Afonso Lopes
Afonso Lopes

Intenção de Vanderlan é diminuir a diferença ou passar Iris

Considerando que o 2º turno está praticamente assegurado, a ordem dentro do comitê do candidato do PSB é encostar no peemedebista nas pesquisas

Vanderlan Cardoso vive seu “momento de campanha”, subindo, enquanto Iris Rezende está estagnado | Fotos: Fernando Leite/ Jornal Opção

Vanderlan Cardoso vive seu “momento de campanha”, subindo, enquanto Iris Rezende está estagnado | Fotos: Fernando Leite/ Jornal Opção

Na primeira rodada da pesquisa Serpes/O Popular após a confirmação dos candidatos a prefeito de Goiânia, Iris Rezende aparecia isolado na primeira posição, com Vanderlan Cardoso e Delegado Waldir Soares tecnicamente empatados. Em três semanas, Iris se manteve no topo sem crescimento, enquanto Waldir despencou e Vanderlan avançou. No início da semana passada, outro instituto, o Fortiori, contratado pelo “Diário da Manhã”, revelou um quadro semelhante, onde o único destaque foi a queda na vantagem de Iris, que começou em 20% e agora estaria em 12% — o que representa uma diminuição de 60%.

Esses números, mais a chegada oficial do governador Marconi Pe­ril­lo, o que significa a adesão da maioria absoluta da militância da base aliada estadual, animou de vez os es­trategistas da campanha de Van­derlan Cardoso. Se antes o objetivo era chegar ao segundo turno, agora a pretensão é encostar em Iris Rezende ainda nesta reta final do primeiro turno e daí, quem sabe, até ultrapassá-lo.

O grupo ligado a Iris Rezende parece ter percebido a mudança que ocorreu no curso da campanha. No início, era comum encontrar peemedebistas de alto coturno falar em definição da disputa já no primeiro turno. Essa conversa foi sendo abandonada aos poucos. Restou apenas o otimismo em relação à possibilidade de Iris vencer a eleição, mas a disputa será mais longa do que se imaginou no início.

Há graves problemas estruturais na campanha de Iris Rezende, e isso só não se reflete com maior intensidade porque ele, sem qualquer dúvida, tem uma grande popularidade. O PMDB, seu partido, não está totalmente engajado na disputa. Essa divisão, que fica bastante clara quando se olha para a cúpula, se estende do alto até no térreo. A militância que ele tem nas ruas é muito mais irista do que peemedebista e, embora numerosa, não tem demonstrado ser grande o suficiente para fazer avançar ainda mais a sua candidatura. Sempre se disse que Iris era maior do que o PMDB. Talvez fosse exagero, mas ele é, sim, maior do que a sua própria militância. Somada à popularidade, ganha-se a credencial para o segundo turno. Daí para eventual vitória vai depender de outros fatores, inclusive das composições partidárias com os candidatos que forem barrados no primeiro turno, e o desempenho no programa eleitoral do rádio e TV — que ainda é o formato de comunicação que mais se espalha no eleitorado. Iris começou bem, mas a linha de comunicação do programa cansou. Vai ser necessário tirar “coelho da cartola”.

Quanto a Vanderlan, ela surfa na onda de seu momento de campanha. É aquela fase em que poucas coisas saem errado e quase tudo caminha bem. A base aliada estadual, principalmente o PSDB, teve alguma dificuldade para encarar o fato de que mais uma vez deixou de lançar candidatura própria a prefeito de Goiânia. A militância tucana sonhava com isso e demorou para acordar. Por outro lado, Vanderlan Cardoso também viveu momentos incertos no início por causa do seu jeito próprio e independente de agir politicamente. Essas duas situações, da militância tucana e do exclusivismo de ação pessoal, foram superadas, o que acabou gerando para Vanderlan Cardoso o tal momento de campanha. Olhan­do-se para o cenário geral das candidaturas, percebe-se claramente que ele é a “bola da vez”. Vanderlan não precisa gerar a notícia. Ele é a notícia.

É claro que fases de campanha são momentos passageiros. O objetivo de Vanderlan, e mais do que objetivo uma tarefa, é zelar para que isso se prolongue o máximo possível. Até aqui ele tem conseguido fazer isso até com alguma facilidade. Há uma onda — não um tsunami — favorável a ele. E essa onda provavelmente já lhe garantiu o desembarque na praia do segundo turno. Será o momento, segundo seus estrategistas de campanha, de buscar o chamado “x”, que é a ultrapassagem para o primeiro lugar. Mas essa é uma outra história. Não se exagera quando se diz que segundo turno é uma nova eleição. Pelo menos, não é um grande exagero. Na verdade, e essencialmente, é uma sequência da reta final do primeiro turno, mas apenas com os dois melhores colocados.

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