Afonso Lopes
Afonso Lopes

Vitória de Marconi este ano zera processo estadual

Possível vitória do governador este ano abriria um leque de possibilidades políticas no Estado em 2018

conexao.qxd

Daniel Vilela, Vanderlan Cardoso, José Eliton, Ronaldo Caiado e Júnior Friboi: nomes que já despontam para a disputa de 2018 pelo governo estadual

No último domingo deste mês, dia 26, os goianos vão voltar às urnas para escolher entre Marconi Perillo e Iris Rezende. A se julgar por tudo o que aconteceu até aqui nas campanhas, e levando especialmente em conta a enorme diferença nas votações recebidas pelos dois candidatos no primeiro turno, Marconi é favorito absoluto para bisar seu mandato, o que o colocará imediatamente fora do processo eleitoral de 2018 diretamente. Ao contrário, caso Iris consiga a proeza muito pouco provável, de virar a eleição neste segundo turno, o próximo jogo sucessório poderá contar com todas as forças políticas atualmente envolvidas, inclusive com a participação palaciana de Iris.

Esse quadro, embora óbvio, está sendo levado em conta atualmente pelos principais personagens da política estadual. Iris tem o histórico de sempre recorrer a candidatos inusitados quando não concorre à reeleição. Em 1994, por exemplo, o favorito interno do PMDB era o então deputado federal Naphtali Alves. Ele era o preferido da esmagadora maioria dos prefeitos e vereadores do partido, mas Iris fez impor o seu desejo pessoal e indicou o então vice-governador Maguito Vilela à sua própria sucessão.

Mais recentemente, em 2010, quando disputou a reeleição como prefeito de Goiânia, o líder peemedebista influenciou internamente até o PT no processo de escolha de seu vice, selando a aliança entre os dois partidos com a indicação de Paulo Garcia. Essa opção de Iris em 2010 ficou ainda mais evidente na eleição municipal de 2012, quando Iris aniquilou politicamente o diretório metropolitano do PMDB, que pregava candidatura própria, e assegurou apoio à reeleição de seu aliado petista Paulo Garcia.

Essa característica de Iris, de apoiar candidatos à sua sucessão ligados pessoalmente a ele, significa que seria fortíssima a possibilidade de, no caso de uma vitória neste segundo turno, a fórmula ser repetida, caso não fosse ele próprio candidato à reeleição. É assim que ele sempre agiu em suas articulações políticas. É seu modus operandi.

Na outra trincheira está Marco­ni Perillo. Suas ações apontam exatamente na direção oposta à estratégia de Iris. Em 2006, quando terminou seu segundo mandato de governador e disputou a única vaga para o Senado que estava em jogo naquele ano, era clara a sua preferência pessoal por uma candidatura do PSDB, especialmente de alguns nomes ligados diretamente a ele, como Giuseppe Vecci ou o golden boy José Paulo Loureiro. Mas a manifestação de que o vice-governador Alcides Rodrigues também desejava se candidatar mudou o jogo completamente. Marconi recuou e passou a apoiar a pretensão de Alcides.

Antes disso, nos processos de escolha dos candidatos a prefeito de Goiânia dentro da base aliada comandada por ele, Marconi jamais impôs o seu candidato. Em 2000, ele trabalhava de comum acordo com o então prefeito Nion Albernaz, que não quis disputar a reeleição. A então deputada federal e hoje senadora Lúcia Vânia não era o nome preferido por Nion, mas acabou sendo ungida graças ao trabalho de pacificação realizado por Marconi com a ala nionista.
Em 2004, os nomes do Palácio das Esmeraldas para a Prefeitura de Goiânia eram o do ex-peemedebista Barbosa Neto e Jovair Arantes, do PTB. Não deu nem um nem outro. Marconi, para compor a chapa aliada majoritária, acabou aceitando e apoiando Sandes Júnior, do PP.

Essa diferença de atuação política entre Marconi e Iris também está em jogo neste segundo turno. Das urnas deste ano já saíram nomes bastante expressivos para o mercado especulativo da sucessão de 2018, como o deputado federal Daniel Vilela, a grande estrela peemedebista e ainda em ascensão, o senador eleito Ronaldo Caiado e Júnior Friboi, que jamais esconderam seus sonhos de governar o Estado. Além desses, 2018 também poderá ver novamente na disputa Antônio Gomide, do PT, que mesmo derrotado permanece na crista da onda estadual petista, e Vanderlan Cardoso.

A reeleição de Marconi neste segundo turno, que tem todos os ingredientes para se concretizar, evidencia essa clara tendência de abrir o leque de opções para 2018, incluindo também o vice-governador José Eliton. Com Iris, o jogo da sucessão não teria esses contornos evidenciados, inclusive porque não estaria previamente descartada a sua própria possibilidade de reeleição. Além, é claro, de significar maiores e imediatas dificuldades para uma candidatura inserida no grupo Vilela, leia-se Daniel.

Tudo o que se coloca nesta Conexão exerce natural influência na composição de alianças neste segundo turno. Pode-se alegar que os processos sucessórios atual e futuro são composições distantes um do outro, mas não é exatamente dessa forma que o mundo político se comporta. As bases das futuras disputas são montadas com antecedência, e é isso também que está em jogo este ano. E é exatamente dessa forma que se percebe e entende melhor as negociações e acordos feitos agora. Para além das aparências e posicionamentos políticos assumidos para o grande público, uma renhida luta por situações futuras também está em curso neste segundo turno.

Deixe um comentário