Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

De cada 100.000 habitantes, a Espanha perdeu 73 e Portugal perdeu 21 para a Covid-19

Em Portugal, nos lugares fechados, não se entra sem máscara. Aglomerações na rua não podem ultrapassar 5 pessoas e comemorações internas são limitadas a 50 participantes

De Aveiro, Portugal — Numa Europa perplexa com a nova doença, causada pela infecção de um vírus que a ciência não consegue decifrar integralmente, por mais que venha tentando, há quase um ano, Portugal — país menor do que Goiás — não está entre os que mais sofrem e se desesperam.

A Europa mais desenvolvida enfrenta uma segunda onda de infecções, neste outono, mais abrangente do que a que abalou o velho continente no início do ano. É uma onda que afeta os mais jovens, e embora atinja mais pessoas que a primeira, é menos letal.

Uma olhada na página dedicada ao Covid pela Johns Hopkins University, entidade que reúne a mais completa coletânea mundial de dados sobre a doença, vai mostrar algumas verdades intrigantes: Alemanha, França, Inglaterra, Holanda, Espanha, Itália, Bélgica, Polônia e outros países, justamente a parte mais desenvolvida, que conta com os melhores cientistas e médicos e com a mais bem equipada rede hospitalar do primeiro mundo europeu vê, nestes dias, crescer o número de infectados e de mortos pelo vírus chinês. Vê com perplexidade, e ela é maior porque ninguém conhece medidas efetivas a tomar. O “lockdown” radical, adotado no início da pandemia, não se mostrou efetivo em muitos lugares, com o agravante de aniquilar a atividade econômica. As outras medidas preventivas, com pouquíssimas exceções, ainda estão sob dúvidas e discussões; medicação que dê resultados indiscutíveis não existe e uma vacina confiável deve tardar ainda alguns meses a entrar no mercado, e o fará sob suspeitas e conjecturas. Enquanto persistem as dúvidas e multiplicam-se as indagações, alguma delas estão presentes aqui em Portugal, não sem uma ponta de alívio: por que Portugal não aparece entre os vinte países onde a mortalidade entre os infectados por Covid-19 é mais alta? Observe-se que nessa relação estão Itália, Inglaterra, França, Polônia e até a vizinha Espanha.

— Por que, também, Portugal não é um dos vinte países que mais perderam doentes com Covid-19 por 100.000 habitantes, se nessa outra relação também está a Espanha, logo ali na fronteira? E se estão também presentes no rol gigantes europeus como Inglaterra, França e Itália?

— Por que a discrepância entre os vizinhos ibéricos? Portugal vê morrer cerca de 2% dos infectados. Na Espanha esse número está em 3,5%. De cada 100.000 habitantes, a Espanha perdeu 73 para a Covid-19. Portugal perdeu 21.

O momento é de muita preocupação na Europa como um todo, e vários países estão adotando medidas extras de isolamento e recomendando cuidados de higienização, que as populações europeias, bastante conscientes, adotam sem muita rebeldia. Portugal experimenta um pequeno aumento no número de casos detectados, mas sem a relevância Inglaterra, França, Itália ou Espanha. Toma seus cuidados, contudo. Em nenhum lugar fechado se entra sem o uso de máscara. As aglomerações na rua não podem ultrapassar cinco pessoas e comemorações internas são limitadas a cinquenta participantes. Comemorações acadêmicas estão suspensas e multas para estabelecimentos comerciais que desrespeitarem regras de higienização foram aumentadas. E Portugal espera, como os demais, o verdadeiro alívio que só uma vacina efetiva e confiável pode trazer.

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