As eleições deste ano para presidente da República, é sabido, dar-se-ão em um clima de extremada disputa, não só ideológica, como nominal, numa fratura nada recomendável para a paz da sociedade.

De um lado, um nome, Lula da Silva, uma ideologia, o socialismo, a esquerda sem nenhum exemplo positivo a oferecer no Brasil e na história mundial.

De outro também um nome, Bolsonaro (representado pelo filho Flávio), uma ideologia, o capitalismo, a direita conservadora.

Nota-se um ledo otimismo por parte dos adeptos de Flávio Bolsonaro, que estaria crescendo nas pesquisas, enquanto Lula da Silva estaria vendo crescer sua rejeição.

Quem tem uma experiência maior da observação do cenário eleitoral brasileiro sabe que esse otimismo ingênuo aponta para um desastre.

O fato é que, fossem hoje as eleições e Lula da Silva estaria reeleito, mesmo com toda incapacidade administrativa e a presença da corrupção. E é só aparente e momentâneo o crescimento da direita.

As pesquisas mostram Lula da Silva ainda à frente de Flávio Bolsonaro. E os movimentos futuros, nesse xadrez eleitoral, favorecem o presidente petists, com a direita completamente míope quanto ao que pode ocorrer nos próximos meses.

Se os candidatos de direita, principalmente os que disputam cargos majoritários não se conscientizarem dessas verdades, terão uma amarga surpresa, também catastrófica para o Brasil, na apuração eletrônica das urnas.

Entenda de onde deriva a força de Lula da Silva

1

Governo do PT segue Gramsci

Se por um lado a ideologia de esquerda fracassou, por ser antinatural, em todas as dezenas de experiências de governo em que se instalou (melhor e atual exemplo: Cuba), por outro lado, tornou-se competente em ganhar o poder, e se mantém viva por esse fato.

Todos os filósofos do comunismo (Engels, Marx, Trótski, Lênin etc.) fracassaram em suas previsões, exceto um, o italiano Antonio Gramsci.

Gramsci só teorizou sobre a tomada de poder, abstendo-se de prever o que aconteceria com um regime comunista instalado.

A análise de Gramsci nessa fase da luta política foi perfeita, baseada no comportamento natural, e é seguida até hoje, sem o que o comunismo teria desaparecido da face da terra. Conquistar os formadores de opinião é o seu resumo.

Os seguidores de Lula da Silva seguem Gramsci à risca, embora ele próprio não tenha a menor ideia de quem foi o pensador italiano.

O PT conquistou o professorado, as universidades, o meio artístico, boa parte da Igreja Católica, a imprensa em sua quase totalidade, o lumpemproletariado do tráfico e das penitenciárias etc. Essa força os conservadores de Flávio não têm. Por convergirem nos princípios do conservadorismo, contam com a simpatia da maioria dos evangélicos, e da população esclarecida, mas a desproporção potencial é grande. Mais uma experiência lulista de um mandato será o caos econômico, mas a Lula isso não preocupa, desde que chegue lá.

2

Bolsas-auxílios são eleitoreiras

O governo tem em mãos ferramentas poderosas — ainda que desleais — de conquista de votos, o que não acontece com a oposição. E a usa desbragadamente.

Os auxílios sociais foram multiplicados sem o menor cuidado, os beneficiários das “bolsas” contam-se aos milhões, cada um deles faz uma ligação íntima entre o benefício e Lula da Silva, principalmente nos bolsões mais pobres do Nordeste e do Norte.

Os últimos “auxílios” são de estarrecer, como medida econômica, mas dão inegável resultado eleitoral, como contas de energia quitadas e antenas parabólicas às centenas de milhares como presente do governo.

Um índice dessa distorção foi em parte levantado, quando se pesquisou o volume de dinheiro do bolsa-família que era empregado nos jogos de apostas on-line (as “bets”).

Mas foi logo abafado na imprensa, embora se contasse em bilhões de reais (de nosso dinheiro) por mês. E um que precisaria ser conhecido é o do volume desses auxílios que é empregado na compra de drogas.

3

Casos INSS e Banco Master

A atuação da imprensa a favor de Lula da Silva, que já é grande, tende a se intensificar à medida que as eleições se aproximam.

Vemos como estão sendo abafados os enormes escândalos de corrupção, como o roubo dos velhinhos do INSS e do Banco Master.

Os nomes do irmão e do filho de Lula da Silva estão protegidos, tanto que sequer depuseram sobre seu envolvimento nas malfeitorias, na Comissões Parlamentares de Inquérito.

Esse “trabalho” da imprensa, com as redações predominantemente de esquerda e com os donos dos jornais recebendo boas verbas será de suma importância nos dias próximos.

4

Conluio do Executivo, Legislativo e Judiciário

O poder hoje, não é só de Lula da Silva. É um vasto conluio, onde se somam o Executivo, com sua enorme máquina (40 ministérios e várias empresas públicas — deficitárias, por sinal), o Legislativo, onde estão comprometidos os presidentes das duas casas do Congresso, e uma multidão de deputados e senadores que se aproveitam das verbas de gabinete, dos fundos partidários e das profusas emendas parlamentares, tudo muito pouco fiscalizado.

E do próprio Judiciário, como mostram os últimos acontecimentos, como os do Banco Master.

É compreensível que esse conluio não queira ser apeado do poder, até porque em regiões mais esclarecidas, como o Sudeste, a impopularidade dessas lideranças seja cada dia maior.

Já vimos que esses líderes têm uma enorme coragem para fazer o certo e o errado, desde que surjam as oportunidades. Não pensem os conservadores em uma disputa com luvas de pelica. O jogo será selvagem, com um enorme contingente de figuras com o poder nas mãos usando esse poder a torto e a direito na luta eleitoral.

5

Urnas eletrônicas e auditoria

O sistema de votação continua sendo o das urnas eletrônicas.

É até infantil a maneira com que a direita tem encarado esse fato, e não tenha pugnado por uma mudança para um sistema mais passível de fiscalização.

Os candidatos de oposição deveriam energicamente e em conjunto procurar uma mudança para algo mais passível de perícia, de averiguação e de auditoria.