Augusto Diniz
Augusto Diniz

Um Dia das Mães diferente. Para quem?

Movimento em lojas de Campinas aumentou no sábado, 9, isolamento social no Estado caiu para índice abaixo de 38% e muita gente vai visitar parente hoje

Hoje é dia de escolher: vamos guardar a vontade de matar a saudade de nossas mães para preservar a vida daqueles que amamos ou é melhor o abraço hoje sem saber como será o amanhã sem elas? | Foto: Reprodução

Neste domingo, 10, como todo mundo já sabe, comemoramos o Dia das Mães. Geralmente saímos de casa para comprar um presente como forma de lembrar de uma das pessoas que mais amamos. Mas será que vale a pena colocar a vida dela em risco porque estamos com saudade do abraço e de passar mais tempo perto logo agora, quando não sabemos como será o amanhã?

Para muita gente, ficou nítido que a preocupação com o próximo não existe. Com toda a informação disponível dos riscos de transmissão do novo coronavírus mesmo sem manifestação de sintomas – basta apenas falar perto de alguém -, uma multidão foi às compras ontem nas ruas e avenidas de Campinas, em Goiânia.

Isso um dia depois da fiscalização municipal de sexta-feira, 8, que multou e fechou lojas que funcionavam em descumprimento ao decreto da Prefeitura de Goiânia que estabeleceu medidas de prevenção, segurança e restrição às atividades econômicas.

Todos entendemos. A rotina de só sair de casa para ir ao trabalho, fazer a compra da semana no supermercado, passar na farmácia ou encarar a fila da Caixa atrás do auxílio emergencial de R$ 600 que ainda não foi liberado na conta é cansativa. O tédio bate, dá vontade de ir para a rua, fazer uma caminhada, visitar os parentes. No Dia das Mães então!

Irresponsabilidade

É por isso que temos notado a irresponsabilidade falar mais alto do que a prudência. Presenciei vizinhos em uma festa madrugada adentro felizes a cantas. Devemos deixar de comemorar a vida? Jamais. Mas se há um risco, que não é pequeno, de colocar amigos e parentes em leitos de hospitais ou, no pior dos casos, em caixões, pela gravidade da Covid-19, por que eu pensaria só em mim e faria tudo o que estou com saudade?

Sim. A vida está momentaneamente diferente. Menos saudável, mais virtual, menos próxima, mais fria, distante, impessoal, sem necessidade de trocar de roupa para trabalhar ou pentear o cabelo para receber uma visita. Até porque ninguém com o mínimo de consciência vai tocar sua campainha ou interfone. No máximo fará uma ligação de vídeo no celular ou alguma plataforma de comunicação na internet.

A taxa de isolamento em Goiás, que já esteve acima dos 60%, terça-feira, 5, chegou ao seu pior nível, 37,3%. Podemos dizer que quase tudo voltou à normalidade. Quando poderemos voltar a nos reunir com parentes ou amigos? O quanto antes desde que acatemos as recomendações dos profissionais da saúde e dos cientistas, que têm trabalhado para tratar os casos mais graves da Covid-19 e avançar nas descobertas, efeitos e possíveis tratamentos para o novo coronavírus.

Visita na hora errada

Não é a hora de ir até a casa da sua mãe colocar a sua vida e a dela em risco. Se você vai sair hoje para visitar aquela pessoa que você mais gosta para almoçar junto e entregar um presente, provavelmente você tem mais de 25 anos. O que significa que sua mãe tem no mínimo mais de 40.

Se seu filho, que não faz parte dos pouco mais de 300 mil brasileiros submetidos a testes do novo coronavírus – alguns deles com até 75% de falha nos resultados negativos -, estiver com a Sars-CoV-2 no corpo, mas não manifestou sintomas, aquele abraço no avô ou avó pode ser fatal.

Será isso que levará seu ente querido embora? Não sei. Mas pode ser. Que tal evitar? É triste, dói, dá saudade, mas é melhor ver sua mãe hoje pela tela do celular do que não poder nem ir ao velório daqui poucas semanas.

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