Afonso Lopes
Afonso Lopes

PMDB terá que garantir dinheiro para campanha

Único nome realmente competitivo em Goiânia, Iris tem medo de ter que bancar maioria de gastos da sua campanha

Único nome competitivo do PMDB, Iris Rezende espera que o partido garanta o incremento financeiro

Único nome competitivo do PMDB, Iris Rezende espera que o partido garanta o incremento financeiro

Num plano de incertezas quanto às fontes de fi­nan­ciamento da campanha eleitoral deste ano, com a proibição de doações de empresas e os efeitos das investigações da operação Lava Jato, Iris Rezende ainda não confirmou sua candidatura a prefeito de Goiânia. Ele é o único nome do PMDB com chances reais de vencer a disputa, mas deve adiar seus planos até que o partido se apresente para arcar com as despesas de campanha. Esta é a primeira vez que o financiamento de campanha surge como preocupação de Iris, e tem a ver com a eleição de 2014, quando ele teve que enfiar a mão no bolso para quitar despesas.

O temor do peemedebista faz sentido. A campanha deste ano inaugura um esquema que vai tirar do processo as maiores e mais tradicionais fontes de doação: as empresas. A partir de agora, apenas cidadãos vão poder separar um pouco de seus recursos para contribuir com o caixa de campanha de seus candidatos favoritos. Ou seja, antes mesmo de convencer o eleitor a votar, o candidato terá que conquistar a boa vontade do bolso dele. De uma maneira geral, embora a prática seja comum em alguns países, os brasileiros não estão acostumados a fazer isso. As campanhas eleitorais no Brasil sempre foram fortemente financiadas pelas empresas

Uma outra questão ligada particularmente à campanha de Iris tem estreita ligação com a perspectiva de poder. O peemedebista mantém a aura de candidato fortíssimo, o que lhe empurra naturalmente uma coligação expressiva de partidos menores. Esses partidos normalmente exigem contrapartida: ajuda financeira para seus muitos candidatos a vereador. Ele já avisou aos peemedebistas que esse não será um problema dele caso resolva se candidatar.

Também no aspecto da perspectiva de poder, Iris tem outra preocupação além das coligações que vão apoiá-lo. Em 2004 e em 2008, quando se reelegeu com 70% dos votos válidos, seu nome aparecia disparadamente na primeira posição em todas as pesquisas eleitorais. Isso, até de maneira natural, costuma atrair doações financeiras para a campanha. O quadro este ano não é tão favorável. Pesquisas realizadas por dois institutos, o Paraná Pesquisas e o Serpes, apresentaram empate entre ele e o candidato do PR, Waldir Soares. Ou seja, a perspectiva de poder em torno de Iris Rezende já não é tão acentuada quanto foi em eleições passadas.

Mas se Iris, reconhecidamente uma pessoa rica, não está com disposição suficiente para enfiar a mão no bolso e bancar sua campanha, quem irá fazer isso? É nesse ponto que entra a exigência dele em relação ao comando partidário. O PMDB goiano teria que priorizar a sua candidatura em Goiânia, o que se justificaria pela óbvia importância da Prefeitura da capital do Estado. O problema é que o caixa do partido também não é tão grande assim, e mesmo priorizando Goiânia, não é razoável imaginar que o PMDB abandone completamente todos os demais candidatos peemedebistas nas cidades em que o partido lançar candidatos próprios.

Restaria então o compromisso financeiro dos próprios deputados estaduais e federais do PMDB goiano. O problema é que cada um deles tem seus próprios interesses e aliados, e a maioria se concentra fora da capital. Estaduais e federais devem investir em seus candidatos a prefeito e vereador, e não necessariamente em Iris. Nesse mesmo patamar, entra a massa de filiados do PMDB, que é muito grande. Resta saber se acostumada a receber salários nas campanhas, essa militância agora estaria disposta a gastar dinheiro ao invés de receber.

Alguns dirigentes do PMDB ainda acreditam que Iris Rezende vai acabar entrando de cabeça na guerra pelo comando da Prefeitura de Goiânia com garantia financeira ou não. Esses dirigentes entendem que campanha eleitoral para Iris funciona mais ou menos como oxigênio para os demais seres humanos: absolutamente indispensável.

Mas essa corrente de opinião não é unanimidade interna. Há deputados estaduais muito próximos de Iris que já trabalham com a remota possibilidade de ele não se candidatar a prefeito este ano. É difícil imaginar Iris Rezende sentado na tribuna sem participar do jogo? Claro que é, mas as incertezas deste ano sobre o real potencial eleitoral de Waldir Soares, que nunca foi testado em eleições majoritárias, e especialmente a pouca disponibilidade financeira do partido e dos tradicionais financiadores podem exercer um peso formidável na decisão do peemedebista de ser ou não candidato mais uma vez.

Caso Iris realmente desista da disputa em Goiânia, o PMDB deve levar em conta até a possibilidade de apoiar alguma candidatura externa por absoluta falta de candidato competitivo. Ou seja, sem Iris, o PMDB fatalmente perderá a condição de protagonista na eleição.

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