Afonso Lopes
Afonso Lopes

União no 1º ou só no 2º turno?

Com naturais dificuldades para aglutinar internamente as candidaturas de Ronaldo Caiado e do deputado Daniel Vilela, oposicionistas podem mudar estratégia para 2018

Qual é a melhor estratégia para disputar o governo do Estado contra a base aliada estadual? A maioria dos oposicionistas responde a essa pergunta sem pensar duas vezes: lançando apenas um candidato ao governo, com a união dos partidos imediatamente. Quando se faz a segunda pergunta, a coisa fica bastante complicada: como unificar as candidaturas sem com isso deixar sequelas e descontentamentos? Ninguém sabe, até porque nunca existiu uma fórmula pronta e acabada para se encontrar o caminho para esse tipo de conciliação política de interesses diversos. Aliás, se consenso fosse algo simples de se obter, nenhum partido precisaria recorrer, vez ou outra, às prévias. Se nem dentro dos partidos a unidade é fato tranquilo, dá para imaginar o tamanho da encrenca quando a união envolve dois ou mais partidos.

É esse o caso atual no eixo oposicionista principal de Goiás, constituído pelo PMDB, partido com a maior capilaridade no Estado, e DEM, sem grande presença nos municípios, mas com um político que sempre esteve entre os mais votados. O peemedebista Daniel Vilela e o democrata Ronaldo Caiado trabalham para ser, um deles, o ungido das oposições para a disputa do governo, em 2018. Em tese, não há nada de errado nisso. O momento político é exatamente favorável para que se atue internamente na busca de apoios. Em meados do ano que vem, quando chegar o momento de definição oficial, aí, sim, vai se ter uma ideia de quem trabalhou melhor, e somou mais.

Na prática, essa disputa entre “parceiros” de trincheira pode não ser exatamente um mar de altruísmo e desprendimento. No mundo político, ninguém abre mão de posições se puder se manter. Mesmo quando o “colega” do lado apresente melhores condições. É por essa razão que a união jamais é algo simples e corriqueiro. Ao contrário, é uma disputa pra valer. Interna, é verdade, mas enquanto objetivo, o sentido é idêntico ao da campanha eleitoral: derrotar o adversário.

Ainda é cedo para saber se essa disputa entre Ronaldo Caiado e Daniel pode se tornar agressiva entre eles e entre os apoiadores de um e do outro. É possível perceber que o clima entre eles já foi melhor, mas não é o caso de se afirmar que degringolou de vez. Há frases aqui e ali que indicam aumento de temperatura, mas a panela ainda não da sinais de pressão. Mas essa é, sim, uma possibilidade. Não seria a primeira vez que o afunilamento escapou da disputa interna cordial para a pauleira pura e simples. Aliás, isso é o que mais acontece especialmente quando não há lideranças neutras com força suficiente para jogar água na fervura. É este o caso.

O prefeito Iris Rezende e o ex-prefeito de Aparecida, Maguito Vilela, demonstram isso claramente. Ambos têm liderança interna suficiente para atuarem como bombeiros. O problema é que os dois estão profundamente ligados aos candidatos. Iris é o principal aliado da candidatura de Ronaldo Caiado e Maguito, obviamente, é o grande articulador por trás de Daniel Vilela, seu filho e herdeiro político. Falta-lhes, portanto, isenção para dar pitacos e eventuais puxões de orelha em um ou em outro candidato ou apoiador. Eles podem, quando muito, apaziguar dentro de seus grupos, mas só vão agir dessa forma se isso for, de alguma maneira, beneficiar o candidato que eles apoiam.

Por fim, caso o quadro não se modifique substancialmente, é provável que o principal eixo oposicionista em Goiás confirme os dois candidatos no primeiro turno. Esse argumento ainda não foi utilizado por ninguém até aqui, mas se o funil se tornar estreito demais ao ponto de rachar, certamente surgirá a tese de que as duas candidaturas não deixam de ser uma estratégia a ser levada em conta porque certamente favoreceria a realização de dois turnos. Com uma só candidatura contra o candidato governista, a tendência seria de vitória de um ou de outro já no primeiro turno.

Inicialmente, essa possibilidade, de compromisso de unidade oposicionista somente no segundo turno, provoca arrepios e sentimento negativo em todos os oposicionistas. O ideal, dizem unanimemente, é união e lançamento de um só candidato desde o primeiro turno. Considera-se que essa é a única chance de derrotar o governo. Mas deve-se considerar uma máxima inquestionável: a política é sempre a arte do possível. Neste momento, conforme se vê, é absolutamente improvável que Daniel ou Caiado abra mão em favor do “rival”. Esse eixo da oposição tem ainda bastante prazo para contornar as dificuldades e encontrar alguma fórmula que transforme a disputa em união. Não será fácil. Nunca é, mas também não é impossível.

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