Afonso Lopes
Afonso Lopes

Pedras no caminho de Waldir

Um dos poucos momentos que causaram certo frisson na modorrenta campanha eleitoral deste ano em Goiânia foi o questionamento do pré-candidato do PTB ao discurso do delegado

Delegado Waldir Soares, do PR: sem Iris, ele se torna o alvo maior dos adversários na disputa eleitoral em Goiânia

Delegado Waldir Soares, do PR: sem Iris, ele se torna o alvo maior dos adversários na disputa eleitoral em Goiânia

Com Iris Rezende (PMDB) longe dos holofotes principais da sucessão goianiense, o grande queridinho das pesquisas passou a ser isoladamente o deputado Waldir Soares, do PR. Antes, ele dividia o espaço com o peemedebista. Para Waldir, a situação é bastante confortável do ponto de vista do destaque natural angariado pelo bom desempenho nas tabelas dos institutos de pesquisa e que é refletido nas mídias. Mas como todo bônus vem com ônus, o ruim é que o republicano entrou no alvo dos demais concorrentes. Passou o cara a ser batido politicamente e abatido eleitoralmente.

Pelo menos até aqui, o caminho de Waldir Soares rumo à titularidade no Palácio do Cerrado Venerando de Freitas Borges já se mostra acidentado. E o nome desse acidente de percurso é representado pelo candidato do PTB, ex-deputado Luiz Bitten­court. No único debate entre os pré-candidatos realizado, na rádio Sucesso-FM, foi o petebista que deixou Waldir sem resposta. A pergunta nem foi tão complicada: o que precisa ser feito para melhorar o problema do transporte coletivo de Goiânia? Waldir se esquivou do aspecto central da questão, a melhoria do transporte coletivo, e procurou situações genéricas para formular a resposta.

Em linha geral, a resposta genérica nos debates diretos entre candidatos faz parte de uma bem arquitetada estratégia. O candidato evita esvaziar o tema totalmente e procura passar somente o essencial e óbvio, e somente na tréplica, quando fica com a última palavra, dá a cartada final de maneira inquestionável. A experiência do petebista em debates é que deu a ele a sensação de que Waldir não estava praticando o ritual normal dos debates, mas tentando escapar do cerne da questão colocada. Na réplica, Bittencourt foi incisivo ao acusar Waldir de não apresentar nenhuma proposta para a melhoria do sistema de transporte público, um dos temas mais medonhos para qualquer prefeito de cidades de médio porte em diante. Sem ter como se segurar nas cordas, o candidato líder das pesquisas admitiu que uma equipe de técnicos ainda está elaborando seu plano de governo, e que a sua proposta para o transporte coletivo será apresentada posteriormente.

Onde está o problema? Em dois aspectos. Em primeiro lugar, o transporte coletivo no país é um caos permanente em praticamente todas as cidades que dele necessita. Então, é difícil compreender uma candidatura que se lance sem estar com alguma proposta minimamente elaborada como ponto de partida. Por fim, a situação seria menos embaraçosa se Waldir tivesse admitido logo de cara que sua equipe ainda não formatou o que ele pretende oferecer como solução para o problema. O resultado foi a acusação direta feita por Bittencourt de que “candidatos populistas” não resolvem os problemas da cidade.

Esse primeiro embate entre os dois deve se tornar muito mais corriqueiro durante a campanha, principalmente após as convenções partidárias. E o problema para Waldir é mesmo a lucidez de Luiz Bittencourt nos debates. Numa campanha relâmpago como a prevista este ano pela legislação em vigor, será o confronto direto que poderá criar o clima eleitoral. Os demais candidatos, principalmente Vanderlan Cardoso (PSB) e Adriana Accorsi (PT), se apresentam em seus estilos políticos que evitam polêmicas. Francisco Júnior (PSD) também vai nessa linha. Giuseppe Vecci (PSDB) é outro perigo para Waldir porque compõe com Bittencourt a dupla de candidatos mais técnica, que percebe incoerências nas propostas. Vecci, no entanto, é menos ousado na agressividade.

Em recente entrevista, no programa “Balanço Geral”, apresentado pelo jornalista Oloares Ferreira, na TV Record, Luiz Bittencourt deu de certa forma a senha aberta para a linha de ataque ao candidato líder das pesquisas: o populismo adota discurso fácil e nenhuma solução prática para a cidade. Até então, essa linha de campanha valeria de igual tamanho e intensidade tanto para Waldir Soares como para Iris Rezende. Para quem tinha dúvidas sobre a motivação da campanha que Bittencourt vai adotar este ano, ele antes “gastava a sola do sapato” (campanha de 1992), agora pretende ser a pedra no sapato do discurso populista. Isso é bom para o debate.

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