Afonso Lopes
Afonso Lopes

Quem será o novo líder do PMDB?

Nomes até que há, mas é difícil saber quem reúne condições de comandar o partido após sucessivas derrotas

Iris Rezende: o peemedebista-chefe tem lugar garantido na galeria histórica dos grandes políticos e gestores de Goiás. Mas deixou se ser contemporâneo dos goianos atuais, fala  para eleitores que só existem em sua imaginação passadista e se tornou pouco realista | Fernando Leite/Jornal Opção

Ex-prefeito Iris Rezende: sem ter preparado uma liderança no partido e com menor poder de influência | Fernando Leite/Jornal Opção

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De quem será o PMDB em um futuro próximo, ou quem vai ter maior influência sobre o que restou do outrora maior partido de Goiás, mas que ainda é uma força político-eleitoral que rivaliza com o PSDB? Não é fácil responder a essa pergunta. Candidatos não faltam. Nem dentro e nem fora do partido. Sandro Mabel, o milionário empresário que deixa o mandato de deputado federal no início do ano que vem é um deles. Júnior Friboi, bilionário, também é carta nesse baralho. Até Ronaldo Caiado, com seu ainda por estrear mandato de senador conquistado nas eleições deste ano, se arrisca nessa seara peemedebista através de aliança com o seu DEM. Por fim, sempre se deve levar em conta outros dois grupamentos: os velhos iristas e o maguitismo.

Desses cinco setores, talvez o mais distante da meta seja o que reune os remanescentes do velho irismo. Por uma razão óbvia: o grupo não tem um líder carismático o suficiente para se destacar na multidão, e aí se torna uma luta inglória. Iris Rezende está se afastando aos poucos, queira ele ou não, sem ter indicado um sucessor, e esse parece um caminho sem volta. É questão de tempo, mas é certo que o irismo, enquanto força hegemônica no PMDB de Goiás, será definitivamente superado.

Grupo por grupo, muito mais expressivo é aquele formado a partir do prefeito Maguito Vilela, de Aparecida de Goiânia. Há vários integrantes de peso e com representação suficiente para liderar o PMDB, mas esse também pode ser um problema: onde há muitas opções, geralmente não se tem nenhuma. A escolha natural deveria ser o próprio Maguito, mas ele parece um pouco alheio a tudo isso neste momento, e não se sabe se topará a briga pelo comando do PMDB.

Outros dois nomes integrantes desse grupamento também conquistaram espaços importantes. O primeiro deles é o de Daniel Vilela, deputado federal eleito, e ainda deputado estadual. Talvez seja ele hoje o maguitista com maior expressão estadual. O segundo grande destaque do grupo é o prefeito Humberto Machado, do PMDB. Em toda a região Sudoeste do Estado, sua influência é destacada, mas fica nisso. Ele jamais trabalhou projeção política para além dessa fronteira.

Sandro Mabel sonha herdar o espólio de Iris Rezende no PMDB. É sonho de consumo de quem tem bolso grande o suficiente para bancá-lo. A questão é se ele estaria disposto a abrir essa carteira para apoiar os candidatos oposicionistas, por exemplo, nas eleições municipais de 2016. Pelo histórico dele, a resposta é não. Como liderança política, seu grupo é apenas pessoal, não transborda para além das margens. O único atalho que Mabel poderia trilhar é ganhar apoio do grupo dos velhos iristas. O problema nesse caso é como fazer isso. Mabel já circulou demais por outros partidos. Os velhos iristas não costumam perdoar perfis políticos com essa característica.

O grande enigma passa a ser então o empresário Júnior Friboi. Ele tem bala na agulha para seduzir legiões, mover montanhas e transpor abismos. A questão, pelo menos com as cinzas ainda quentes por mais uma derrota do PMDB estadual, é se ele conseguirá se explicar internamente perante o pelotão de fuzilamento irista. Seu apoio declarado no segundo turno à reeleição do governador Marconi Perillo pode ter efeito imprevisível entre os peemedebistas tradicionais, que embora desgastados, sem força e sem muitas opções, ainda conseguem vetar. Se não completamente, pelo menos ao ponto de criar constrangimentos.

Por último, há o senador eleito Ronaldo Caiado. Sua atuação na campanha agradou os peemedebistas, embora na prática esse agrado não tenha resultado em votos a mais para Iris Rezende. Além disso, ele é do DEM, e não do PMDB. Nesse caso, ele teria que estabelecer uma linha de atuação conjunta entre os dois partidos, o que não é uma ideia tão maluca como pode parecer à primeira vista. O PMDB será, e de certa forma já vem sendo, paparicado pelo PT local, mas é um jogo bastante difícil. Para boa parte dos peemedebistas mais radicais, a intransigência do PT ao lançar candidatura própria ao governo criou obstáculos para a ampliação da aliança de Iris Rezende. Um jogo de reaproximação como esse, consequentemente, vai demandar muita conversa, e talvez até alguns cargos em Brasília. Ou seja, o PT local não consegue oferecer muita coisa para o PMDB neste momento, e contar com o governo federal é sempre muito complicado, até pelo esforço que a presidente Dilma Roussef terá que fazer para manter sua base no Congresso.

Enfim, o gigantesco PMDB goiano dos anos de 1980 e 1990 não existe mais. Mas o partido continua sendo uma das duas grandes forças políticas do Estado, ao lado do PSDB de Marconi. Em capilaridade, talvez até consiga rivalizar à altura dos tucanos, mas não tem mais a mesma disposição e condições de luta. Como não se reoxigenou antes, agora terá que passar por uma boa reciclagem. E isso significa que qualquer coisa daqui em diante deve ser levado em conta. Inclusive no que se refere ao próprio posicionamento do partido. O PMDB é oposição? É, mas não com todas as suas células e membranas. O PMDB poderá vir a ser governista? Poder, pode, mas também não seria inteiramente. Ou seja, se um lado ou para o outro, o PMDB tem divisões importantes. A reciclagem terá que mudar muita coisa internamente. E isso só se consegue com uma liderança respeitada por todas as alas. Mas, quem?

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