Ton Paulo
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MDB terá novo ciclo de Iris e Maguitos?

Com a partida de Maguito Vilela e a aposentadoria de Iris Rezende, a sigla pode ter ficado órfã de grandes líderes. No entanto, a lacuna deve ser preenchida antes do que se espera

Maguito Vilela e Iris Rezende | Foto: Reprodução

Não há, na memória recente, uma sequência de tantos eventos marcantes que causasse tamanha comoção na política e na sociedade goiana tal qual “proporcionada” pelo Movimento Democrático Brasileiro, o MDB, nos últimos tempos. E reparem que se emocionar sem indignação e frustração no que tange à política pode ser considerado algo que não se vê todo dia.

A aposentadoria oficial de Iris Rezende, do alto de seus 87 anos, com mais de 60 deles dedicados ao povo, anunciada em 2020, é um dos exemplos que induziram muitos ao sentimento nostálgico de perda. Críticas à sua gestão à parte – críticas essas que não são poucas -, a goianidade irista e seu legado na política e junto ao povo fizeram com que o octogenário se tornasse quase um patrimônio dos goianos. O emedebista foi aplaudido de pé, no ano passado, durante prestação de contas na Câmara Municipal de Goiânia e chegou a ser homenageado em sessão solene pelos vereadores. Gostando ou não de Iris Rezende, há de se admitir: essas coisas são raras de se ver no meio político.

Mesmo tendo quase 90 anos e afirmando categoricamente que, dessa vez, a aposentadoria é definitiva (afinal, quantas vezes ele já “se aposentou” antes?), é claro que ainda há aqueles que não levam fé na retirada de Iris e não se surpreenderiam se o emedebista lançasse novamente seu nome nos próximos pleitos. Quem sabe? Pelo sim ou pelo não, o bom e velho Iris está, pelo menos por enquanto, com as chuteiras penduradas.

Mas houve ainda outra aposentadoria dentro do MDB, essa ainda mais dolorida, justamente por ter sido “compulsória”. No dia 13 de janeiro de 2021, Goiás parou. Depois de mais de 80 dias lutando pela vida na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, Maguito Vilela finalmente descansou. O emedebista havia dado entrada no hospital no dia 27 de outubro do ano passado, devido a um quadro grave de covid-19. Ele chegou a ser curado do vírus, mas as sequelas foram avassaladoras.

Uma infecção pulmonar, agravada pelo já frágil estado de saúde Maguito, acabou dando a palavra final. O óbito foi confirmado às 4h10 de quarta-feira, dia 13. O corpo foi trazido para Goiás e velado e sepultado com todas as honrarias possíveis. No velório, que ocorreu no Palácio das Esmeraldas, o que se via era choro e lamento. Num dado momento, Flávia, a esposa de Maguito, se debruçou sobre o caixão sob os olhos já inchados do filho do emedebista, Daniel Vilela. Era triste de ver, de sentir. O povo se despedia de um pedaço da história do Estado.

Uma frase que teria sido dita por Maguito antes de morrer, segundo o enfermeiro Rafael Camargo, que cuidou do prefeito licenciado ao longo de sua internação, provavelmente vai reverberar pela história. “Deixar a vida passar e não deixar nada de bom é o mesmo que não viver”, teria dito o prefeito. Este mero jornalista que aqui fala ousa dizer que Maguito partiu ciente de que havia cumprido sua missão e feito jus à essência da frase.

O que esperar de agora em diante

Somando os anos das trajetórias políticas de Iris e Maguito, temos mais de um século. Dentro do MDB, os dois, que eram amigos de vida e política, contribuíram para a construção de um legado político sólido e admirável, isso é fato. No entanto, mesmo que Iris continue nos bastidores, sempre aconselhando e guiando àqueles que o procurarem, e mesmo que Maguito permaneça sendo exemplo de liderança e perfil humanista e democrático, o MDB, acostumado a ter nomes proeminentes e boa representatividade, precisará, a partir de agora, de alguém que “pegue o bastão”, e nomes viáveis para isso já despontam há algum tempo.

Não é possível falar em MDB goiano sem associar a sigla ao prefeito reeleito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha. Vencedor do último pleito com 96% dos votos, o emedebista é um animal político afável. Corre nas entrelinhas políticas uma anedota que diz que um opositor recebido para uma reunião na prefeitura com Mendanha sai dela fazendo campanha para ele. Exagero ou não, é preciso reconhecer a popularidade e a capacidade impressionante de traquejo político de alguém que consegue ser reeleito num município tão diversificado como Aparecida com mais de 95% de votos.

Gustavo Mendanha, prefeito de Aparecida | Foto: Divulgação

O clamor por Mendanha em Aparecida não é por acaso. O gestor conseguiu a fórmula perfeita ao unir carisma, bom trato político e investimento em inovação e tecnologia em sua gestão. A Cidade Inteligente, seu projeto-filho, é um dos cases de sucesso, até agora, que fizeram com que Aparecida chamasse atenção nacionalmente.

Porém, Mendanha não é, nem de longe, o único nome dentro do MDB goiano a despontar como um líder em potencial. O mesmo sangue político que corria nas veias de Maguito é o sangue que corre nas de Daniel Vilela, e isso está explícito. O ex-vereador e ex-deputado estadual e federal, com apenas 37 anos, preside o partido que é um dos maiores de Goiás em número de militantes e não faz um trabalho ruim.

Daniel tem conseguido manter o MDB goiano coeso e unido, o que ficou claro nas últimas eleições. Vale destacar que o MDB permanece com a maior bancada de vereadores na Câmara Municipal de Goiânia e conseguiu fazer nada menos do que 30 prefeitos nos municípios.

Daniel é filho de Maguito Vilela e presidente estadual do MDB | Foto: Reprodução

O filho de Maguito tem construído bem sua base em Goiás para ser alçado a prefeito de Goiânia e, quiçá, governador de Goiás. Os números do último pleito, no qual Ronald Caiado saiu vencedor, deixam isso claro. Daniel vigorou em segundo lugar, com 16,1%. Estamos falando de quase 480 mil votos obtidos junto aos goianos.

A bela vitória de seu pai, Maguito, nas últimas eleições mostram que o povo ainda é afeiçoado ao projeto emedebista em Goiás e aos Vilela. Em que outra ocasião e de que outra forma um prefeito seria eleito fazendo campanha de dentro do hospital, sem ter nenhum contato com seus eleitores? É de se pensar.

É arriscado carimbar que Mendanha possa ser o próximo Iris e Daniel o próximo Maguito. Não ousaria. Mas uma coisa é certa: tanto o prefeito de Aparecida quanto o presidente estadual do partido seguem construindo uma trajetória que deixa qualquer emedebista raiz orgulhoso. Resta saber aonde o caminhos deles levará.

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