Afonso Lopes
Afonso Lopes

Próximo prefeito ou provável vexame?

O fenomenal desempenho do deputado federal Delegado Waldir, como prefere ser chamado, chama a atenção, mas gera dúvida: ele é uma certeza consolidada ou um sério candidato a desempenho vexatório nas urnas de outubro?

Deputado Delegado Waldir: incógnita como candidato a prefeito

Deputado Delegado Waldir: incógnita como candidato a prefeito

O mundo político não ficou tão surpreso em relação ao ótimo de­sempenho do deputado federal e delegado de polícia Waldir Soares nas pesquisas realizadas pelo Instituto Paraná/TV Record-Goiás e pelo Serpes/O Popular. Em ambos os levantamentos, Waldir aparece empatado na liderança com ninguém menos que Iris Rezende, sempre a grande referência em relação ao eleitorado goianiense. Mas, como assim não houve surpresa? Todos os grandes partidos já sabiam disso através das suas próprias pesquisas, realizadas de tempos em tempos, e não publicadas, para consumo interno. Ele sempre esteve ali, muito próximo de Iris, embora esse fato só agora, com a divulgação das duas pesquisas, tenha chegado ao grande público.

Surpresa portanto apenas para o, digamos aqui, mundo civil. Há, inclusive, um momento recente que dá a exata dimensão desse conhecimento prévio em nível partidário sobre a forte presença do nome de Waldir Soares no eleitorado. Ao enfrentar dificuldades para se consolidar como candidato no PSDB, choveram convites para ele dos demais partidos. O PR, da deputada federal Magda Mofatto, levou a me­lhor nessa disputa. Mas qual o interesse da Magda, cuja principal base eleitoral é Caldas Novas, na eleição de Goiânia? Ela quer ser candidata ao Senado em 2018, e se conseguir fincar a bandeira do PR na capital, ajudando assim a base aliada estadual a derrubar o mais poderoso e consistente bunker do PMDB goiano, certamente ganhará direito à cadeira especial na montagem das chapas de 2018, com ela própria podendo bancar seu nome para uma das duas vagas para o Senado.

A grande pergunta é se Waldir Soares é mesmo uma grande aposta para a eleição deste ano ou se ele vai se desidratar ao longo das disputa e configurar-se como um mero cavalo paraguaio. É uma boa aposta, sim, embora nem as pesquisas qualitativas tenham conseguido ambientar essa condição de maneira unânime. Em algumas situações ele demonstra uma grande força eleitoral, mas em outras perde consistência. É isso que o torna, aos olhos dos partidos, uma grande incógnita.

Um dos maiores erros que os adversários de Waldir Soares podem cometer é não levar a sério a possibilidade de ele vencer as eleições deste ano. Apa­ren­temente, Waldir parece ser muito inconsistente do ponto de vista da discussão administrativa. Goiânia é uma cidade extremamente problemática, e com problemas de caixa terríveis. Qual­quer que seja o próximo prefeito, ele não encontrará uma situação tranquila. Ao contrário, reequacionar o papel da Prefeitura e suas ações administrativas será um papel definitivo e inadiável a partir de 2017. E é exatamente nesse ponto que Waldir parece ser muito frágil.

Não se conhece até agora nenhuma linha de raciocínio dele como administrador. Não se sabe sequer se ele é bom ao lidar com planilhas financeiras de débito e crédito. Mas ele é político. E não tem absolutamente nada de um bobalhão deslumbrado. Dificil­mente ele vai conseguir impactar durante a campanha com um discurso técnico afiado, mas é certo que Waldir vai seguir falando de forma que a população, ou grande parte dela, o entenda perfeitamente, e confie nele. Waldir fala diretamente, sem refúgios na sofisma ou nos meandros que ultrapassem a utopia ideal. Sua fala é, de certa forma, nua e crua, exatamente como essa parcela do eleitorado vê as coisas.

Porém, há um risco nesse tipo de conduta e de campanha: o descrédito. Ele vai conviver com essa ameaça o tempo todo. Terá que passar por isso exibindo uma bela cara de paisagem. Embora esse lado dele não seja conhecido, é pouco provável que Waldir tenha escopo suficiente para travar debates tecnicamente embasados. É nesses mo­mentos que o instinto político pode fa­lar muito alto, e falhar. Uma curta su­cessão de erros dessa natureza po­de implodir as chances de qualquer candidato com essas características que Waldir tem. Fora isso, não se pode duvidar da empatia que ele gera em grande faixa do eleitorado dentro da sua simplicidade. Nenhum outro candidato, nem mesmo o Iris atual, tem esse trunfo. O peemedebista é popular, sim, sem nenhuma dúvida, mas é Waldir que se mostra como milhares de eleitores anônimos. Ele é a cara desse povo.

A única conclusão possível, somando-se tudo e colocando no possível balanço dos humores gerados em campanhas eleitorais, é que Waldir Soares tem condições, sim, de ser o próximo prefeito de Goiânia, mas também corre o risco de ficar pelo caminho. Mas desdenhar de suas chances e não o levar realmente a sério como candidato poderá se revelar dramático para seus adversários.
E não vai adiantar muita coisa “bater” em Waldir, ao contrário do que se vê enquanto possibilidade em candidatos com outra forma de densidade, como Iris Rezende. Contra Iris não há outro modelo que não a crítica dura. Contra Waldir a sutileza é a melhor forma de confrontá-lo. Talvez a única.

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