Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Colunistas de esquerda excedem sobre o presidente Bolsonaro

Os colunistas Ruy Castro e Eliane Cantanhêde distorcem fatos e tratam o presidente da República de modo desrespeitoso

A leitura dos colunistas de esquerda nos jornais brasileiros deve causar, nos mais desavisados e isentos, uma enorme indignação, tal o exagero com que atacam o presidente Jair Bolsonaro e seus ministros.

A indignação cresce quando se lembra a tolerância, quase admiração, com que estes mesmos colunistas trataram Lula da Silva quando presidente (e também seus auxiliares, muitos deles hoje companheiros de cadeia).

Os mais avisados experimentamos, quando muito, uma indignada diversão. Avaliamos os exageros e sabemos que as colunas não têm hoje o poder de influenciar que tinham antes das redes sociais. Os indignados com os exageros vão sendo substituídos pelos divertidos ainda que um pouquinho indignados.

Lula da silva e Jair Bolsonaro: o segundo tem mais preparo do que o primeiro, porém é mais atacado pelos jornalistas | Foto: Reprodução

Colunistas como Eliane Cantanhêde, Janio de Freitas, Luis Fernando Verissimo, Ruy Castro e muitos outros, que escrevem com fluência e clareza quando equilibrados, nem percebem o exagero quando dão rédeas soltas à sua aversão ao presidente Bolsonaro.

Tomemos apenas exemplos recentes dos jornalistas Eliane Cantanhede, do “Estadão”, e Ruy Castro, da “Folha de S. Paulo”. Eliane Cantanhêde é ótima quando escreve sem paixão. Ruy Castro é excelente quando escreve, por exemplo, sobre música popular.

Eliane Cantanhêde

Eliane Cantanhêde, no dia 3 deste mês, escreveu indignada crônica sobre a morte de jovens pisoteados à saída de um baile funk em Paraisópolis, na grande São Paulo. Infernópolis é o título da crônica. Todos devemos nos entristecer com essas mortes, mas, no seu texto, há afirmações como esta: “Ao se transformar em Infernópolis, Paraisópolis confirma várias certezas num momento em que os governos e um lado doentio da sociedade aprovam e estimulam armas, polícias violentas e matanças de criminosos a qualquer custo… A palavra de ordem vem do próprio presidente da República e de seus filhos, vai descendo para os governadores, atinge as secretarias de Segurança e, claro, chegam à ponta: os próprios policiais, que são pagos para defender vidas humanas e acabam virando ameaças à sociedade”.

Eliane Cantanhêde: críticas nada fundamentadas sobre violência e Bolsonaro | Foto: Reprodução

Não é honesto envolver o presidente Bolsonaro em tudo o que acontece de ruim, como andam fazendo. Eliane Cantanhêde defende o tripé de sustentação da política de Segurança dos governos de esquerda, de Fernando Henrique Cardoso a Dilma Rousseff: desarmamento do cidadão, vitimização do bandido e demonização do policial. A esse tripé correspondeu uma trindade de desastres: confiança do assaltante armado, crescimento das organizações criminosas (como CV e PCC) e desestímulo dos policiais. Sem falar no domínio dos presídios pelas facções criminosas.

Uma matemática Eliane Cantanhêde não pode desmentir, por muito que escreva bem: em 1985, tínhamos menos de 20 mil homicídios por ano. Começaram então os governos de esquerda, com Fernando Henrique. Ao fim do governo Dilma Rousseff, os homicídios eram quase 60 mil por ano. Medida de eficiência da Segurança esquerdista: triplicar o número de homicídios.

Em Paraisópolis morreram nove jovens pisoteados numa confusão, quando a polícia cumpria seu dever de coibir o uso de drogas. Nesse mesmo dia, ainda vítimas dessa política de Segurança equivocada (ou mal-intencionada) da esquerda, morreram, pelo Brasil afora, e não são lembrados na coluna, cerca de 150 pessoas assassinadas por assaltantes e traficantes. Matemática, simples matemática.

No dia 29 do mês passado, Eliane Cantanhêde escreveu uma coluna intitulada “Um espanto!” Criticou os auxiliares do atual governo. Falando do chanceler Ernesto Araújo (alvo preferencial da esquerda furibunda, a que a jornalista, faça-se justiça, embora parcial, não pertence) a colunista diz: “O embaixador júnior Ernesto Araújo virou chanceler depois de sabatinado pelo filho do presidente e jurar que é favor de Deus, da família e de Trump…”. Ser embaixador “júnior”, por ser novo na carreira, é desmerecedor? E ser sabatinado pelo filho do presidente, que é senador e ao Senado compete sabatinar, constitucionalmente — não é a coisa mais natural do mundo? Reconheço o direito à opinião alheia, mas eu veria o Chanceler com reservas — não poderia ser gente boa — se não respeitasse a religião e nem a família.

Ernesto Araújo admira o presidente Donald Trump, e isso é direito seu. Eliane Cantanhêde já mostrou preferir gente de esquerda. José Dirceu, para ela, tem biografia “exuberante”. Celso Amorim tinha uma política externa “ativa e proativa”. A exuberância da biografia de José Dirceu resiste a várias temporadas na cadeia por corrupção? Responda o leitor.

Quanto à política externa de Celso Amorim, vale outra aulinha de matemática, já ministrada aqui no Jornal Opção tempos atrás: o Brasil tem apenas 20 mil leitos de UTI. Precisa de mais 40 mil. Todos os dias morrem brasileiros — crianças muitas vezes — por essa deficiência. O dinheiro do trabalhador brasileiro “doado” a Cuba para o porto de Mariel daria, por si só, para construir todas as UTI que faltam ao Brasil, nos hospitais públicos e privados. Por aí se vê como foi ativa e proativa a política externa de Celso Amorim. Pelo menos para Cuba e outras ditaduras marxistas.

Ruy Castro: suas críticas a Bolsonaro passaram do limite | Foto: Reprodução

Ruy Castro

Ruy Castro escreveu livros admiráveis, como “A Estrela Solitária”, sobre Garrincha, e “Chega de Saudade”, sobre a Bossa Nova. Escreve artigos excelentes sobre cinema e música. Mas perde completamente o equilíbrio quando escreve sobre o presidente Bolsonaro.

Chego a pensar que Ruy Castro, que se diz alcoólatra regenerado, voltou a beber. No dia primeiro deste mês escreveu o artigo “Hemorragia Cultural”, que, de tão desrespeitoso com o presidente Bolsonaro, chega a ser desvairado.

Leia um trecho: “Tudo indica que, para Bolsonaro, que nunca abriu um livro em sua miserável vida, a cultura se resuma a shows de sertanejos ou novelas da TV Record. Talvez haja algo mais atrás de tanta boçalidade”. Desrespeitoso e preconceituoso. Estaria bêbado, para confundir as coisas? Porque quem nunca leu um livro e disso não faz segredo foi Lula, não Bolsonaro. Para chegar a capitão do Exército, esteja Ruy Castro certo, Bolsonaro leu muito. Ruy Castro é biógrafo. Mas perderia de 10×1 um debate com Bolsonaro sobre biografias de alguns brasileiros ilustres, como Caxias, Osório, Tamandaré ou Rondon. Estou convicto de que o presidente leu mais sobre história do Brasil do que o jornalista, que por sua vez deve saber mais sobre marxismo e história da União Soviética. E nunca, nunca é boçal ou tem uma vida miserável um militar que chegou a presidente da República, depois de ter passado décadas como deputado, sem manchas em sua honestidade. Vida miserável leva, por exemplo, quem vive e trabalha em Cuba, por mais dedicado e correto que seja, e por mais importante que seja a sua profissão. E música sertaneja, Ruy, é cultura. Autêntica cultura de nosso homem do campo, que trabalha, produz e equilibra as deficiências econômicas do País. Tão cultura quanto aquela das elites artísticas da zona sul carioca, que, aliás, já não devem produzir muito, desde que a Lei Rouanet ficou mais seletiva…

Leia outro trecho do artigo de Ruy Castro: “Neste momento, homens e mulheres de ciência e experiência comprovadas, com décadas de dedicação a instituições sérias e apolíticas, estão sendo alijados de seus cargos e substituídos pelas mais chapadas nulidades. Esta ocupação pela mediocridade está se dando na Biblioteca Nacional, na Fundação Casa de Ruy Barbosa…”.  Hum…

Homens e mulheres de ciência e experiência comprovadas? Levante o braço quem ganhou um prêmio Nobel ou um Oscar. Ou mesmo quem escreveu um artigo de peso aceito por uma revista científica séria. Instituições sérias e apolíticas? Como a Ancine: que patrocinou Bruna Surfistinha e “Lula, Filho do Brasil”?

Ruy Castro esqueceu de mencionar o Museu Nacional, nossa riqueza perdida graças à dedicação e eficiência dos responsáveis. O colunista deve saber o partido a que pertenciam os encarregados do Museu quando foi levado pelo fogo graças à “dedicação”. Não Ruy, isso que se faz, é substituição natural em cargos de confiança quando se muda um governo. Ninguém é dono do patrimônio público. E no caso atual, a substituição é benéfica, muito benéfica. Tem um nome: desaparelhamento. Sejamos mais respeitosos com o presidente. Nem Lula, o semianalfabeto, depois de comprovada sua corrupção, julgado, condenado e preso foi tão invectivado.

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