Afonso Lopes
Afonso Lopes

José Eliton e Marconi conseguem manter a base

Apenas dois deputados estaduais, um do PR e outro do PSDB, saíram da base aliada estadual, que continua como maior grupamento político do Estado

Marconi Perillo sai e deixa o governo para José Eliton, que disputará a reeleição em outubro

A janela partidária, período em que os políticos podem trocar de legenda sem correr risco de perder o mandato, era a grande chance dos candidatos oposicionistas de redividirem melhor as forças que compõem o principal núcleo de poder político no Estado. Pelo menos, era assim que pensavam articuladores das candidaturas do deputado federal Daniel Vilela, do MDB, e do senador Ronaldo Caiado, do DEM. O balanço final da janela não foi exatamente como a oposição imaginava. A base aliada estadual comandada por Marconi Perillo e José Eliton, que é incomparavelmente maior do que jamais foi, praticamente se manteve em matéria de lideranças e candidatos, e não sofreu abalos até aqui em relação aos partidos. Nesse sentido, José Eliton, que assumiu o governo do Estado e se prepara para ser candidato à reeleição em outubro deste ano, que era quem mais poderia perder, venceu um round significativo.

O PSDB, principal partido da base, tem a candidatura de José Eliton como ponto pacificado desde o momento em que o governador Marconi Perillo anunciou a disposição dele de apoiar a candidatura do vice. No início, uma ou outra voz tucana ainda se ouvia, nos bastidores, com certo nível de restrição a Eliton. Atualmente, a paz é total no ninho, mesmo com a saída do deputado estadual Iso Moreira, que foi para o DEM na semana passada.

O PTB, partido rico em quadros, nunca foi fácil. O grande exemplo disso pode ser observado nas eleições goianienses. Quase sempre os petebistas se lançam na disputa com nomes próprios, mesmo em confronto com candidatos apoiados pelo Palácio das Esmeraldas. O PTB, porém, tem uma origem dentro da base. Foi um dos quatro partidos que fecharam aliança nas eleições de 1998, ao lado de PSDB, PP e DEM. Com lideranças experientes, o partido é duro nas negociações políticas, e quase sempre isso funciona como um grande teste para a capacidade de articulação. Coman­dan­do a Prefeitura de Anápolis, cidade que funciona como segunda “capital política” do Estado, atrás de Goiânia apenas, o PTB do prefeito Roberto Naves teve cacife para negociar bem e fechar com a base aliada, apesar dos muitos rumores no ano passado de que o partido poderia se bandear para os lados da oposição este ano.

Outro partido fundador da base aliada em 1998, o PP, agora nas mãos do ministro Alexandre Baldy, em parceria com o deputado federal Roberto Balestra e Sandes Júnior, sassaricou no campo oposicionista enquanto teve o senador Wilder Morais como manda-chuva. Como já era esperado, Wilder deixou o partido e desembarcou no DEM. Não levou ninguém com ele. Por enquanto, pelo menos, não levou nem mesmo eleitores. Baldy foi secretário estadual no terceiro mandato do governador Marconi Perillo e, diplomata, conversa com Daniel Vilela, mas a possibilidade de ele le­var o PP para a oposição é re­mo­tíssima. A base principal do par­tido, com prefeitos e vereadores, não o acompanharia. A relação do PP com a base aliada é con­siderada pelo Palácio das Es­meraldas como bastante tranquila.

O único sinal real de rebeldia partidária dentro da base aliada é mesmo o PSD, embora o gesto esteja restrito ao seu presidente regional, o ex-deputado federal e ex-secretário estadual Vilmar Rocha. Os deputados federais Thiago Peixoto e Heuler Cruvinel, além do deputado estadual Francisco Júnior, estão fechados com a base aliada. O mesmo ocorre com as lideranças sediadas no interior do Estado. Não se sabe até onde Vilmar está disposto a tensionar a relação com a base aliada, principalmente sabendo ele que não há apoio no PSD para sua iniciativa.

O PR, comandado pela deputada federal Magda Mofatto, candidata à reeleição, também não pretende se aventurar no dividido terreno das oposições. O maior sinal disso é que o deputado estadual Álvaro Guimarães, com problemas localizados dentro da base aliada em sua cidade, Itumbiara, principal polo do Sul do Estado, deixou o partido para apoiar Ronaldo Caiado.

O PSB, da senadora Lúcia Vânia, candidata à reeleição, que tem ampla sintonia fina com o PPS, do deputado federal Marcos Abrão, sobrinho da parlamentar — também candidato à reeleição —-, está fechado com a base aliada estadual. Na sexta-feira, 6, ao participar da entrega de quase 600 apartamentos para a população mais pobre, em Goiânia, Marcos chegou a dizer, numa crítica velada aos poucos que deixaram a base, que “enquanto alguns ficam pulando de um lado para o outro, nós temos gratidão”.

Se não existem problemas com os principais partidos da base aliada, existe possibilidade de uma novidade no grupamento. O PCdoB, que tradicionalmente tem caminhado em aliança com o PT, mantém relação tranquila com o Palácio das Esmeraldas. O partido é nacionalmente orgânico, e essa separação com os petistas tem a ver com o lançamento de nome próprio à Presidência, a deputada Manuela D’Ávila. Em Goiás, a liderança maior do PCdoB é a deputada estadual Isaura Lemos.

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