Afonso Lopes
Afonso Lopes

Guerra interna define perfil do PMDB

Ao procurar o vereador anapolino Antônio Gomide, ex-candidato petista ao governo do Estado, Daniel Vilela mostra seus trunfos de aliança

Ex-prefeito e hoje vereador Antônio Gomide é um dos líderes com quem Daniel Viela tem mantido interlocução | Fotos: André Kerygma (Gomide) e Fernando Leite/ Jornal Opção (Daniel)

A linha divisória do PMDB goiano está claramente marcada no espaço político interno: de lado estão os iristas, aparentemente dispostos a tudo para derrotar o outro lado, os maguitistas, que se esforçam neste momento para ampliar um possível leque de sustentação da candidatura já prévia e antecipadamente colocada do deputado federal Daniel Vilela, dublê de filho de Maguito Vilela e presidente regional do partido. É essa briga interna que irá definir o perfil político-eleitoral do PMDB nas eleições de 2018.

O prefeito Iris Rezende tem como principal e mais importante aliado o senador Ronaldo Caiado, presidente regional do DEM. Ele é também o único nome, além do próprio Iris, com cacife suficiente para se colocar no mercado eleitoral como representante dos iristas.

A exemplo do que ocorreu no ano passado, nas eleições de Goiânia, o PMDB irista tem uma gravíssima falha de composição de lideranças, e se torna dependente de poucas opções de escolha.

No outro lado também não há nenhuma fartura. De imediato, o único candidato com potencial é o ex-governador Maguito Vilela. Mas a aposta do grupo é jogar tudo com o nome de Daniel Vilela. Os maguitistas entendem que Daniel representaria muito mais facilmente um discurso baseado na renovação. Isso realmente faz sentido. Desde 1990, o PMDB sempre disputou o governo do Estado com somente duas opções, Iris e Maguito. Iris se elegeu em 90, Maguito venceu em 94. Daí em diante, foram derrotas em cima de derrotas: Iris em 98, 2010 e 2014, Maguito em 2002 e 2006. Nesse placar eleitoralmente macabro, Iris 3×2 Maguito.

São sete eleições divididas apenas entre essas duas candidaturas. É por essa razão que os maguitistas preferem reforçar o nome de Daniel, que vestiria melhor a roupagem da renovação. Não por ser ele um represente legítimo de algo novo, mas também pela pouca idade. A única coisa que pesa contra ele, pesa também a favor: o sobrenome famoso. É por essa razão que Daniel tem a aparência de renovação, mas na prática é quase a mesma coisa.

Iris também percebe que as tentativas dele próprio e de Maguito no trabalho de reconquista do governo do Estado cansaram. Além disso, sua promessa enfática de que ficará no comando da Prefeitura de Goiânia até o último dia de seu mandato, em 2020, é um peso extraordinário. Um eventual abandono do mandato já no início do ano que vem poderia causar um rombo irrecuperável em seu enorme patrimônio eleitoral em Goiânia, com prováveis reflexos no resultado estadual. O prefeito parece ter colocado tudo isso na balança, e joga para viabilizar Ronaldo Caiado como candidato do PMDB em 2018.

Simpatia de Iris

Não é tarefa fácil. Caiado tem a simpatia e a aliança de Iris, mas isso não significa que ele carrega o PMDB junto. A tal linha divisória entre maguitistas e iristas é insuperável.

Qualquer que seja o candidato do partido, certamente uma ala não vai se dedicar inteiramente na campanha. Pra complicar ainda mais a opção Caiado, o PMDB goiano é o segundo maior e mais capilarizado partido de Goiás. Os peemedebistas são orgulhosos dessa condição e da história de construção de um passado bastante exitoso. Nesse sentido, Caiado sempre representou o “lado de lá”. Também por essa razão já surgiram iristas pedindo para que ele abandone o DEM e embarque de vez no PMDB. A decisão não é assim tão simples como trocar de camisa.

Em muitas cidades, apesar da forte presença de tucanos e de outras forças partidárias em todo o Estado, democratas e peemedebistas ainda vivem os velhos tempos de rivalidade histórica. Uma evidência desse fato está provavelmente inserida no resultado das eleições de 2014. O democrata, um líder inconteste de seu segmento político, se lançou para o Senado com potencial de votação em torno de 70%, conforme registraram os institutos de pesquisa na época. Na base aliada, Vilmar Rocha, antigo “companheiro” de Caiado no PFL/DEM até se mudar de vez para o PSD, começou com índices insignificantes. Apurados os votos, ficou a sensação de que Vilmar não derrotou Caiado porque talvez nem ele próprio julgasse que seria capaz de vencer. A vantagem do democrata, que chegou a ser projetada acima de 1 milhão de votos, terminou em menos de 300 mil. A campanha de Caiado foi correta, triunfante, bem ao seu estilo. O problema foi a falta de empenho de setores peemedebistas no interior.

A bola da vez neste momento é Daniel Vilela. Apesar de o calendário apontar ainda um ano inteiro de viabilizações internas, ele procurou lideranças do PT estadual para alinhavar uma possível aliança, caso consiga se viabilizar como candidato. federal Daniel tem mantido interlocução com o ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide e com os deputados estaduais do PT. Como se sabe desde sempre, não existe possibilidade de união PMDB-PT com uma candidatura de Ronaldo Caiado. Nem os petistas iriam querer, nem Caiado iria aceitar. Mas tudo isso é uma questão pontual, embora centralizada no perfil que o PMDB irá apresentar na eleição de 2018. Com Daniel, a aliança poderá ser abrangente. Com Caiado, não se sabe até que ponto Iris Rezende poderia cacifar sua candidatura em termos de aliança.

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