Afonso Lopes
Afonso Lopes

Vecci entra no jogo

Ao confirmar que está disposto a se candidatar a prefeito, o deputado tucano imediatamente foi acolhido pelos setores históricos do PSDB

Deputado federal Giuseppe Vecci: a chegada dele à disputa acrescenta qualidade ao debate

Deputado federal Giuseppe Vecci: a chegada dele à disputa acrescenta qualidade ao debate

Para quem começou o processo como que tateando, até que o ímpeto do deputado federal Giuseppe Vecci de disputar as prévias no PSDB e se candidatar a prefeito de Goiânia é surpreendente. Aparentemente, nem ele próprio percebeu a princípio que a desistência do presidente da Agetop, Jayme Rincón, abriu um vácuo nesses setores do tucanato, e lhe abriu as portas de imediato.

A chegada de Vecci à disputa certamente acrescenta qualidade ao debate que será travado na disputa pelos votos. Até as eleições de 2014, ele era o principal coordenador do núcleo pensante do marconismo, e herdou uma linha de atuação que amadureceu no santillismo, principal berço de origem do grupamento mais numeroso e importante do PSDB de Goiás. Desde 1999, tornou-se inconcebível pensar a administração estadual sem embasados planejamentos técnicos. Vecci esteve à frente desse trabalho o tempo todo, e é natural que se veja a ele como a um técnico que se tornou político.

Em 2014, uma conjunção de fatores acabou por empurrá-lo para a disputa eleitoral. Curiosamente até, ele demonstrou que sabe planejar também as ações da campanha. Sua trajetória como candidato seguiu um roteiro absolutamente seguro e sem sobressaltos. É o que se espera dele agora, tanto internamente, nas prévias definidas pelo comando do partido em Goiânia, como nas urnas que valerão uma permanência mínima de quatro anos no principal trono político das cidades goianas, localizado no 5º andar do Palácio do Cerrado Venerando de Freitas Borges.

Caso se confirme essa percepção de que Vecci irá vencer as prévias do PSDB, o cenário da disputa pela Prefeitura de Goiânia vai ganhar bastante na diversidade do perfil dos candidatos. Vá lá que ele e o petebista Luiz Bittencourt têm uma linha de discurso bastante técnica, mas as diferenças entre ambos são imensas. Bittencourt consegue povoar a tecnicidade de seus argumentos com um pé na rua de terra. Vecci é mais cerebral, e provavelmente encontrará mais dificuldade para impregnar o discurso com algumas doses.

Na outra ponta dessa linhagem de discurso mais embasado está o ex-prefeito de Senador Canedo e candidato derrotado ao governo do Estado em 2010 e 2014, Vanderlan Cardoso, do PSB. Dono de um bom império empresarial, ele costuma entoar um ritmo técnico-político, mas sem se firmar nem em um aspecto nem no outro. Isso agrada bastante a uma parcela do eleitorado, mas até agora ele tem escorregado na fase de composição de alianças. Isolado, ele acaba pregando num deserto.

Além desses três, Iris Rezende e o deputado federal e delegado de polícia Waldir Soares devem compor a linha de frente da sucessão deste ano. E é briga de gente grande no segmento em que eles atuam em termos de comunicação. É um discurso popular e, em alguma medida, também populista. É o tipo da coisa que não costuma agradar os setores pensantes da sociedade, mas que é muito bem recebido pelas massas.

O recado é sempre curto e direto no campo emotivo do eleitor, e essa forma de comunicação de Waldir tem uma questão bastante séria para resolver. Formal-mente, ele é filiado ao PSDB e deve disputar as prévias do partido. Se perder, o que não seria nenhuma supresa, ele promete abandonar o ninho e buscar abrigo em outro partido. E aí surge uma outra dificuldade: a coligação. Uma coisa é disputar mandato de deputado federal. Outra, bem diferente, é encarar um cargo no Executivo. Se Vanderlan até hoje não conseguiu formar uma coligação bem estruturada, Valdir terá que tirar não um, mas dúzias de coelhos de alguma cartola. De qualquer forma, seu discurso é exatamente na mesma trilha sonora de Iris Rezende. A diferença é que Iris já tem uma imagem consolidada como administrador público, resultado de uma longa e vitoriosa carreira política. Sem computar que o peemebista, além de iniciar a campanha com excelente perspectiva de poder, sabe como construir uma aliança que lhe permita um bom tempo de palanque eletrônico.

Independentemente de outras candidaturas, esses cinco nomes são bastante significativos. Provavelmente, no conjunto, jamais se ofereceu tanta qualidade para a opção final do eleitorado goianiense. Vecci acrescentou nesse leque de ofertas, e pode resgatar o orgulho do PSDB goianiense nesse sentido. Desde 1996/2000 o partido não vai para uma eleição com o setor histórico pacificado e unido.

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