Afonso Lopes
Afonso Lopes

A disputa que vai dizimar reputações

Ao contrário do que ocorreu em 2012, eleições goianienses deste ano podem significar o fim de “certezas” eleitorais

Iris Rezende, Waldir Soares, Luiz Bittencourt e Giuseppe Vecci: quatro bons nomes, três deles vão perder

Iris Rezende, Waldir Soares, Luiz Bittencourt e Giuseppe Vecci: quatro bons nomes, três deles vão perder

Em 2012, quando Paulo Garcia brigou dentro do PT para ter o direito de, na­turalmente, disputar a sua reeleição, nem seu partido botava a menor fé em sua vitória. Tanto que queria indicar qualquer outro nome mais conhecido. Havia razão para essa desconfiança? De certa forma, sim. Paulo tinha apenas um mandato de deputado estadual em seu currículo público, com derrota na tentativa de reeleição, antes de ter sido indicado vice e eleito na chapa liderada por Iris Rezende, em 2008. De certa for­ma, não. O PT não tinha ninguém me­lhor que o próprio prefeito e sua ca­neta para disputar a eleição. Em ou­tras palavras, se Paulo tivesse perdido em 2012 não seria nenhuma surpresa.

O outro candidato de peso naquela eleição foi o deputado federal e presidente regional do PTB Jovair Arantes. Para ser indicado como representante da base aliada estadual, Jovair enfrentou uma guerra interna muito acirrada. Embora um vencedor em eleições proporcionais, tendo uma carreira que se estende de vereador em Goiânia, deputado estadual e reeleições como deputado federal, a única vez que disputou cargo no Executivo, antes de 2012, tinha sido como vice na chapa liderada pelo petista Darci Accorsi, em 1992. Em nenhum momento da campanha ele foi apontado como favorito, e sua derrota igualmente não surpreendeu o mundo político.

Se esse era o cenário político da eleição de 2012, em Goiânia, o quadro atual é muito diferente. Pelo menos em termos especulativos, este período de pré-campanha indica que alguns candidatos detém, sim, uma grande perspectiva quanto à capacidade de crescer e vencer a eleição. O principal deles, obviamente, é Iris Rezende, desde já apresentado, como sempre ocorre, com favoritismo. Mas ele não é o único.

O campeão de votos das eleições para deputado federal em 2014, delegado Waldir Soares, é o primeiro nome dessa lista de notáveis que deverá disputar o cargo de prefeito goianiense. Waldir aparece com bom destaque nas pesquisas atuais, embora extemporâneas. Ele deixou o PSDB por entender, com inteira razão, que não seria o escolhido do partido, e se filiou ao PR, também integrante da base aliada estadual, dirigido pela deputada federal Magda Mofatto, que lhe garantiu a indicação.
No PTB, o ex-deputado estadual e ex-deputado federal Luiz Bitten­court abandonou a aposentadoria política e entrou com bastante força nas movimentações pré-campanha. Ele já disputou duas vezes o cargo de prefeito de Goiânia. A primeira, em 1992, quando ainda pertencia ao extinto PDC. Depois, em 1996, pelo PMDB, quando foi ao segundo turno contra Nion Albernaz, favoritíssimo naquela eleição.

A competitividade de Bittencourt na eleição de 96 pode ter sido a principal motivação que levou Jovair Arantes a convocá-lo para a disputa deste ano. Ele não era favorito nem para figurar no segundo turno, já que, além de Nion Albernaz, um eterno favorito enquanto esteve em atividade eleitoral em Goiânia, teve que superar o candidato ungido pelo então prefeito Darci Accorsi, Valdi Camarcio, um dos homens fortes de Darci e deputado estadual do PT. Bittencourt teve o apoio do governador Maguito Vilela, o que em eleição na capital tem bastante peso, mas nunca foi fator decisivo.

Outro peso-pesado das eleições deste ano é o deputado federal Giuseppe Vecci. “Integrante” das hostes tucanas desde antes de o partido ser fundado, quando o grupamento que deu origem ao PSDB em Goiás se reunia no PMDB no chamado grupo santillista (referência ao ex-governador Henrique Santillo, falecido), Vecci sempre foi um dos principais planejadores das administrações do governador Marconi Perillo. Em 2014, pela primeira vez, ele trocou as planilhas e pranchetas pela disputa eleitoral, e está na Câmara dos Deputados, em Brasília. Por sua estreita amizade com Marconi, Vecci sempre é apontado como um dos nomes que estará na disputa sucessória estadual de 2018.

Desses quatro gigantes, três vão sair das urnas com uma derrota que deverá provocar estragos terríveis em suas reputações eleitorais. Pro­vavelmente, definitivos, irrepa­ráveis. Isso será, de fundo, o que também estará em jogo nas eleições goianiense deste ano: o futuro.
Iris Rezende certamente tem levado em conta que jamais foi para uma eleição com tantos riscos reais de ser surpreendido. Paulo Garcia, vice que ele escolheu para selar aliança na eleição de 2008, se revelou um bom herdeiro político, mas um péssimo herdeiro administrativo. Paulo foi extremamente leal a Iris durante o tempo todo, resguardando o peemedebista de qualquer forma de constrangimento político, mesmo quando se viu duramente atacado pelo PMDB. E nem administrativamente, Paulo ofereceu argumentos para a oposição a Iris faturar em cima das dificuldades enfrentadas pela Prefeitura. É óbvio, portanto, que isso deverá ser explorado na campanha eleitoral.

O deputado Waldir Soares vai para a campanha de prefeito fazendo a sua mais alta aposta política. Se vencer, e ele tem condições inicialmente reais para isso, vai se consagrar. Se perder,mesmo que chegue ao segundo turno, sofrerá um desgaste que deverá anular o feito absolutamente formidável de 2014, quando surgiu como recordista de votos para deputado federal mesmo tocando uma campanha paupérrima.

Bittencourt abandonou a aposentadoria e terá que demonstrar fôlego para vencer as eleições. Compe­titividade eleitoral ele tem, talvez em muito maior escala do que qualquer outro, incluindo Iris Rezende, um no­tável nesse quesito. E ele terá que conquistar essa condição sem resvalar no discurso fácil e popularesco, que certamente vai povoar as campanhas de Iris e Waldir, donos absolutos dessa área. Em 1992 e 1996, quando disputou a Prefeitura, Bittencourt criou motes de campanha que pegaram, como a “sola do sapato”, uma mensagem que o mantinha no asfalto, mas permitia um pé na rua de terra. Ele havia se aposentado com essa fama de competitividade. Se perder, volta a aposentadoria, mas como derrotado.

Para Giuseppe Vecci, o que estará em jogo é a sua condição de grande nome interno do PSDB. Se for eleito, abrirá as portas para o futuro. Se perder, terá que contentar em ser apenas mais um deputado, embora ele não esteja colocando em risco o seu papel de principal liderança do grupo como técnico. Para o Executivo, talvez seja a única oportunidade. Como prefeito de Goiânia, ele se credencia para o Estado. Derrotado, ele dará dois adeus ao mesmo tempo: Palácio do Cerrado Venerando de Freitas Borges e Palácio das Esmeraldas.

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