Afonso Lopes
Afonso Lopes

Oposição tem poucos nomes, mas pode ter o campeão de votos

Enquanto segue em busca da unidade jamais encontrada no andar de cima, oposição soma poucos nomes para Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados, mas alguns deles têm enorme potencial

Vereador Jorge Kajuru (PRP) e ex-deputada Iris Araújo (PMDB): o primeiro quer tentar o Senado, mas ambos têm eleição facilitada para a Câmara | Fotos: Divulgação

Quem será o candidato ungido pela oposição em Goiás para o governo do Estado? Isso ninguém sabe. Como não existe a figura de um coordenador confiável e neutro nos partidos oposicionistas para esse difícil trabalho de costura dos muitos interesses locais e pessoais de candidatos e grupos, é impossível saber até se haverá mesmo uma unidade real, que vá além da possibilidade de lançamento de um único nome. Já na disputa por vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Depu­tados, a oposição pode apresentar alguns candidatos fortíssimos, reunindo inclusive a possibilidade de sairem das urnas como mais votados do Estado no ano que vem.

Muito embora não se tenha neste momento a menor ideia de como vai se comportar o eleitor na eleição pós explosão dos casos da Operação Lava Jato, que expôs as entranhas dos processos eleitorais e campanhas sustentadas por fortes esquemas financeiros, muitas vezes proveniente de propinas, alguns aspectos dificilmente vão ser transfigurados na hora do voto ou mesmo durante o processo de escolha do candidato a ser votado. É o caso de nomes que afunilam as atenções, criando verdadeiramente um enorme potencial somatório.

As oposições, de uma maneira geral, não tem uma extensa lista de possíveis candidatos para a eleição estadual e nem para a disputa federal. Pelo menos, não com boa perspectiva de votação. Ao contrário, há uma certa concentração em torno de figuras que podem fazer alguma diferença na votação individual. Ou seja, pode sair desse eixo político alguns dos mais bem votados, mas essa relação desse ser bastante restrita. No bojo total, o que se percebe é que a base governista tem, inicialmente, muito maior possibilidade de eleger maiorias na Assembleia e para a Câmara dos Deputados.

Mas quem seria o nome mais forte eleitoralmente dentre os oposicionistas na disputa federal? A aposta mais fácil é indicar o vereador Jorge Kajuru. Não somente pelos 100 mil votos que recebeu em 2014 – foi o 10º mais bem votado embora não tenha sido eleito por causa do quociente eleitoral de seu partido, o PRP -, o que equivale a um recall extraordinário. Mais do que isso, sua eleição, dois anos depois, como vereador em Goiânia, com um pé nas costas, diga-se, e seu comportamento na Câmara Municipal, fez dele principal referência política da Casa. Talvez seja ele o único dentre todos os vereadores que menos desgaste sofreu e mais agregou eleitoralmente. Desta forma, ele se apresenta neste momento como um dos mais prováveis campeões das urnas de 2018.

Resta saber se ele irá mesmo se concentrar no trabalho eleitoral visando o mandato de deputado federal não alcançado em 2014 ou se modificará seus planos, compondo chapa para a eleição majoritária para o Senado. Nesse caso, a situação muda substancialmente. Aposta fácil para a Câmara dos Deputados, pode não ser tão fácil assim numa eleição majoritária, onde o peso de toda a estrutura é considerado fundamental. Vide o exemplo de 2014. O então veterano deputado federal Ronaldo Caiado, líder dentro do segmento rural, e catalisador de votos, passou apertado. Na reta final da campanha, por muito pouco seu ex-colega de partido, Vilmar Rocha, não lhe pregou uma terrível surpresa. O que pesou nes­se caso, independentemente das qualidades de cada um, foi a estrutura.

A oposição tem outros nomes de grande potencial, especialmente para a Câmara dos Deputados, como o da primeira-dama de Goiâ­nia, dona Iris, ex-deputada federal, e o de José Nelto, líder da bancada peemedebista na Assem­bleia Le­gislativa. Os dois andaram trocando trombadas recentemente ao coincidirem algumas bases. Já Daniel Vilela, estrela do gru­po maguitista, ou foca na candidatura ao governo do Estado ou poderá in­clusive não disputar cargo algum, ca­so o grupo resolva aposta no plano B, a candidatura do pai dele ao governo.
Enfim, os partidos de oposição po­dem ter os mais bem votados para a Câmara dos Deputados e mesmo pa­ra a Assembleia Le­gislativa, mas a base aliada deverá manter as maiores bancadas nas duas Casas. Folgada maioria. l

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