Afonso Lopes
Afonso Lopes

Imobilização no governo Iris

Além de não conseguir debelar a crise econômico-financeira da prefeitura, a atual administração da capital tem enredo triste, sem ânimo e ritmo lento

Governador Marconi Perillo ofereceu ajuda ao prefeito Iris Rezende, o que poucos aliados do prefeito estão fazendo

É visível o descontentamento geral da população com o atual desempenho da administração da Prefeitura de Goiânia. Em análise rápida, talvez boa parte dessa frustração seja resultante da enorme esperança que Iris plantou durante a campanha eleitoral, ainda bastante fresca na cabeça de todos. Ele dizia que conseguiria quebrar a negatividade que havia abatido o governo de Paulo Garcia (PT) logo nos primeiros dias após a posse. Chegou a dizer também que iria se aposentar, mas que tinha resolvido se candidatar mais uma vez porque a crise precisava ser debelada rapidamente. O eleitor da capital, que majoritariamente gosta do jeitão do prefeito, confiou mais uma vez no discurso à la Sassá Mutema, de salvador da pátria goianiense, e lhe entregou o trono do Palácio do Cerrado Venerando de Freitas.

O buraco imaginado por Iris Rezende ao fazer tantas previsões otimistas na campanha, principalmente quanto à instantaneidade das soluções, é muito maior. A questão não estava na condução administrativa de Paulo Garcia, mas num enorme leque de questões. Além disso, a recessão econômica impede soluções tradicionais que ele sempre adotou nas vezes anteriores em que assumiu mandatos, o aumento de impostos. Como cobrar mais alguma coisa de um povo que não está conseguindo pagar o que já é cobrado?

Vieram então as promessas pós-posse de solução ao longo dos meses. Em janeiro, após perceber que não havia dinheiro pra quase nada, deu a ele mesmo prazo de que no final de fevereiro a casa estaria em ordem. Em março, adiou para abril. Em maio, reformulou para junho. Julho está no fim e nem se fala mais em prazo algum. É mesmo o mais prudente — e inteligente a ser feito.

A prefeitura tenta vender imagem positiva, mas não consegue enganar a ela própria. Os governos de Iris Rezende sempre venderam otimismo, mas o atual não consegue se desgarrar do pessimismo. Iris não tem 100% de apoio nem dentro do PMDB. No início do mandato ele teve inclusive que debelar crise entre vereadores do seu partido. A bancada estadual peemedebista na Assembleia Legislativa também não dá a menor “pelota” para o desempenho do prefeito e para as dificuldades da administração. Em determinados momentos, a impressão que se tem é que Iris está sozinho, cercado de gente aliada que está muito mais preocupada com a eleição do ano que vem.

Esse isolamento reflete no ambiente administrativo ma­cam­búzio. Enquanto líder carismático que sempre foi, Iris precisa recuperar o seu otimismo e, assim, contagiar o restante de sua equipe. Com exceção de pouquíssimos amigos, como o secretário Paulo Ortegal, ele talvez tenha recebido mais apoio do governador Marconi Perillo do que de seu partido e demais aliados. O próprio PSDB na Câmara Municipal, embora na oposição, tem amenizado bastante em todos os posicionamentos críticos.

O inferno astral do prefeito neste mandato é, com o devido perdão pelo emprego dessa surrada frase, um ponto fora da curva. Esse que aí está, abatido por perceber que a enrascada administrativa da Prefeitura de Goiânia é muitas vezes pior do que ele e todos os demais imaginavam, não é o Iris de sempre. Ele passa a impressão, certamente falsa, de estar profundamente cansado e desanimado. Frustrado sem dúvida ele está, mesmo que não admita.

E não há outra forma de escapar do momento atual se ele não conseguir se recuperar nesse aspecto. Para corrigir os gravíssimos problemas estruturais e conjunturais vividos pela Prefeitura de Goiânia, Iris precisa muito voltar a apostar no otimismo, na articulação política e de resultados. Na mesma linha adotada pelo governador Marconi Perillo, que aliás se prontificou a ajudar no que for possível — apesar dessa iniciativa nem sempre ser bem vista por seus aliados. Uma ajuda, por sinal, que a maioria dos peemedebistas e demais aliados jamais ofereceu.

É claro que otimismo só não paga a conta, mas lamentar as dificuldades diante do espeto igualmente não livra das brasas. E o tempo conta bastante contra Iris. Dezembro está logo ali na esquina, e clima de eleição sempre provoca incêndios. Iris ficará então ainda mais sozinho, e corre o sério risco de viver o pior e mais inimaginável constrangimento: ser evitado por candidatos do seu próprio arco de alianças. Mais ou menos como ocorreu com Paulo Garcia no ano passado

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