Afonso Lopes
Afonso Lopes

Vanderlan, o passageiro da agonia

A candidatura de Vanderlan Cardoso, sem a inclusão de Iris Rezende, está em segundo lugar nas pesquisas. Esse é o drama dele: e se Iris for candidato?

Ex-prefeito e candidato ao governo Vanderlan Cardoso: de 2010 pra  cá ele perdeu aliados | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Ex-prefeito e candidato ao governo Vanderlan Cardoso: de 2010 pra cá ele perdeu aliados | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O ex-prefeito de Se­na­dor Canedo e candidato derrotado ao governo do Estado em 2010, Vanderlan Cardoso, vive uma situação absolutamente inusitada no atual quadro eleitoral. Em todas as pesquisas feitas até aqui, seu nome aparece em segundo lugar, atrás apenas do líder Marconi Perillo. Mas há uma condicionante: isso só ocorre sem a presença do ex-governador Iris Rezende. Com Iris, ele cai para uma distante terceira posição, a mesma em que terminou a eleição de 2010. Em ou­tras palavras, sem Iris Vanderlan melhora a própria perspectiva de começar a campanha como principal opositor. Com Iris, ele definha. E como não é ele quem di­rige o PMDB, Vanderlan passou a ser um passageiro. Da agonia.

É um caso inusitado porque Vanderlan vai de zero a cem instantaneamente. Uma realidade positiva para ele sem a presença de Iris, e um quadro radicalmente oposto quando o experimentado peemedebista aparece no cenário. Ou seja, de protagonista das oposições ele passa a ser mero coadjuvante. Não é toda hora que se vê uma situação como essa.

Se esse já um tremendo problema para as pretensões de Van­der­lan, não é o único. Até agora, ele diz que é o único candidato já definido porque só depende da vontade dele próprio – Marconi ainda não anunciou se será ou não candidato à reeleição, Antônio Gomide viverá até o final de junho – prazo final para as convenções – sob a ameaça velada de ser obrigado a recuar diante de acordo nacional PT/PMDB, e Júnior Friboi e Iris Re­zende travam guerra interna para ver quem sobrevive ao processo de afunilamento interno. E mesmo sendo o tal único candidato já definido, Vanderlan não conseguiu agregar um único partido a mais na sua minúscula coligação, que inclui o seu PSB, o PSC, que ele também domina, e o PRP, do ex-secretário da fa­zen­da no governo Alcides Ro­dri­gues, Jorcelino Braga. Nada além disso. Aliás, numa visão mais rigorosa do processo, ele perdeu o PDT, do casal George Morais e deputada federal Flávia Morais.

Não há como evitar uma comparação da coligação erguida por Vanderlan agora e aquela que o apoiou em 2010. De lá pra cá, ele perdeu o PP, PDT, PR, PTN, PSDC e PV. A única coisa que ele manteve foi o recall de sua votação, que chegou a 16,6% dos votos válidos. Quando Iris e Mar­coni são pesquisados, Vanderlan soma 17,8% das intenções de voto válidas (pesquisa Fortiori).

O que significa isso? Que a­lém de lançar uma chapa reduzida e menos competitiva de candidatos a deputado estadual e deputado federal, Vanderlan Cardoso vai ter um exército eleitoral com menos soldados do que teve em 2010 para pedir vo­tos para ele. Sem falar na brutal re­dução que terá também num dos principais trunfos de qualquer campanha atualmente, que é o tempo no rádio e na televisão.

Nesse ponto, a análise sobre as chances da candidatura dele ao governo abre duas vertentes. A primeira, com óbvio impacto inicial, conforme as pesquisas estão mostrando atualmente, sem Iris Rezende. A possibilidade de iniciar a campanha à frente de Jr Friboi e Antônio Gomide é o melhor dos mundos para Vanderlan, mas ainda assim ele terá problemas.

Diante de tudo o que o próprio Friboi já gerou de perspectiva sobre financiamento de campanha para os que estiverem do seu lado, Vanderlan teria que abrir o cofre pesadamente para ampliar o leque de apoios que ele tem hoje. Dinheiro ele tem. Muito, mas o cofre dele diante do dinheiro que Friboi diz estar disposto a torrar é mais ou menos como um cofrinho de moedas poupadas por adolescentes com bons hábitos financeiros. Não dá pro cheiro. Friboi tem muito dinheiro. Mas muito mesmo, e tem prometido mundos e fundos para os partidos que se aliarem a ele.

Com Iris na jogada eleitoral, e sem Friboi, o poder econômico de Vanderlan pode se tornar bastante representativo. O problema é que ele não costuma abrir “as burras” com tanta facilidade. Aliados de 2010 dizem que ele empurrou para o governo de Alcides Rodrigues uma porção de compromissos que envolviam apoio financeiro de campanha dos aliados. Muita gente ainda reclama disso. Além disso, a perspectiva de poder despencaria com a concorrência de Iris, e isso afastaria de vez qualquer possibilidade de ampliação de sua rede de apoio.

E o que pode livrar a candidatura de Vanderlan Cardoso de perspectivas futuras tão sombrias diante de um quadro atual tão positivo — segundo ou terceiro lugar nas pesquisas? Há duas alternativas: negociação com outros candidatos ao governo ou uma improvável disparada nas pesquisas. Além do imponderável, é claro. Em se tratando de eleições sempre é bastante razoável levar em conta o imponderável. Mas qual fator que não há como ser analisado por falta de parâmetros reais que poderá quebrar uma possível e factível previsão pessimista de futuro imediato? Vai saber… É imponderável, ué.

Deixe um comentário