Afonso Lopes
Afonso Lopes

Pesquisas mostram disputa indefinida

Tendência registrada por quatro institutos revela que Vanderlan tem condições de vencer. Iris precisa evitar a “virada” para não comprometer definitivamente o 2º turno

Fotos: Fernando Leite e Renan Accioly/ Jornal Opção

Vanderlan Cardoso e Iris Rezende: decisão no 2º turno | Fotos: Fernando Leite e Renan Accioly/ Jornal Opção

Há unanimidade entre quatro grandes institutos de pesquisa eleitoral que mediram as tendências de voto do eleitor de Goiânia: Vanderlan Cardoso é o único candidato que agregou intenções de voto na reta decisiva da campanha eleitoral. Todos perderam força ou ficaram estagnados. Até aí, não há nada muito significativo nessa constatação. Em algumas disputas, candidatos ficam “parados” nas tabelas dos institutos, e mesmo assim vencem – ou perdem, obviamente, dependendo da posição em que se encontrem. Uma visão mais aproximada do quadro geral revelado pelos institutos de pesquisa, no entanto, não se fixa somente nesse fato. O conjunto dos levantamentos obrigatoriamente leva à composição de uma tendência do eleitor até aqui, e permite concluir sem qualquer dúvida que Vanderlan Cardoso poderá ultrapassar Iris Rezende ainda no primeiro turno.

Serpes/O Popular, Paraná Pesquisas/TV Record, Ibope/TV Anhanguera e Grupom/rádio 730 indicam a mesma situação: Iris Rezende é quem possui a preferência do maior número de eleitores. Se o quadro for visto dessa forma, estático, é uma insanidade afirmar que o segundo colocado, Vanderlan Cardoso, poderá vencer o primeiro turno. Como, se ele aparece com menos intenções de voto do que Iris? Acontece que a pesquisa, assim como a vida real das campanhas, não são partes congeladas no tempo. Não são cápsulas isoladas. Ao contrário, é o conjunto das pesquisas que verdadeiramente informam sobre a tendência majoritária do eleitorado. E é exatamente essa tendência que permite dizer que não será nenhuma surpresa se Vanderlan Cardoso receber mais votos do que Iris Rezende nas urnas do dia 2 de outubro. Talvez seja até o caso de se inverter tal perspectiva, a de que será uma supresa se Iris conseguir vencer o primeiro turno.

Também é fato que as pesquisas de opinião revelam situações atuais, o que inclui na análise a tendência. Ou seja, o quadro que se apresenta é uma possível projeção sobre o futuro a curtíssimo prazo. É uma linha constante e fixa que se mostra como trajetória, digamos pontilhada, sobre a realidade atual.

Não é certo tecnicamente comparar pesquisas de institutos diferentes mesmo quando se trata de igual objetivo, no caso a tendência do eleitorado goianiense. Mas é absolutamente correto comparar o conjunto geral das tendências reveladas por todos os institutos quase simultaneamente. E é isso o que se tem. Os quatro institutos que pesquisaram o eleitor goianiense mostram exatamente a mesma situação: crescimento constante de Vanderlan, estagnação, com alguma variação negativa ou positiva de Iris — dentro da margem de erro — e perda de competitividade do Delegado Waldir Soares (PR), além da estagnação de Adriana Accorsi (PT) e Francisco Júnior (PSD) em patamares que não os coloca em condições de vitória.

Mas as pesquisas podem estar “erradas”? Podem, sim, mas a probabilidade de que todas elas estejam “erradas” é nula. Até porque é facilmente percebível, independentemente dos dados estatísticos dos institutos, o “volume” de cada campanha, o momento de cada candidatura e o humor da militância engajada. Há euforia entre os que militam em favor de Vanderlan, e um esforço muito grande do próprio Iris para manter acesa a perspectiva de poder em sua militância.

É óbvio que aqui se faz uma análise com natural projeção futura a respeito da tendência geral registrada. Isso não significa uma visão maniqueísta que se impõe sobre a realidade e as variantes inerentes de campanhas eleitorais. O quadro de projeção está alicerçado naquilo que ora se tem às mãos. Não se leva em conta o que ainda acontecerá na próxima semana. Um erro, uma única frase mal colocada ou má interpretada pode mudar tudo muito rapidamente. Nesse caso, aborda-se o imponderável enquanto análise. O fato é que em condições “normais” de campanha, Iris e Vanderlan ou Vanderlan e Iris vão disputar o cargo de prefeito de Goiânia no segundo turno — que será realizado no último domingo de outubro. Mais do que isso, se a tendência de intenções de voto não se alterar substancialmente por algum fator ainda desconhecido, Vanderlan pode virar a eleição no primeiro turno — domingo que vem.

Uma semana absolutamente decisiva. Iris precisa vencer o primeiro turno para não reviver a história das eleições de 1998, quando Marconi Perillo virou a eleição contra o próprio Iris, e 2006 — quando Alcides Rodrigues virou em cima de Maguito Vilela. Iris depende da vitória para não comprometer o segundo turno definitivamente. Para Vanderlan, basta o “empate”.

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