Não foi um brasileiro menos educado o responsável pela perda do dinamismo da nossa economia, mas a cultura socialista

Sem a mínima possibilidade de serem contestados, os defensores dos investimentos em educação podem defendê-la como um elemento importante para o desenvolvimento pessoal e nacional. Uma nação ou indivíduo sem boa educação levará desvantagem diante de outros com melhor nível. Tanto a educação formal, acadêmica, como a social adquirida na vivência, têm valores incontestáveis. O melhor investimento de um país ou de uma família é o destinado à educação. Não só em termos de retorno econômico, de satisfação pessoal, mas principalmente por ser o único patrimônio que, nos possíveis azares da vida, não se perde. Ninguém tira o que se sabe. Nada é mais eloquente para mostrar a consciência do valor da educação no desenvolvimento do que o sacrifício pessoal de uma multidão de estudantes, que trabalham de dia e estudam de noite. Este é um heroísmo que só se justifica pela importante contribuição dela para forjar o futuro.

No Brasil o ensino profissionalizante não está generalizado, limita-se ao Sesc, Senai e ao treinamento nas empresas

Entretanto, a educação por si só não é garantia de resultados. Basta olhar ao redor e ver exemplos de homens, em todas as profissões, com elevado nível educacional e rica vivência, que não exibem sucesso econômico; e países, como o Brasil, que investiram em educação, mas perderam a pujança. Nas últimas décadas, o país passou a fazer companhia à Argentina, que é mais educada hoje, mas menos próspera do que antigamente. Ambos os países copiaram modelos educacionais incompletos para satisfazer o   esnobismo dos novos ricos, dos imigrantes pobres, de dar um título de doutor para os filhos, em busca da ascensão social. Ao contrário da Alemanha, que a par dos cursos de excelência para uma elite, generalizou cursos profissionalizantes para uma mão de obra com vocação ao trabalho. Esta deu ensejo a uma próspera economia de pequenas empresas, melhorando a distribuição de renda e sendo o sustentáculo do poderio desenvolvimentista alemão. Na Alemanha, a erudição caminhou, passo a passo, com o conhecimento prático. Nela, os seus usos e costumes privilegiam uma cultura que gera o progresso. No Brasil o ensino profissionalizante não está generalizado, limita-se ao Sesc, Senai e ao treinamento nas empresas.

Se a educação é importante para o desenvolvimento, a cultura é fundamental. Cultura no sentido de usos e costumes, de valores éticos, morais e de civilidade. Sem uma ordem de valores que privilegie o trabalho, a poupança e o investimento; sem uma ética de respeito ao mérito; e sem o respeito à moralidade, nem o indivíduo e nem a nação prosperam. A confiança nas leis e na ordem é elemento fundamental para o desenvolvimento de um país.

O Brasil era predominantemente uma economia agrícola até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O café representava 70% das nossas exportações. As nossas importações iam desde trigo, arroz, frutas argentinas a produtos básicos industrializados. A agricultura e a indústria eram minimamente diversificadas.

Durante a guerra havia racionamento de sal, açúcar, trigo… Após, o governo Dutra liderou uma abertura na economia, a que se seguiu um “porre” de importações, devido a um câmbio artificialmente baixo, mas deu início à industrialização. Com esta, as cidades cresceram explosivamente, esvaziando os campos. O crescimento demográfico e a explosão da migração do campo para as cidades constituem-se em caso único no mundo.

O Brasil fez a proeza de acolher nas zonas urbanas 158 milhões de habitantes¹ em poucos anos. Um fenômeno migratório inédito no mundo, cujo ônus foram as favelas e a deterioração dos serviços públicos. Esta transição ocorreu sob a cultura de uma ética capitalista, onde imperou a meritocracia. O Brasil prosperou. Depois, na sequência, transitando para a ética do populismo-estatizante de inspiração peronista, do reino da mediocracia, do assistencialismo social, o Brasil estagnou. Com o governo inchado, esterilizando algo como metade do PIB, agravou-se a qualidade de vida. Não foi, porém, um brasileiro menos educado o responsável pela perda do dinamismo da nossa economia, mas a cultura socialista. O Brasil melhorou com o cultivo da meritocracia e está decadente com a cultura da mediocracia².

Notas

¹ Segundo o Censo, em 1940 a população brasileira era de 40 milhões, sendo 31% nas cidades. Em 2020, estima-se um total de 212 milhões, sendo 41 milhões no campo e 170 milhões nas cidades. Entre 1940 e 2020 as cidades absorveram aproximadamente 158 milhões de habitantes. População maior do que a Rússia e o México em 2020.

² Mediocracia , de medíocres. Governo dos medíocres.