Afonso Lopes
Afonso Lopes

Base aliada poderá ter quatro candidatos

Sem discutir internamente a melhor estratégia para enfrentar as eleições do ano que vem, em Goiânia, base aliada estadual caminha para múltiplas candidaturas. Isso é bom ou ruim?

Jayme Rincón, Vanderlan, Bittencourt e Virmondes | Fotos: Jornal Opção / reprodução

Jayme Rincón, Vanderlan, Bittencourt e Virmondes | Fotos: Jornal Opção / reprodução

A base aliada estadual, que vence eleições estaduais desde 1998, tem levado um vareio dos opositores nas disputas pela Prefeitura de Goiânia desde o ano 2000. Esse fato não deixa de ser um componente curioso. Por que a mais azeitada máquina eleitoral de Goiás não consegue bom desempenho nas eleições de prefeito da principal cidade do Estado? em tese pelo menos, o bom desempenho nas disputas estaduais deveria credenciar os candidatos da base aliada para qualquer competição. Em Goiânia, isso não acontece. Ao contrário, PMDB e PT goleiam com tranquilidade.

E se é esse um curioso fato político, há uma linha que difere o formato com que a base se apresenta nas eleições estaduais e de Goiânia. Quando o Palácio das Esmeraldas está em jogo, a base consegue se unir. Já na disputa pelo Palácio do Cerrado Vene­rando de Freitas Borges, a divisão vira marca registrada. Talvez a explicação para essa mudança de postura eleitoral esteja no fato de a disputa estadual se concentrar em torno de dois nomes competitivos e em Goiânia três forças se equivalerem. No caso de Goiânia, a tríplice disputa é percebida em quase todas as eleições desde a redemocratização, na década de 1980.

A volta da eleição direta para prefeitos de capitais ocorreu em 1985. Naquele ano, Daniel Antonio (PMDB) e Darci Accorsi (PT) protagonizaram a disputa. Depois disso, e na sequência, vieram as eleições de “lista tríplice”. Em 1988, entre Nion Albernaz (PMDB), Pedro Wilson (PT) e Maria Valadão (PDS). Em 1992, em torno de Darci Accorsi (PT), Sandro Mabel (PMDB) e Sandes Júnior (PFL). Em 1996, Nion Albernaz (PSDB), Luiz Bittencourt (PMDB) e Valdi Carmárcio (PT). Em 2000, Pedro Wilson (PT), Darci Accorsi (PTB) e Lúcia Vânia (PSDB). Em 2004, Iris Rezende (PMDB), Pedro Wilson (PT) e Sandes Júnior (PFL). Em 2008, em processo de reeleição, Iris goleou já no 1º turno. Em 2012, também em processo de reeleição, foi a vez de Paulo Garcia (PT) vencer a eleição sem necessidade de 2º turno.

Mas, e agora, em 2016, como será? É muito cedo para se ter ao menos uma pista daquilo que vai acontecer, mas já se percebe que o jogo será de “japoneses”, com exceção, obviamente, se Iris Rezende se candidatar. Fora Iris, que parte favorito caso entre na disputa, muito embora já não tão favorito como em eleições anteriores, ninguém mais se destaca pra valer ao ponto de largar como favorito.

Isso pode de certa forma oferecer uma linha razoável de raciocínio para se entender o processo que está ocorrendo dentro da base aliada nesta pré-temporada. Como não existem os chamados candidatos naturais, todo mundo tenta se posicionar para ver como é que vai ficar. No mundo político, como se sabe, não existe vácuo. Sempre haverá um ou outro que se posicione para ocupar o espaço existente.

Há quatro tendências bastante claras neste momento. O PTB depositou todas as fichas do jogo no nome de Luiz Bittencourt. E conseguiu marcar posição, se definitiva ou não é outra história. Ainda assim, não da pra falar em eleição em Goiânia no ano que vem dentro da base aliada sem levar Bittencourt em conta.

O PSD ainda tateia, mas pode apresentar o deputado estadual Virmondes Cruvinel. Aparen­temente, é uma candidatura sem muita consistência. Mas é só aparência. Virmondes tem se revelado um craque nas articulações e bom desempenho nas disputas em que se mete, de vereador a deputado. Além disso, tem base consolidada na capital e um discurso afiado e sem firulas. O grande problema dele será a sua base de sustentação. O PSD terá que formar uma boa coligação para não desistir antes da hora. Ou seja, Virmondes depende muito mais do que o partido poderá lhe oferecer do que dele próprio.

O PSDB é um latifúndio de candidatos disponíveis. Tem perfis para todos os gostos, indo da linha um tanto populista representada pelo delegado e deputado federal Waldir Soares, ao tocador de obras e gerentão Jayme Rincón, passando pelo tecnicismo do deputado federal Giuseppe Vecci e pelo grupamento evangélico engajado dos deputados federais Fábio Souza, principalmente, e João Campos, um pouco menos após ter se metido em questões comportamentais polêmicas e ligadas aos evangélicos na Câmara dos Deputados. Quem pode se firmar como candidato no meio dessa multidão ninguém sabe, mas Waldir tem alardeado que vai para a disputa dentro do PSDB ou fora dele.

Por último, a base tem um nome que navega entre os governistas sem perder a distância da oposição, a chamada 3ª via, encabeçada por Vanderlan Cardoso, do PSB. Ele diz que será candidato por esse caminho, mantendo distância do Palácio das Esmeraldas, mas sem se aproximar demasiadamente da linha oposicionista. E ele realmente não tem como fazer oposição à base estadual, já que o maior nome do seu partido não é ele, como nas eleições anteriores, mas a senadora Lúcia Vânia, cuja filha, Ana Carla, é ninguém menos que a poderosa secretária da Fazenda do governo estadual. O grande problema de Vanderlan é que ele nunca consegue formar uma boa coalizão. Desta vez, provavelmente ele não vai mudar esse histórico, tarefa que apenas Lúcia Vânia poderá realizar.

O Palácio das Esmeraldas tem assistido esse movimento geral dentro da base de camarote, sem esboçar qualquer forma de interferência. Faz bem. Neste momento, a ebulição geral dessas candidaturas provoca o debate em torno da eleição durante um ano que tem sido brutal para a política em função da recessão econômica provocada pelo ajuste fiscal. Além disso, como se costuma dizer, é no balanço da carroça que as abóboras se acomodam.

Por fim, o PT vive como se fosse um passageiro da agonia por causa dos desgastes da imagem do governo municipal, que parece eternizado na dualidade de boas e más notícias. Se o partido conseguir costurar e manter a aliança com o PMDB estabelecida desde 2008, certamente não será cabeça de chapa em caso da confirmação da candidatura de Iris Rezende, que detém absolutamente preferência na ordem do dia. Ainda que vire caudatário e não protagonista, o partido ficará no lucro. Hoje, qualquer candidato do partido, mesmo a ótima deputada estadual Adriana Accorsi, que tem grande potencial, ou o veterano deputado Humberto Aidar, bem alicerçado na sua base goianiense, não teria nenhuma chance de vencer sozinho.

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