Afonso Lopes
Afonso Lopes

Iris não se livra de agenda negativa

Lá se foram cinco meses deste mandato, e não há nenhum fato realmente positivo para o decano se apegar

Os problemas da gestão de Iris Rezende na prefeitura não são apenas financeiros, mas
também administrativos

O mais longevo e um dos mais experientes políticos de Goiás tem vivido provavelmente o pior desafio administrativo de toda a sua vitoriosa carreira. Iris Rezende não conseguiu até agora um único fator realmente positivo e intenso para reverter a triste agenda do seu governo. Pior do que não ter o que comemorar, ou em que se apegar, é que Iris Rezende não conseguiu nem ao menos criar uma perspectiva favorável. A imagem que se tem, real ou não, é que esta é uma administração pessimista.

Embora tenha uma parcela de culpa pela situação, as causas estruturais do mau desempenho nem podem ser creditadas inteiramente a Iris. Uma das causas do fracasso administrativo até aqui é a terrível herança econômico-financeira que, de acordo com levantamentos da Secretaria de Finanças, beirou os 500 milhões de reais de dívida flutuante vencida e mais um buraco mensal calculado em 30 milhões. E esse enorme desarranjo aí não pode ser combatido, ou corrigido, graças à crise econômica, que limita a receita.

A única parcela que recai sobre Iris é a ausência total de uma reforma administrativa que vise a diminuição da paquidérmica e caríssima máquina da Prefeitura. Quando o fluxo de caixa é positivo, o efeito nefasto desse custo é diluído. Mas quando o dinheiro fica escasso na boca do caixa, a situação se reflete em todas as áreas de atendimento da administração. É o que se tem percebido enquanto análise geral, e o que a população tem recebido como informação na prática do dia a dia.

Iris errou ao não promover uma dramática redução logo no início, quando estava com a faca, o queijo e tudo mais à sua disposição na grande mesa da sucessão. Ele pode ter sido forçado ao erro por uma trama do eleitor, que o elegeu bem, e com sobras, mas não deu a ele maioria na Câmara Municipal. Além disso, os vereadores que venceram chegaram com fome de ontem no novo mandato e os que perderam choraram as pitangas de suas derrotas nos ombros de Iris, que acabou acolhendo mais de meia centena deles. Iris poderia ter resistido? Em tese, sim, mas é muito difícil avaliar o que se passou realmente naquele momento. De qualquer forma, o resultado é que até agora nada funcionou. Nem a base que ele foi obrigado a construir é forte e coesa em torno dos objetivos finais do governo, que é bem gerir principalmente a questão dos serviços prestados à população, e que fazem parte das obrigações mais basilares da Prefeitura.

É óbvio que a experiência administrativa acumulada por Iris Rezende torna-se um referencial positivo de que a atual situação pode ser superada. O problema maior é se vai realmente melhorar e quanto tempo ainda falta para que isso aconteça. Por mais que seja o “queridinho” do eleitor goianiense, assim como Marconi Perillo é em nível estadual, a paciência está no fim, assim como aquela famosa trégua de seis meses iniciais de boa vontade e compreensão. Aliás, será um ótimo momento para se observar a capacidade de reação ao final do mês de junho. Iris provavelmente deve promover uma dança de cadeiras no secretariado, o que é quase uma norma de conduta nas administrações brasileiras, especialmente quando as coisas não deslancham. É este o caso de Goiânia.

No início do governo, uma frase crítica publicada no Jornal Opção apontou para um problema bastante sério: a equipe montada por Iris não era boa ou ruim, mas amadora. Com o passar destes poucos meses, a tal avassaladora avaliação talvez tenha sido branda demais. Além de amadora, essa equipe que aí está é desinteressada e descompromissada com a administração e com o prefeito, salvo nobres e poucas exceções. O que Iris mais precisa ao seu lado é de gente que tenha como único objetivo inicial o sucesso administrativo de Iris. A turma que só olha para o próprio umbigo age exatamente igual aquela que levou o ex-prefeito Paulo Garcia para o buraco crítico da opinião pública. Esse será também o destino da imagem de Iris Rezende se o prefeito não encontrar pessoas dispostas a sacrificar pessoalmente seus planos para incrementar a causa maior, que é o bom desempenho do governo.

Além disso, Iris precisa descobrir setores pensantes dentro de seu grupamento. Esses formuladores, que havia aos montes dentro do PMDB antigamente, já há muito foram embora. Iris, com isso, é obrigado a procurar sozinho soluções que deveriam ser debatidas por um grupo profissional. Com os amadores não da pra fazer grande coisa, e pode ser exatamente essa a grande causa da repetição de tentativas de soluções antigas para problemas absolutamente novos. Nesse sentido, o formato da administração de Goiânia está mais para mofo empoeirado pelo tempo do que para a modernização das alternativas que se fazem necessárias.

Dentro do PMDB dificilmente Iris vai encontrar cérebros à disposição além dos poucos e raros que já estão com ele na Prefeitura. A saída pode estar na academia. Se procurar e se abrir, o prefeito certamente vai encontrar muita gente boa que não tem militância política, mas que conhece profundamente as boas teorias que devem ser colocadas em prática para modernizar a administração e a vida da cidade. Do jeito que está, o destino de Goiânia não oferece boas perspectivas. Pode até melhorar um ponto ou outro, mas certamente isso será mínimo diante do caos urbano que Goiânia já enfrenta.

1 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
1 Comment authors

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Gilson Correia dos Santos

Tem que resgatar a propaganda política do PMDB a prefeitura de Goiânia e comparar o que foi cumprida até agora, nada foi feito, então, propaganda mentirosa, impedimento do Sr. ÍRIS JÁ.