Jorge Wilson Simeira Jacob
Jorge Wilson Simeira Jacob

Bolsonaro e Lula e a escolha de Sofia

Nenhum dos dois têm uma liderança na opinião pública que lhes dê legitimidade para as necessárias reformas do Estado

Imagine estar na situação da mãe, no famoso filme “A Escolha de Sofia” (baseado no romance de William Styron), tendo que escolher um dos filhos (uma menina e um menino) que deve ser enviado ao campo de extermínio nazista. Em situação similar estão os eleitores brasileiros na escolha do próximo presidente. Porém, enquanto Sofia ama igualmente os filhos, o eleitorado mais esclarecido não morre de amores por nenhum dos candidatos. Razões para isto existem. Nenhum dos dois encarna a figura de um estadista e, na prática, como já exerceram a Presidência, não mais podem apresentar-se como salvadores da pátria. São políticos da velha guarda. Não tem um projeto de desenvolvimento do país. Nenhum dos dois têm uma liderança na opinião pública que lhes dê legitimidade para as necessárias reformas do Estado. No histórico, Lula rendeu-se ao fisiologismo, corrompendo os partidos políticos, abrindo os cofres das estatais para a cupinchada local e internacional; e Bolsonaro dando poder ao Centrão. Tudo em troca de ganhos mesquinhos para os seus interesses eleitorais, no jogo pequeno do poder pelo poder.

Jair Bolsonaro e Lula da Silva: o eleitor está no pior dos mundos | Fotos: Reproduções

Como estamos próximos das eleições e sem nenhum outro candidato, que tenha despontado como um líder carismático, capaz de emocionar as massas, o desafio das sofias limita-se a escolha entre os existentes. Lula, segundo todas as pesquisas, desponta como o favorito. Aparentemente a condição de condenado pela justiça por corrupção e pelos adversários por desatinos administrativos, inclusive com a responsabilidade pela eleição da desastrosa presidente Dilma, não colou na sua imagem. Continua no imaginário das massas como um vendedor de esperanças. Com a falsa promessa de dias melhores.

Ao contrário, Bolsonaro tem como pecado capital ser um demolidor das esperanças. As suas contínuas campanhas contra tudo e contra todos, mesmo quando corretas, tingem negativamente a sua imagem como a de um eterno zangado. Além de não ter realizado nenhuma das reformas estruturais prometidas na campanha, ele não dá horizontes de dias melhores. A alegada justificativa de ter sido impedido pelos outros poderes, passam pela mente das pessoas simples como retórica de perdedor. Um presidente é eleito para liderar o executivo e conseguir o apoio dos outros poderes. Isto ele não conseguiu. Nem o ponto forte da sua eleição, o Posto Ipiranga, mostrou para o que veio. Ele, nem no seu quintal, o poderoso Ministério da Economia, fez qualquer desburocratização. Continua a ser um ministério de intervencionistas. Não será mais um avalista para uma futura presidência. Morreu na praia da propaganda enganosa.

A sorte também é um fator que tem peso no inconsciente popular. Lula é um sortudo, herdou boas condições do governo anterior e uma economia internacional favorável ao Brasil. Bolsonaro, é um azarão, recebeu uma herança maldita e, no maior tempo do seu governo, teve o Covid-19, cujas consequências são um desemprego monumental, a perda do poder aquisitivo e um nível desanimador nos negócios.

Uma eleição sempre é importante, mas ganha relevo quando acontece em situação econômica delicada em que vivemos. Defrontamo-nos não só com um desafio de curto prazo, mas fundamentalmente com a viabilização econômica do País. O Brasil está estagnado há décadas. A crença no futuro está abalada. Reformas estruturais são indispensáveis para criar condições ao desenvolvimento.

Infelizmente, nenhum dos dois candidatos reúne essas condições. Eles não têm uma visão idealista de governo e a determinação de um estadista. Culturalmente despreparados, só vêm as próximas eleições. Fazem política pela política! Nada além do usufruto do poder.  Justo agora que necessitamos de um líder com visão de futuro para a nação.  Lula é um vendedor de ilusões, o que seria útil no momento. Mas a longo prazo as suas propostas são o oposto do necessário para deixarmos de copiar a falida Argentina ou, pior, virar uma Venezuela. O populismo socializante, com o   aparelhamento do governo, a estatização e a leniência à corrupção, compromete o futuro. Não dá para ser otimista com dose dupla de nenhum dos dois! Restando aos ideológicos somente um voto plebiscitário, escolhendo entre   os mais quatro anos do conservadorismo   do Bolsonaro ou os possíveis oito do socialismo do Lula. As sofias anularão o voto, à espera de dias melhores…se o socialismo não se perpetuar.

Uma resposta para “Bolsonaro e Lula e a escolha de Sofia”

  1. Avatar Antônio Felipe disse:

    Nós restará clamar por Piedade aos céus…

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