Afonso Lopes
Afonso Lopes

Militâncias são decisivas no 2º turno

Em quadros equilibrados, a maior ou menor participação dos adeptos nas campanhas decide entre a vitória e a derrota

Robert do Órion, em Anápolis: começou bem atrás e chegou ao 2º turno; Vanderlan Cardoso, em Goiânia, terminou o 1º turno em viés de crescimento | Fotos: Facebook

Robert do Órion, em Anápolis: começou bem atrás e chegou ao 2º turno; Vanderlan Cardoso, em Goiânia, terminou o 1º turno em viés de crescimento | Fotos: Facebook

A maioria dos institutos de pesquisa indica grande polarização no segundo turno entre Van­derlan Car­doso e Iris Rezen­de, em Goi­â­nia, e Roberto do Ó­rion e João Gomes, em Anápolis. E quando surgem cenários como esse ganha notável importância como fator decisivo a militância de cada candidato. Quanto mais numerosa, empolgada e participativa, mais ainda é a sua importância no desfecho da eleição.

Em Anápolis, o quadro partidário deste segundo turno está equilibrado. Há 13 partidos apoiando Roberto do Órion e 12 alinhados com João Gomes. Olhando dessa forma, o quadro é, mais uma vez, de equilíbrio. A questão é que não se deve olhar apenas para o envolvimento dos partidos, mas da qualidade de suas militâncias. A esmagadora maioria das siglas partidárias tem meia dúzia de filiados e nem isso quanto à militância de rua.

Mas quem, então, está em vantagem neste momento na disputa pela Prefeitura de Anápolis? Roberto do Órion. O fato de ter saído na primeira pesquisa Serpes/O Popular com apenas 0,6% e ultrapassar sistematicamente todos os adversários para se classificar em segundo lugar para o turno final contra João Gomes representa uma injeção de ânimo na sua militância de forma extraordinária. Criou-se uma onda favorável a ele.

Isso significa que a eleição está perdida para o prefeito João Gomes? Longe disso. Não existe eleição perdida ou vencida na véspera. Esse momento favorável do adversário dele pode ser revertido, mas não costuma ser uma tarefa muito fácil. João Gomes tem que encontrar alguma forma de incentivar a sua própria militância para que ela não desista aos poucos. Isso, sim, seria passaporte para uma derrota nas urnas. Essa reversão pode se dar através dos programas eleitorais no rádio e na televisão e, principalmente, no comportamento do candidato.

Em Goiânia, Vanderlan Cardoso surfa em onda que surgiu na metade do primeiro turno. Seu grande mérito foi ter incorporado apoios à sua campanha. Neste segundo turno, dos cinco candidatos que ficaram fora do baile final, dois declararam apoio para ele, Francisco Júnior e o vereador Djalma Araújo. O delegado Waldir Soares não declarou voto para ninguém, mas seu partido, o PR, também decidiu apoiar Vander­lan. O PT, da deputada estadual Adriana Araújo, liberou a militância, mas proibiu declarações de seus filiados em favor de um ou outro candidato. O PSol, de Flávio Sofiati, como era esperado, passou a pregar voto nulo no segundo turno.

Iris Rezende também buscou apoios, mas colheu pouca coisa. O Pros, que no primeiro turno estava com o PT, anunciou apoio a ele. Embora tenha quadros, a militância do partido é praticamente inexistente. O que realmente segura e sustenta a candidatura de Iris é seu potencial eleitoral e a militância peemedebista, sempre bastante numerosa e guerreira. O problema de Iris Rezende é que ele subiu rapidamente, mas bateu e parou no teto. Se não conseguir romper esse limite natural, ele poderá perder a eleição.

É exatamente o oposto do que se observou em Vanderlan Cardoso até aqui. Ele começou a campanha discreto e praticamente sozinho. Aos poucos, foi se abrindo aos apoios e, após vencer uma dificuldade que lhe é característica, incorporou essa militância. Seu crescimento desde então é constante, e aparentemente Vanderlan ainda não bateu no teto. Até onde ele vai conseguir chegar é outra história. História que será contada pela militância. O que dependia dele, foi feito feito. O resto depende da empolgação das ruas.

Em resumo, o cenário deste segundo turno até aqui é favorável a Roberto do Órion e Vanderlan Cardoso. Os dois conseguiram o que inicialmente parecia muito pouco provável: equilibram uma disputa contra o favoritismo inicial de João Gomes e Iris Rezende. Esse favoritismo acabou. Aliás, a média geral das pesquisas realizadas por vários institutos deixa isso bastante claro. Eles vão ter que ampliar a empolgação de suas militâncias para não perderem o pique na reta final. Disputa no segundo turno é corrida de 100 metros, dentro da maratona que é toda a campanha eleitoral. Nessa hora, ganha quem ainda tem fôlego. l

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