Afonso Lopes
Afonso Lopes

Pesquisa registra empate técnico entre Waldir Soares e Vanderlan Cardoso

Levantamento do Instituto Grupom para a rádio 730-AM repete situação registrada antes por Serpes e Instituto Paraná: Iris tem vantagem, Waldir estaciona em 2º e Vanderlan está na 3ª posição

Waldir Soares está em segundo lugar, mas perdendo votos, enquanto Vanderlan Cardoso vai crescendo aos poucos | Fotos: Fernando Leite/ Jornal Opção

Waldir Soares está em segundo lugar, mas perdendo votos, enquanto Vanderlan Cardoso vai crescendo aos poucos | Fotos: Fernando Leite/ Jornal Opção

A se observar o cenário destacado pelos institutos de pesquisas eleitorais, a situação de Iris Rezende é tranquila em relação a presença dele em um segundo turno. Serpes, Instituto Paraná e, agora, o Instituto Grupom indicam que ele tem um terço do eleitorado goianiense (para quem já foi “tudo” na política de Goiás, não é muito). Waldir Soares, que no início dividia liderança com o peemedebista, não acompanhou a escalada do adversário, estacionou na segunda posição e tem de correr para não se tornar o Rubinho Barrichello da política. Vanderlan Cardoso aparece um pouco mais atrás, em terceiro lugar, mas em ascensão. A Rádio 730 divulgou na sexta-feira, 26, pesquisa de intenção de voto do Instituto Grupom a respeito da disputa para prefeito de Goiânia. Iris Rezende, do PMDB, lidera, no levantamento estimulado, com 36,1% (a se aceitar a margem de erro, pode ter 32% ou 40,2%). Waldir Delegado Soares, do PR, com 21,1%, e Vanderlan Car­do­­so, do PSB, com 15,2%, estão tec­nicamente empatados, considerada a margem de erro. Segundo o Gru­pom, Waldir pode ter tanto 24,6% quanto 17,6%. Vanderlan Cardoso pode ter 12,1% ou 18,2%. Os dados sugerem que Iris Rezende está “tomando” votos de Waldir Soares e que este não cresce, mas trava a ascensão de Vanderlan Cardoso.

Quadro definitivo? Longe disso. Pelo menos no que se refere ao posicionamento deles quando as urnas finalmente se encontrarem com os eleitores, no mês de outubro. Há informações preciosas que não são destacadas pelo noticiário, mas que devem ser levadas em conta. Uma delas, por exemplo, diz respeito à linha existente, de forma bastante clara, ligando recall de imagem e conhecimento com o quantitativo de intenções de voto.

Iris Rezende, o mais longevo político de Goiás em atividade, lidera a pesquisa espontânea. Waldir, campeão absoluto de votos nas eleições para deputado federal em 2014, está na segunda posição (a rigor, se confirmados seus números, podem ter menos votos do que para deputado). Vanderlan Car­doso surge em terceiro. Qual a semelhança entre esses três no levantamento espontâneo? A diferença de 10% desses números para o total apurado na pesquisa estimulada. Esse quadro tão retilíneo é um sintoma evidente de recall, e não uma consolidação de posicionamento do eleitor em relação à intenção de voto. O que isso significa? Que é necessário aguardar mais umas duas semanas, pelo menos, para ver como se dará a cristalização não apenas das campanhas como também da recepção dos eleitores. Antes disso, e ainda no início da fase mais quente da campanha, o que se tem é o registro de uma situação pré, que pode evoluir para tendência ou não.

Iris Rezende tem vaga garantida no segundo turno, certo? Não, ainda não há como assegurar que uma das vagas está assegurada para este ou para aquele candidato. Ain­da mais num quadro em que três candidatos se destacam na ponta. Pesquisa de intenção de voto não é projeção de resultado futuro. É constatação de um quadro passageiro e atual. A campanha, especialmente no rádio e na televisão, que começou somente na sexta-feira, 26, e vai se estender até as vésperas da eleição, é que poderá consolidar essas condições. Ninguém perde ou ganha eleições na véspera. Ainda mais com tamanha “véspera” como a que se tem neste momento.

Waldir Soares tem um sério problema nesta fase de campanha: seu tempo de exposição no palanque eletrônico é bastante inferior ao de Iris e Vanderlan. E a isso se soma outra dificuldade: sua coligação é pequena, bem menor que a sua dimensão enquanto candidato tão bem colocado até aqui. Ou seja, ele não terá uma larga base de candidatos a vereador para ajudar a manter seu nome e suas propostas nos bairros. A tendência é, se cair um pouco mais, ficar ainda mais só. Pode ser, até, que ocorra uma debandada.

Vanderlan é quem pode nadar de braçada nesses quesitos. Embora divida com Francisco Júnior a condição de candidato da base aliada estadual, ele ficou com a maior parte desse exército. Seu tempo de televisão é o maior, e sua base de candidaturas à Câmara dos Vereadores também é a mais expressiva. Tudo isso costuma funcionar em campanhas eleitorais. E ele tem a imagem de gestor eficiente e de político sério.

Fora esse trio, o jogo é mais embolado. A de­putada estadual Adriana Accorsi tem derrapado sem conseguir avançar. O problema não é ela enquanto candidata. Sua imagem é boa, e tem ótima pegada para ser devidamente trabalhada. Mas como defender um governo com imagem negativa cristalizada e, dentro desse cenário, conquistar apoio para, grosso modo, repetir a dose administrativa — que é como o eleitor percebe a proposta nesses casos.

No lado menor da base aliada estadual, o deputado estadual Francisco Júnior, da coligação entre PSD-PTB-PTN, terá um pouco mais de tempo e melhor base de candidaturas à Câmara de Vereadores do que Waldir Soares. É pouco? Sim, é. O postulante pessedista dá traço nas pesquisas, o que sugere que não está empolgando o eleitorado. Tende a ser cristianizado pelo polarização entre Iris, Waldir e Van­derlan.

Flávio Sofiati, do PSol, e Djalma Araújo, da Rede, não precisam somente de um milagre para não ficarem como estão, na lanterna. Sem tempo de TV, sem base de candidaturas proporcionais importantes, eles precisam que o céu desabe uma chuva de milagres para terminarem a campanha em condições melhores. Eles não são maus candidatos. Não é questão de valor pessoal ou político. Pesa a falta de estrutura, e sem isso não dá pra navegar eleitoralmente.

O Grupom entrevistou 521 eleitores, em 124 bairros de Goiânia, entre os dias 22 e 24 de agosto. A confiança da pesquisa é de 95%, e a margem de erro é de 4,3 pontos percentuais para mais ou para menos. Registro da Pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE): protocolo nº GO-05402/2016 de 19/08/20162. A pesquisa foi encomendada pela Rádio 730.

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