Afonso Lopes
Afonso Lopes

O 2º turno vem aí. Ou não

Para candidatos, militância e simpatizantes, este domingo vai ser cheio de emoções. E de decepções, também

Por um dos sistemas de votação mais modernos do mundo, a urna eletrônica, Goiás conhecerá seus eleitos

Por um dos sistemas de votação mais modernos do mundo, a urna eletrônica, Goiás conhecerá seus eleitos

Para milhares de pessoas, entre candidatos, militantes e simpatizantes, o dia de hoje só vai terminar nas primeiras horas da madrugada de segunda-feira, 6. Será quando provavelmente a Justiça Eleitoral já terá apontado eleitos e não eleitos, vencedores e derrotados. Um longo dia que apresentará o resultado final de um incessante trabalho de vários meses. E o que virá das urnas? Ninguém sabe, mas todos tem ao menos uma ideia do que poderá vir. Os processos eleitorais são bastante complicados, mas geralmente não reservam muitas surpresas. Elas ocorrem, claro, mas são muito raras.

Tempos modernos também nos processos eleitorais. O sistema mudou muito desde o retorno das eleições diretas para governadores, no início dos anos de 1980. Naqueles tempos, o voto era depositado em urnas de lona. O cidadão chegava na seção de votação, recebia um pedaço de papel, que se chamava cédula, e escrevia o nome ou o número de seus escolhidos. No final do dia, essas urnas eram reunidas em grandes espaços, geralmente quadras cobertas, e passavam a noite sob vigilância de soldados do exército. Ao amanhecer, iniciava-se a apuração dos votos. Urna por urna, voto por voto. A soma total era então transcrita num mapa geral da urna, um resumo. Em seguida, outra turma de apuradores somava os mapas e apresentavam, finalmente, o resultado final daquela zona eleitoral. Esse ritual todo era repetido simultaneamente em todas as demais zonas até chegar à apuração final da cidade, do Estado ou do país. Aliás, a apuração nacional só surgiu alguns anos depois, já no final dos anos de 1980, com o retorno também das eleições diretas para presidente da República.

Uma trabalheira infernal que levava alguns dias para ser concluída. E era tão precário o sistema de apuração que as fraudes eram rotineiras. Alguns candidatos conseguiam colocar simpatizantes/funcionários no processo de afunilamento dos mapas de apuração, que continham os nomes de todos os candidatos. E como era necessário somar vários mapas de urnas e transcrever essas somas num mapa maior, era possível “errar” na transcrição e dar votos a candidatos não votados, principalmente na enorme lista de candidatos aos legislativos. Isso tudo acontecia apesar dos exércitos de fiscais de apuração que os partidos mantinham em cada mesa de apuração.

Quanta diferença para o funcionamento da Justiça Eleitoral brasileira hoje em dia. O cidadão agora vai à seção eleitoral, se identifica, e segue para a cabine de votação. Encontra uma maquininha pronta para receber os números que ele digita como se estivesse num telefone qualquer, com cada número representando um candidato ou partido. No final do dia, basta retirar digitalmente os votos de cada urna e somá-los rapidamente em um computador central. Em pouco mais de alguns segundos se obtém resultados que antes só seriam conhecidos após vários dias.

É um sistema seguro? Há controvérsias, mas aparentemente, sim, é muito seguro. É óbvio que muitas pessoas desconfiam que os resultados podem ser fraudados. Não mais como antigamente, na ponta do lápis, mas virtualmente. Vez ou outra surge alguém acusando que seu voto, normalmente exótico — em um candidato sem qualquer expressão —, sumiu. No geral, porém, o mundo político aceita muito bem o sistema atual, e se aceita é porque confia nos resultados apresentados pela Justiça Eleitoral brasileira
É por tudo isso que hoje será um longo dia, e não o início de uma longa semana ou quinzena. Logo mais, nas primeiras horas de segunda-feira, Goiás provavelmente já conhecerá seus 59 ou 60 candidatos eleitos. Vão ser 41 deputados estaduais, 17 deputados federais, um senador e um governador, ou dois classificados para um 2º turno.

As últimas pesquisas eleitorais indicam que o governador Marconi Perillo (PSDB) está tecnicamente, dentro da margem de erro, com condições de ser reeleito já no 1º turno. Essa, por sinal, é a grande dúvida desta eleição: essas margens de erro vão funcionar para mais, como torcem os governistas, ou para menos, como sonham os opositores? De qualquer forma, inclusive entre os opositores, há unanimidade quanto ao fato de que, em eventual 2º turno, uma das vagas será de Marconi. A outra, apontam as pesquisas, será de Iris Rezende (PMDB), apesar da crença de Vanderlan Cardoso (PSB) e Antonio Gomide (PT) de que vão conseguir ultrapassar o peemedebista. A eleição vai terminar hoje, no 1º turno, ou haverá 2º turno? A decisão é sua, minha, de todos nós.

Deixe um comentário