Afonso Lopes
Afonso Lopes

É possível derrotar Iris Rezende

Mesmo garantindo que ainda não se decidiu, todo mundo tem a “certeza” de que o ex-prefeito vai disputar a Prefeitura de Goiânia novamente. Como batê-lo é a questão

alvo

É incrível como Iris Re­zende se tornou previsível em seus mistérios ao longo das décadas. Neste momento, por exemplo, ele diz que ainda não sabe se será ou não candidato a prefeito de Goiânia novamente, e que só vai definir seu futuro da­qui uns tempos. Exatamente igual a­quilo que sempre fez em outras si­tuações semelhantes. Todo mundo sa­be que ele é, mas ele diz não saber se será. A dúvida, portanto, não é sa­ber se Iris irá ou não tentar o retorno à Prefeitura da capital, mas se existe alguma forma de impedir que isso aconteça. Esse é o sonho de todos os opositores a ele. E só há um caminho para impedir: derrotá-lo em seu ambiente preferido, as urnas. Será possível?

Possível, é, claro. Não apenas é possível derrotar Iris como qualquer outro político aqui e alhures. Não existe ninguém eleito de véspera. E nem derrotado. Neste caso, até peru se salva, e sobrevive pelo menos até o dia da eleição. É claro que candidatos favoritos tendem a agregar mais valor desde a pré-campanha e, também por isso, quase sempre conseguem confirmar a vitória. Quase sempre, diga-se. Favoritos também perdem. É mais raro, mas acontece vez ou outra.

No embate direto, Iris só foi derrotado até hoje por Marconi Perillo. Por aí já se percebe o tamanho da encrenca que é encarar o peemedebista nas urnas. A primeira derrota aconteceu em 1998. Ele era franco favorito. Favorito absolutão mesmo, com mais de 70% de intenções de vo­to no início do período das pesquisas. Acabou chegando em segundo no prieiro turno, e derrotado definitivamente no segundo turno. Só que todas as vezes em que foi derrotado, e não foram tantas vezes assim, a disputa foi em nível estadual. Em seu principal reduto, Goiânia, ele permanece invicto.

Há uma velha máxima no meio político de que quem bate nos adversários durante a campanha perde a eleição. É uma tremenda bobagem. Na verdade, quem bate perde ou ganha, dependendo de como bate e de como consegue se defender também. Sim, porque quase sempre as campanhas mais agressivas recebem o troco na mesma moeda. Além disso, é preciso saber desmontar as teses mais populares do adversário. Ou seja, é preciso saber bater, e ter credibilidade para isso. Indo mais além e na contramão dessa tal frase, quem não bate, ganha? Pode até ganhar, mas não diretamente. No máximo, como herdeiro. De repente, dois candidatos trocam “sopapos” e um terceiro acaba se beneficiando. Isso também acontece dentro da imprevisibilidade das campanhas.

O grande momento das campanhas “paz e amor” foi 2002, com o Lula e o marqueteiro Duda Mendonça, um mago de extraordinária competência. Mas a verdade é que a campanha de Lula foi extremamente agressiva do ponto de vista desclassificatório de tudo o que José Serra representava. Nada nos governos de FHC era mostrado como bom e positivo. Ao contrário. O grande problema naquela eleição era que José Serra e o PSDB estavam completamente divididos, e enquanto um lado tentava vencer, o outro aceitava normalmente a virtualidade da derrota que acabou acontecendo. Lula bateu o suficiente para vencer, e só não bateu mais porque não foi necessário.

Na linha oposta dessa campanha, aparece 2014. Quem mais desceu o “sarrafo” foi a presidente Dilma Roussef. E quem mais apanhou, em determinado momento, foi Marina Silva. A Marina derreteu debaixo da pancadaria porque não soube se defender. Aécio, enquanto isso, passava ao largo e até, de certa forma, acabou entrando como herdeiro no primeiro turno. No segundo, foi moído também sem conseguir reagir.

São duas situações semelhantes muito mais do que conflitantes. Lula e Dilma bateram e se defenderam com precisão, e também por isso conseguiram vencer. Esse é o único caminho para a vitória. E dentro disso, funcionaria contra Iris Rezende em seu “terreiro”?

Pode funcionar, e talvez não seja tão complicado assim tematizar pe­ças negativas contra ele. Apesar de ter rompido com o prefeito Paulo Gar­cia, a péssima imagem da administração que ele, Iris, avalizou na campanha de 2012 certamente será explorada. O rompimento pode não ter o efeito vacina que o peemedebista espera.

Mas Iris não é um pobre indefeso. Muito pelo contrário. Como todo líder político de extraordinário alcance eleitoral, ele tem uma arma pode­ro­síssima: o instinto de sobrevivência. Ao sair de duas derrotas, em 1998 e 2002, Iris se lançou candidato a prefeito de Goiânia e imediatamente surgiu em primeiro lugar nas pesquisas. Consequentemente, se tornou alvo de todos os adversários, mais até do que Pedro Wilson, então candidato à reeleição. Quando a situação fi­cou realmente embaçada para ele, sa­cou duas soluções administrativas ousadas e partiu para o contra-ataque.

Iris sabe que será o alvo novamente, e também por essa razão vem adiando o início da campanha. Por ele, certamente, quando menos campanha houver, melhor. Ele é disparadamente o mais conhecido dentre todos os candidatos, e o preferido majoritariamente. Ou seja, se ele entrar e sair da campanha da mesma forma, fatalmente será eleito. Então, para os adversários, não há muito o que fazer se não encabeçar uma campanha crítica e inteligente. Se não bater, perde.

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