Afonso Lopes
Afonso Lopes

Prefeitura em crise tira protagonismo de Iris na eleição de 2018

Nas contas da oposição, a boa vitória do decano nas eleições do ano passado, em Goiânia, seria um bom trunfo para as oposições no ano que vem. Nas contas da Prefeitura, a não superação da crise financeira tira dele maior influência eleitoral

A vitória do professor Nion Albernaz (recentemente falecido) nas eleições de 1996 alimentou a esperança dos únicos quatro partidos que faziam oposição à hegemonia até então inabalável do PMDB e aliados. Nion, apostaram os opositores, tinha visão política e capacidade administrativa para fazer da prefeitura o principal — e, na verdade, quase único — bunker para dar impulso a um candidato ao governo que pudesse enfrentar o PMDB, em 1998.

E foi exatamente isso o que aconteceu. Graças ao desempenho espetacular na frente administrativa e sua especial sensibilidade política, Nion Albernaz foi o líder referencial para a oposição ao PMDB e aliados. É certo que acontecimentos internos favoreceram o resultado final, como a candidatura de Iris Rezende ao governo e a não candidatura à reeleição do governador Maguito Vilela, que surfava na maior onda de popularidade que se registrou até então. É impossível comprovar a tese, mas ainda hoje ninguém tem a menor dúvida de que Maguito seria reeleito sem muito esforço em 98. Quis o destino, leia-se grupo irista, que essa história não fosse contada. Deu no que deu, com o jovem deputado federal Marconi Perillo, muito próximo de Nion, escolhido para a disputa quando ninguém mais queria a tarefa pesadíssima, e perigosa, de enfrentar Iris Rezende, o mito político-eleitoral que jamais havia sido derrotado numa eleição.

Essa foi a última vez que um prefeito de Goiânia foi uma das principais peças de definição dentro do tabuleiro de xadrez político estadual. Depois dele, Pedro Wilson, Iris Rezende, Iris e Paulo Garcia (recentemente falecido) não conseguiram se tornar decisivos na eleição de seus candidatos ao governo do Estado. Nessa tarefa, todos eles fracassaram.

Na eleição do ano passado, os aliados estaduais se esforçaram para viabilizar uma vitória eleitoral em Goiânia, Seria uma forma interessante eleitoralmente de tirar qualquer peso político da capital em prol de uma candidatura oposicionista em 2018 — que não poderá contar mais com Marconi Perillo, que está em seu segundo mandato consecutivo. Assim, sem a imponente presença de um prefeito da oposição em Goiânia, a tarefa eleitoral do sucessor de Marconi na base aliada estadual poderia ser menos complicada.

Se o temor da base aliada era ter que enfrentar um adversário nas ruas e um articulador e liderança como Iris na retaguarda a partir do estupendo poder de fogo político-eleitoral que emana naturalmente da Prefeitura de Goiânia, essa ressalva não faz mais nenhum sentido. Iris Rezende perdeu o protagonismo para as eleições do ano que vem porque a sua administração permanece numa camisa de força das finanças furadas. Sem caixa, o governo de Iris vai se virando como pode com a velha e surrada figura dos mutirões, que servem para criar algum ambiente favorável, sem dúvida, mas insuficiente para mudar a imagem geral que se consolidou no eleitorado goianiense, com óbvios reflexos também em cidades próximas, que recebem influência política de Goiânia. O governo municipal não decolou. Pelo menos, até agora, não.

É claro que o próprio Iris, por sua história de liderança e protagonismo tanto político como administrativo, não está satisfeito com o desempenho da sua administração. Ele tenta amenizar os problemas relativizando, por exemplo, a crise permanente no sistema de recolhimento de lixo. Antes ele dizia que iria resolver o problema em um ou dois meses. Agora, afirma que a cidade superou o pior momento e as falhas são pontuais. Não são. Assim também como não é um contratempo localizado o gerenciamento do sistema público de saúde. São dois setores basilares da administração municipal, e custam muito caro. Mas não há dinheiro para bancar todas as despesas. Um único setor dentro do leque de prestação de serviços do município que tem se mantido imune a maiores críticas é a manutenção da rede asfáltica. Mas nesse caso falta o grande teste: manter as ruas sem buracolândia no período da seca é uma coisa, com chuvas a encrenca sempre é bem mais séria, e cara.

Enfim, Iris Rezende tem tantos e tão sérios problemas para resolver no dia a dia da prefeitura que não há, mesmo para um político da estirpe dele, tempo suficiente para se tornar o referencial, o protagonista, das articulações da oposição. Isso em relação a 2018. Daqui até 2020 é outra história. Tem que esperar pra ver. l

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