Afonso Lopes
Afonso Lopes

Opositores se afogam em poços de vaidade

Sem ter estabelecido uma linha estratégica e comum de combate eleitoral ao governador Marconi Perillo, oposição agoniza 

Marconi Perillo em carreata: vaidade dos adversário lhe dá chance de fechar eleição já no 1º turno

Marconi Perillo em carreata: vaidade dos adversário lhe dá chance de fechar eleição já no 1º turno

O governador Marconi Perillo vai ser reeleito este ano? Prova­vel­men­te, sim. Aliás, muito provavelmente. A única dúvida que ainda persiste é se essa vitória será já no 1º turno ou se haverá necessidade de turno decisivo. As eleições acontecem dentro de um mês, e os opositores teriam de fazer nesse curto espaço de tempo tudo o que não fizeram nos últimos anos. Além disso, a oposição teria de contar com erros sistemáticos na campanha de Marconi para criar, quem sabe, alguma perspectiva de vitória. Em resumo, teria de ocorrer uma reviravolta e tanto para alterar o curso atual das campanhas.

Não há mais fôlego para muita coisa. É o caso do principal candidato oposicionista, Iris Rezende, que recentemente demitiu 22 profissionais de sua equipe de comunicação por alegada falta de dinheiro. Ou se planejou mal inicialmente, ou a situação não evoluiu como o comando da campanha imaginou. E a economia obtida com essas demissões, conforme admitiram peemedebistas aos jornais, vai ser usada na aquisição de combustível para os veículos da campanha. Ou seja, trocaram talento e inteligência por gasolina. É ou não é um sintoma de que as coisas vão muito mal?

E se está ruim para o principal candidato da oposição, pode-se imaginar como estão os demais. Van­derlan Cardoso e Antônio Gomide se movimentam tão pouco, e com repercussão tão pequena, que praticamente sumiram. A rigor, as candidaturas de Gomide e Vanderlan se transformaram em candidaturas virtuais. Estão firmes e fortes somente no rádio e na TV.

Seria o caso de se perguntar o que aconteceu com o imenso otimismo com o qual os opositores alicerçaram suas candidaturas. Todos eles apostaram altíssimo e estão percebendo agora que as coisas não acontecem por acaso. Voto não cai do céu ou se alinha automaticamente com um estalar de dedos. Campanhas exigem muito planejamento, pés no chão e linha estratégica definida. Tendo isso, ainda assim pode-se perder a eleição, mas certamente haverá al­guma chance de sucesso. As oposições não observaram nenhum desses pontos. Não houve planejamento, os pés estavam nas nuvens e jamais se estabeleceu uma estratégia comum para enfrentar Marconi e seu formidável exército eleitoral.

Os erros dos opositores não foram cometidos agora, mas lá no início do processo de formatação da disputa. Iris, Vanderlan e Gomide jamais se reuniram e se ofereceram às negociações. Nada disso. Cada um se imaginou a última coca-cola gelada do Cerrado seco, que seria o objeto de desejo de todos instantaneamente.

Iris imaginou que bastaria bater Júnior Friboi internamente, após uma intensa guerra que rachou definitivamente a estrutura do PMDB, e alguns reflexos disso pode se perceber na campanha, para ter o PT acoplado à sua candidatura. Não funcionou. Antônio Gomide imaginou que, ao deixar o comando da segunda mais importante politicamente prefeitura de Goiás, Anápolis, bastaria rodar o Estado para conquistar apoios e eleitores como se fosse um moderno Gengis Khan eleitoral. Também não funcionou. Vanderlan imaginava que iniciaria a campanha de 2014 como se fosse uma prorrogação das eleições de 2010, e não um novo jogo que começa do zero.

Todos esses líderes oposicionistas não se tornaram referência por acaso. Iris, Vanderlan e Go­mide assinam histórias de sucesso, e se atingiram o ponto alto na atividade política é porque fizeram por onde. Nenhum deles é para-quedista do sucesso. Iris é sempre uma das maiores referências da política estadual. Vanderlan construiu um império industrial, e ganhou fama de bom administrador público ao governar Senador Canedo, até então uma problemática cidade-dormitório. Gomide vem traçando uma carreira pública de sucesso, saindo de vereador a prefeito de Anápolis, reeleito com mais de 90% dos votos válidos. Portanto, nenhum deles é um zé-ninguém politicamente. Ao contrário, são bem sucedidos. Mas, por que, desta vez, as coisas não estão dando certo para nenhum deles?

Iris Rezende trocou jornalistas por combustível|Vanderlan Cardoso achou que 2014 era sequência de 2010|Antônio Gomide pensou que bastava rodar pelo Estado

Iris Rezende trocou jornalistas por combustível|Vanderlan Cardoso achou que 2014 era sequência de 2010|Antônio Gomide pensou que bastava rodar pelo Estado

Primeiro, porque enfrentam Marconi Perillo. Essa é a primeira grande encrenca. Iris, Gomide e Vanderlan certamente não estariam como estão hoje se na trincheira governista estivesse outro candidato e não Marconi. Embora seja algo impossível de se comprovar na prática, ninguém na seara marconista conseguiria vencer Iris, Vanderlan ou Gomide nesta eleição. Ab­solutamente ninguém.

Além desse baita obstáculo eleitoral, os opositores também sofreram nas águas que refletem Narciso. Basta retornar novamente para o início do processo de formatação do quadro eleitoral para que isso se destaque de maneira peremptória, escandalosamente clara. A vaidade pessoal de cada um matou o princípio da unidade que deveria nortear os rumos da linha estratégica para enfrentar Marconi Perillo. Mas, não, cada um ao seu modo, todos se afogaram nos poços das vaidades, e jamais, por exemplo, sinalizaram que poderiam adiar seus planos e objetivos atuais para 2018, e assim facilitar o entendimento e a união em torno do objetivo comum a todos, que é o de derrotar Marconi Perillo.

Se juntos já não seria fácil, separados ficou muito mais difícil, quase impossível. E esse “quase” só entra neste contexto como espécie de seguro prévio contra o imponderável. No ritmo atual, é, sim, impossível uma virada. Não há um só aspecto nas campanhas atualmente que indique, mesmo teoricamente, que Iris, Vanderlan ou Gomide, qualquer um deles, vá ultrapassar Marconi nesta corrida sucessória.

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