Afonso Lopes
Afonso Lopes

Momento da campanha é de Vanderlan

Todas as candidaturas “vivem” fases boas e ruins. O candidato do PSB passa por um momento de muitos acertos

Arquivo

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Há unanimidade quando se fala sobre campanhas eleitorais: toda eleição é uma eleição. Ou seja, única. O que aconteceu uma vez não necessariamente vai se repetir numa próxima disputa. Aliás, não vai repetir jamais. Pelo menos, não exatamente da mesma forma, embora sempre seja possível a repetição de resultados. Há sempre fatores externos que impedem a repetição exatamente igual de eleição em eleição. Mudam a época, as motivações e preocupações do eleitorado, a forma como os fatos são recebidos e interpretados.

Se essa verdade é unanimidade, existe uma segunda concordância geral nas análises sobre campanhas: todos os candidatos “vivem” fases boas e ruins. Na atual disputa, Delegado Waldir Soares (PR) empolgava muito mais antes do que agora. Ele mudou? Claro que não. Continua o mesmo candidato competitivo, embora com menor capacidade de reação neste momento da campanha. Há coisa de 15 dias mais ou menos, foi a vez de Iris Rezende (PMDB) viver o grande clima. Ele era a “bola da vez”, e se aproveitou muito bem dessa condição para deslanchar até os 37 pontos nas pesquisas, isolando-se na liderança. O momento atual é inteiramente favorável a Vanderlan Cardoso (PSB). É a vez dele.

Mas o que provoca esses “momentos de campanha”? Fatores internos e também externos. Algumas vezes, os candidatos conseguem provocá-los, ou permitir minimamente que eles ocorram. Na maioria das vezes, porém, é a conjugação de vários aspectos que formam esse “alinhamento dos planetas” em torno desta ou daquela candidatura.

Ainda não é totalmente possível dimensionar o momento para Vanderlan Cardoso. Isso vai se ver nas duas próximas semanas, quando o ciclo terá atingido o auge. De qualquer forma, e apesar de a abrangência ser desconhecida, há fatores que favorecem extraordinariamente a candidatura dele neste momento. O embarque da militância da base aliada estadual, a maior máquina eleitoral do Estado, à sua campanha é um dos fatores que desencadearam o processo favorável. É a primeira vez que Vanderlan contará com exército na rua em suas campanhas. Em 2010 e 2014, foi exatamente a falta desse decisivo apoio que fez a sua candidatura murchar. Em eleição, caminhar sozinho é sempre uma tremenda gelada.

Mas o fato de ele ter disputado contra o governador Marconi Perillo (PSDB) e seus aliados e militantes nas duas eleições anteriores não pesará na avaliação do eleitorado? Não. Quem se incomoda com isso é a militância adversária. Para o eleitor comum, a mensagem que foi e está sendo passada a respeito do apoio de Marconi e da base aliada estadual comandada por ele a Vanderlan está inserida num contexto atual e aprovado: união pelo bem da cidade.

Vanderlan corre o risco de se descaracterizar enquanto político por causa dessa união? Nenhum risco. Não houve um apoio condicionado. Tanto é verdade que sua campanha e as mensagens que ele transmite para o eleitorado não mudaram uma vírgula. Vanderlan manteve-se no seu próprio eixo, mas permitiu e recebeu o apoio. O plano de governo que está sendo divulgado agora é o mesmo desde a época anterior. Tudo permanece igual. A única diferença é a militância fortalecida e mais numerosa.

Se politicamente nada se alterou, eleitoralmente a mudança foi suficiente para desencadear o tal momento favorável de campanha para Vanderlan. E isso deve gerar um certo incômodo na candidatura referência do atual processo, a de Iris Rezende. Observando-se a tematização central da campanha do peemedebista, nota-se claramente que ele está utilizando a sua principal e mais forte característica, a experiência administrativa. De certa forma, é esse ponto que o coloca como destaque. E é exatamente esse o aspecto que será confrontado por Vanderlan Cardoso.

É claro que o fato de ter sido pre­feito numa cidade pequena co­mo Senador Canedo não serve co­mo referência prática diante da com­plexidade administrativa que Goiânia exige em sua imensidão, in­clusive geográfica e não apenas populacional. Mas é fato igualmente que a gestão de Vanderlan Cardoso mudou o perfil de Senador Canedo, que perdeu a tradicional condição de cidade-dormitório. Ou seja, como prefeito, Vanderlan conseguiu fazer com que a cidade se transformasse em opção para morar, e não mera alternativa para escapar dos altos custos de moradia de Goiânia. Ou seja, o confronto entre um perfil administrativo e outro se dá não exatamente pelo tamanho das cidades, mas dentro do conceito político da administração.

Vanderlan tem outro aspecto que poderá — ou não — surpreender o discurso de Iris Rezende: ele tem uma forte origem na iniciativa privada. É novidade para o peemedebista enfrentar um adversário assim, que tem intimidade com o gerenciamento de equipe. Iris, recentemente, concedeu entrevista ao jornal “Diário da Manhã” em que afirmou ser rigoroso com o controle diário do caixa. É uma caraterística natural dele, que centraliza o poder decisório. Numa empresa, a equipe é quem controla a máquina, sob gerenciamento hierárquico. Esse é o campo de domínio administrativo que Vanderlan colocará sob confronto nesta reta final de disputa eleitoral, e é um aspecto que Iris Rezende jamais enfrentou nas urnas.

Isso vai embolar a disputa? Pode ser que sim, pode ser que não. Vai depender unicamente de quanto tempo Vanderlan Cardoso conseguirá prolongar o seu momento de campanha. Se ele despertar e empolgar realmente a enorme militância que passou a ter, terá plenas condições de se igualar na disputa contra Iris Rezende, e incendiar a reta final da campanha. Depende dele, e obviamente da autoridade maior: o eleitor.

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