A economia de escala refere-se à redução do custo médio de produção à medida que a quantidade de bens ou serviços produzidos aumenta, resultando em maior eficiência e competitividade.

Adam Smith, com a sua proposta da especialização, deu impulso à busca do aumento da produtividade (  economia de escala )  em todas as atividades humanas.

Ainda que a indicação original objetivasse as atividades econômicas, a ideia universalizou-se. A medicina, por exemplo,  a levou  ao limite segmentando os profissionais em partes do corpo humano ou da mente.

A disseminação da ideia fez o  mundo reordenar todas atividades econômicas priorizando as vantagens competitivas decorrentes das vocações regionais, o que resultou na globalização.

 A globalização tornou-se  um novo modus operandi, que revolucionou as relações entre nações e empresas. Produção, transporte e distribuição foram influenciadas pelas vantagens comparativas.

A concentração das atividades, segundo as vocações regionais ou humanas, trouxe como resultado produtos e serviços de melhor qualidade e menor preço, beneficiando o consumidor e gerando oportunidades.

O terroir francês permite uma qualidade de vinho a um preço inferior ao produzido na Inglaterra ou Suíça. É mais econômico comprar vinho da França  e vender a ela o que ela não produz.  As  vantagens são tão evidentes a ponto de superar o sentimento bairrista e as ideias ultrapassadas da fase do Mercantilismo.

Por uma generosidade da natureza, a grande maioria das regiões do mundo  tem uma vocação a ser explorada. O deserto de Nevada, nos Estados Unidos, descobriu ser a liberdade geral a sua vocação, que resultou nas Las Vegas, a maior renda per capita do país.

Ignorar as vantagens comparativas é nadar contra a correnteza. É desperdício econômico.

Como nenhuma região é autossuficiente , vivemos das trocas. Estas ensejaram a concentração das populações nas cidades. Quanto maior a população, maior a oportunidade de intercâmbio entre os seus habitantes. Mas, assim como os medicamentos têm efeitos colaterais, também a  tem o   crescimento populacional.

A deseconomia de escala

Enquanto, na fase inicial os benefícios da economia de escala beneficiaram os consumidores,  dando às populações produtos à preços acessíveis, a  evolução da medicina aumentou o tempo de vida. O resultado foi  a explosão populacional, que  concentrou-se  em  grandes metrópoles.

A população mundial , desde a revolução industrial, vem crescendo em alta velocidade. Países como China e Índia têm 1,5 bilhão de habitantes, cidades de milhões de habitantes  há centenas mundo afora. Esta superpopulação está cobrando a sua conta: 1 –  às pessoas — a queda da qualidade de vida pelo aumento da violência, trânsito congestionado, poluição geral e insociabilidade; e 2 – às empresas — escassez de insumos como água, energia, transporte e custo da mão de obra

A especialização e o  consequente aumento da produção, como a mudança do campo para as cidades, foram importantes conquistas, enquanto houve economia de escala. Depois de certo ponto, quando os custos aumentam mais  com a maior produção , há uma  deseconomia de escala. 

Os produtos ficam piores e mais caros; as cidades, enfrentam a deterioração das condições de vida: trânsito emperrado, pavimentação esburacada, custo elevado dos imóveis,  violência, poluição do ar, da agua e das áreas públicas.

Se as deseconomias de escala nas atividades empresariais encontram solução na transferência para outro endereço, outra região, na superpopulação, a solução é um decréscimo populacional. A atual tendência da queda da natalidade poderá ser o fim da atual deterioração da qualidade de vida nas cidades.

O preço a ser pago para a desejada melhoria da qualidade de vida, ensejada pela mudança demográfica,  será o custo do fim da atual bicicleta,  que gasta com a previdência hoje por conta do crescimento populacional.

Thomas Malthus* (1766-1834 ) tinha parcialmente razão, o aumento demográfico seria o fim da humanidade, não por falta de alimentos como ele profetizava, mas por uma superpopulação, uma deseconomia de escala,  que faria a vida inviável.

A atual deseconomia de escala sinaliza estar no fim a aposta no crescimento populacional.

*A teoria de Malthus, também conhecida como Malthusianismo, é uma teoria demográfica que postula que o crescimento da população humana tende a ser maior do que o crescimento da produção de alimentos.