo alerta, alarmante também — e como — foi um estudo feito dias atrás pela ONG Todos pela Educação e que mereceu um artigo da jornalista Renata Cafardo, que pesquisa e escreve sobre educação há mais de 20 anos. No seu trabalho, a repórter do “Estadão” pinça um dos mais preocupantes pontos do estudo: o mais que deficiente ensino da matemática em nossas escolas.

Segundo a tabulação da Todos pela Educação, apenas pouco mais de 8% dos jovens brasileiros que saem do ensino médio aprenderam com um mínimo de propriedade, para aproveitamento prático na vida, a matemática que cursaram. Sim — isto mesmo — mais de 90% de nossos jovens, em geral entre 15 e 18 anos não aprenderam como deviam (ou não lhes foi bem ensinado) o uso da Matemática. Não sabem interpretar um cálculo de probabilidades ou entender o teorema (básico) de Pitágoras. E o que é pior: mais da metade desses jovens não fazem com facilidade as quatro operações,  que é o básico do básico.

A educação é o caminho seguro para o desenvolvimento | Foto: Reprodução

Há uma falácia na afirmação de que muitos jovens têm resistência ao aprendizado da Matemática, que “não têm jeito para a matéria”. A neurociência já demonstrou que não existe essa predisposição para o aprendizado da matemática; existem maneiras corretas e erradas de ensiná-la, até porque é uma matéria cumulativa. Se não se aprende bem a divisão, fica mais difícil entender as frações e o cálculo de percentagens, por exemplo.

Perdoe o leitor se abuso dos quadros em minhas demonstrações. É que eles são bastante práticos na comparação entre situações e países.

Para os que não acreditam que é indissolúvel o vínculo entre educação e desenvolvimento econômico e social, apresento o quadro abaixo, comparativo também entre Brasil (que descuida de sua educação há décadas), Coreia do Sul e Singapura (que investiram pesadamente no ensino de seus jovens e os prepararam para a vida). Riqueza, saúde, segurança e bem-estar não se desligam de educação.

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Recente pesquisa feita também pela ONG Todos pela Educação e pela Fundação Lehman e que ouviu 20.000 brasileiros com 16 anos ou mais, mostra que a nossa população  está acordando para a importância do tema. Revela, por exemplo, que 83% dos brasileiros acham a Educação um dos três temas prioritários para a ação de governo. E que apenas 23% dos entrevistados acham que nossa Educação é satisfatória.

É dolorido comparar as nossas taxas de mortalidade infantil com a de outros países. Quanto sofrimento nos lares em que os pequeninos faleceram na primeira infância! E nossa taxa anual de homicídios. Quantos jovens recém-saídos da adolescência são abatidos nas guerras do crime organizado entre facções ou enfrentando a polícia.

Basta uma rápida contemplação destes dados para nos ruborizarmos. Refiro-me a nós, brasileiros responsáveis, trabalhadores e pagadores de impostos.

Porque nossas autoridades (federais principalmente) parecem não ter a mínima preocupação com a melhoria de nossa educação, com a superação das deficiências de nosso ensino, com o futuro de nossos jovens (vale dizer, com o futuro do Brasil). Não as vejo reconhecendo nossas deficiências e propondo superá-las, a começar pelo titular da pasta da educação. E como é mesmo o nome dele?

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