Afonso Lopes
Afonso Lopes

Vecci ou Anselmo?

Sempre esperada, a saída do deputado federal Waldir Soares do PSDB foi confirmada. Partido tem agora que decidir entre candidaturas do deputado e do vereador. Quem tem mais condições de vencer as prévias?

Vereador Anselmo Pereira: majoritário nas bases Deputado Giuseppe Vecci: força com os históricos

Vereador Anselmo Pereira: majoritário nas bases
Deputado Giuseppe Vecci: força com os históricos

Como esperado há meses, o delegado de polícia e deputado federal Waldir Soares confirmou que o PSDB está completamente fora de seus planos políticos. Ele entende que dentro do partido não tem chances de vencer as prévias internas que vão decidir o nome do candidato tucano à Prefeitura de Goiânia. Ele tem razão para pensar assim? Tem, sim, mas não pelos motivos que ele aponta.

Waldir acusa a cúpula partidária, o comando palaciano e o exercício do poder na Câmara Municipal como fatores que desequilibram essa disputa. Não faz nenhum sentido. Cada uma dessas ações e posições são absolutamente normais de democráticas nas disputas políticas. E é exatamente para “medir” esses apoios que os partidos optam por prévias. O problema de Waldir é que ele não tem nem vivência política nem convivência partidária para angariar apoios de tal forma que consiga derrotar os demais companheiros internos. O único critério que ele entende ser aceitável é o das pesquisas de opinião. Quem é mais popular deveria ser escolhido, entende, em resumo, Waldir Soares.

É óbvio que para vencer uma eleição é fundamental conquistar apoio popular. Mas nem sempre – ou quase nunca, pra ser um pouco mais rigoroso na análise — um case de sucesso em uma eleição consegue repetir o êxito na disputa seguinte. Para ficar em dois exemplos marcantes da vida pública goianiense em situações semelhantes, basta relembrar a primeira eleição após o retorno das diretas para prefeito, em meados da década de 1980, e mais recentemente 2004.

Em 1985, o então deputado estadual Daniel Antonio vinha em marcha batida para ser consagrado nas urnas goianienses com quase 90% de apoio popular. Venceu, mas por muito pouco. Durante a campanha, o então desconhecido professor universitário Darci Accorsi (falecido) saiu do nada vírgula nada e quase ganhou dele. Em 2002, a jornalista Rachel Azeredo foi campeã de votos para Assembleia Legislativa. Dois anos depois, ao tentar a Prefeitura de Goiânia, acabou em quinto lugar, o último entre os principais candidatos.

Waldir deve se abrigar em um partido menor para não ter que enfrentar qualquer forma de disputa interna., mas pode estar cometendo um erro ao sair do PSDB atirando contra tudo e todos. Em um eventual segundo turno, caso consiga confirmar candidatura e manter expectativa de vitória durante a campanha, talvez ele tenha que correr atrás de apoio exatamente no ninho “ensanguentado” que ele está agora deixando.

E o PSDB, fica melhor sem Waldir? Claro que não. Embora sem vivência política e sem convivência interna, o delegado representava um quadro de massa em um partido rico em quadros. Sob qualquer ponto de vista, e partindo desse prisma, o PSDB perde bastante com a saída dele, mas a vida terá que continuar.

Pelos nomes colocados, e se não houver uma reviravolta realmente impactante, a parada tucana será decidir entre o deputado federal Giuseppe Vecci e o vereador e presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Anselmo Pereira. Quem leva? Não é fácil prever. Vecci tem o apoio importantíssimo dos chamados históricos do PSDB. Esse setor exerce uma influência extraordinária dentro nas decisões do partido, e representam o melhor do pensamento partidário. Anselmo é muito mais base do que cúpula. É lá, na base do PSDB, que ele nada de braçada.

São características pessoais de atuação interna que, no final, tendem ao equilíbrio. O apoio dos históricos, grupamento vital do partido ao qual ele próprio pertence, é o que mantém o nome de Vecci em evidência interna. O apoio na base, na massa, é o fator que diferencia Anselmo, e o faz competitivo. Não há como Anselmo angariar apoios entre os históricos ao ponto de abalar o prestígio de Vecci, mas também não tem jeito de Vecci conquistar alguma coisa no reino de Anselmo.

É dentro desse equilíbrio que a situação vai ser decidida. Qualquer que seja o nome escolhido pelos tucanos goianienses, a eleição deste ano não será nada fácil. Se o PMDB atacar com o favorito Iris Rezende, e o PTB, com Luiz Bittencourt, PSD, com Virmondes Cruvinel, PSB, com Vanderlan Cardoso, mais o deputado Waldir em algum outro partido, vão ser nada menos que seis grandes candidaturas, sem contar aí a possível imprevisibilidade de uma candidatura do PT. Sobreviver a isso e sair vitorioso na outra ponta será épico. Que bom!

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