Afonso Lopes
Afonso Lopes

Grandalhões em crise

Os dois maiores partidos de Goiás passam por sérias turbulências

A não participação do governador Marconi Perillo  nas próximas eleições estaduais abre um vácuo político

A não participação do governador Marconi Perillo nas próximas eleições estaduais abre um vácuo político

Iris Rezende, Júnior Friboi e Maguito Vilela disputam a influência dentro do PMDB visando o pleito de 2018

Iris Rezende, Júnior Friboi e Maguito Vilela disputam a influência dentro do PMDB visando o pleito de 2018

O que está acontecendo com o PMDB e com o PSDB, maiores partidos políticos de Goiás e donos da maioria esmagadora dos cargos executivos do Estado? Difícil entender. O PMDB sofre derrotas na disputa pelo Palácio das Esme­ral­das desde as eleições de 1998, mas ainda assim tem conseguido bom desempenho nas eleições municipais. Já o PSDB tem conseguido vencer tanto nas disputas municipais quanto nas estaduais. Pois ambos os partidos estão vivendo uma, digamos, turbulência bastante séria. Em tese, por razões distintas. No fundo, pode ser uma só causa a abalar as estruturas da unidade do PMDB e do PSDB.

Até que uma crise ou outra não é nenhuma novidade nas hostes peemedebistas. Desde os anos 1980, o partido assiste à disputa entre alas internas. Mas atualmente a situação parece estar num grau diferente. Não tão explícita ou com contornos definidos, como nos episódios de conflito entre santillistas e iristas como antigamente. Hoje, apesar do amplo domínio e da liderança de Iris Re­zende, os interesses se misturam entre as alas do partido.

Para o PSDB, embora com um histórico bem menos conflitado, a crise de relacionamento interno não chega a ser uma completa novidade. É o tal negócio, a festa da vitória costuma ficar naturalmente lotada, e aí entra aquela máxima que diz que “quem está dentro não sai e quem está de fora quer entrar”. Não cabe todo mundo.

Olhando superficialmente, estão aí as razões para tanto bafafá nos corredores internos do PMDB e do PSDB. Mas as profundezas leva necessariamente a uma visão menos corriqueira e mais eleitoral, de disputa de poder e supremacia. As crises nos dois partidos pode ter muito mais a ver com 2018 do que com 2015.

As três principais alas peemedebistas, lideradas por Iris Re­zende, Maguito Vilela e Júnior Friboi, vivem esse tensionamento atual porque querem dominar o partido agora para indicar seus quadros numa disputa contra a base aliada em 2018, que não poderá mais contar diretamente com uma candidatura do governador Marconi Perillo. Os peemedebistas entendem que, sem Marconi, o jogo geral das eleições iguala todos, e a estrutura que o PMDB pode oferecer ao seu candidato será um diferencial.

Em relação ao jogo embolado e sem favoritismos com a ausência de Marconi, o entendimento peemedebista é absolutamente correto. O diferencial da base aliada estadual, que desequilibrou as últimas cinco eleições estaduais, é mesmo Marconi Perillo. Mais do que isso, o governador, após três mandatos, acaba de ser reeleito com a maior votação de sua vitoriosa carreira, fato extremamente raro no mundo político. Normal­men­te, a tendência geral é redução nos índices.

Em 2002, imaginava-se que Marconi tinha atingido o ápice e que passaria a conviver com uma lenta, mas gradual redução em seu eleitorado. Pois em 2006, ele não apenas se elegeu senador sem maiores problemas como carregou nos ombros Alcides Rodrigues para o Palácio das Esmeraldas. E não foi uma coisa simples. Alcides começou a corrida eleitoral numa constrangedora e desanimadora “lanterna” contra pelo menos dois grandes campeões de voto, o então senador Demóstenes Torres e o peemedebista Maguito Vilela. Aos poucos, e no embalado da campanha de Marconi, Alcides foi ultrapassando um a um até ser eleito no 2º turno. Em 2012, no auge da crise da CPI do Cachoeira, movida principalmente pelo PT lulista em Brasília, Marconi foi considerado morto e enterrado politicamente. Dois anos depois, bateu outro campeão peemedebista, Iris Rezende, com o tal recorde de votos.

Isso revela que, sim, o fato de não poder disputar o Palácio das Esmeraldas em 2018, mesmo que dispute mais uma vez o Senado ou tente um vôo presidencial, a ausência de Marconi é um aspecto que tem atiçado a cobiça palaciana em todos os partidos, e especialmente na base aliada e no PMDB. As crises, portanto, podem estar muito mais ligadas a esse fato do que a questões pontuais e atuais.

Quem quiser disputar o Palácio das Esmeraldas pela base aliada terá que obviamente passar pelo crivo e aprovação pessoal de Marconi. Essa é naturalmente uma das funções, e tam­­bém ônus, de um líder. No PMDB, Iris, Friboi e Maguito disputam palmo a palmo nacos de influência para poderem indicar ou serem eles mesmos indicados para a disputa.

Isso significa que o cenário partidário tanto na base como também no PMDB não está definido, e não se deve descartar um imenso troca-troca de legendas daqui até outubro de 2017, prazo final para as filiações visando as eleições de 2018. Ou seja, não será surpresa se nomes consagrados do PSDB e do PMDB mudarem de time partidário. A turbulência que se vê agora é apenas a encenação geral que disfarça a razão de fundo, que é a disputa eleitoral. É sempre assim.

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